'Isso Ainda Está de Pé?': a busca pela individualidade no fim da relação
O que acontece quando a vida se resume a ser a metade de alguém? Quando um casamento sobrevive nas lembranças do que já foi e você se perde entre o que é a sua personalidade e a do parceiro com quem construiu uma família?
Essa questão existencial, motivo de divórcio entre tantos casais, é o pilar de Isso Ainda Está de Pé?, novo filme de Bradley Cooper na direção e estrelado por Laura Dern e Will Arnett, que também assina como roteirista.
A trama foca o fim do casamento de Alex e Tess Novak, moradores do subúrbio de Nova York e pais de dois filhos pequenos. Ela, ex-atleta de vôlei com uma carreira interrompida de forma precoce, não vê mais sentido em uma relação estagnada. Ele, preso ao passado, é o retrato do homem que viveu em função da família, sem hobbies ou sonhos, apenas um satélite do ambiente doméstico.
Quando a bolha entre eles estoura, Alex sai de casa e se vê à deriva em um novo apartamento, que soa como um oceano escuro e solitário. O bote salva-vidas surge quando ele, por acaso, inscreve-se em um bar de stand-up e usa o microfone para transformar a dor em comédia.
“Acabamos fazendo um filme dramático, que tem um grande elemento de stand-up, e ainda assim não é uma comédia”, disse Arnett em entrevista à Casual EXAME. “Essa mistura de gêneros funciona porque a vida, sozinha ou a dois, é complicada. Muitos momentos engraçados são seguidos por outros realmente dramáticos, e é isso que faz a vida tão interessante.”
Vale a pena ver no cinema?
O mix de gêneros faz um retrato brutalmente honesto da desconexão dos indivíduos com as próprias essências que tentam, aos tropeços, buscá-las de volta. Na contramão dos dramas de divórcio, em geral repletos de cenas espalhafatosas e diálogos aos berros, o filme toma um caminho mais polido. É tão contido na relação madura entre Tess e Alex que o impacto de um insulto isolado acaba sendo maior do que uma briga convencional.
“Se formos verdadeiros com nós mesmos, isso já é esperançoso, independentemente do resultado. É a vida real”, diz Laura Dern. “Essas questões que temos nos relacionamentos continuam existindo, e abordar isso com autenticidade é um ato muito corajoso para esse filme.”
Ainda que patine no ritmo, por vezes arrastado, com os monólogos de Arnett e a desnecessária presença de Cooper em cena, a atuação da dupla principal dá fôlego à produção e instiga o público a repensar as fronteiras dos relacionamentos.
O filme já está em cartaz nos cinemas brasileiros.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: