Mercado de semicondutores atinge US$ 298 bilhões em vendas

Por Maria Eduarda Cury 6 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Mercado de semicondutores atinge US$ 298 bilhões em vendas

As vendas globais de semicondutores atingiram US$ 298,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026, representando uma alta de 25% em relação ao quarto trimestre de 2025, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pela Semiconductor Industry Association (SIA). Só em março, as vendas chegaram a US$ 99,5 bilhões; os números são um avanço de 79,2% na comparação com março de 2025. Recolhidos pelo World Semiconductor Trade Statistics (WSTS), os dados representam as médias móveis dos 3 primeiros meses do ano.

O crescimento foi amplo a nível geográfico. Na comparação anual de março, todas as regiões registraram alta: Ásia-Pacífico liderou com expansão de 108,5%, seguida pelas Américas com 83,1%, China  com 74,8%, Europa com 46,5% e Japão com 7,4%. "As vendas globais de chips seguem no caminho de atingir US$ 1 trilhão em 2026", afirmou John Neuffer, presidente e CEO da SIA, em nota oficial.

O resultado é coerente com o desempenho recente dos principais elos da cadeia. A TSMC, maior fabricante de chips do mundo, atingiu uma receita recorde de US$ 35,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 35% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado superou a projeção de 1,12 trilhão em dólares taiwaneses e apontou que a demanda por semicondutores para inteligência artificial foi o diferencial. Em março deste ano, a receita da TSMC aumentou 45,2% na comparação anual.

Escassez gera aumento de concorrência fora dos EUA

Por trás dos números está uma reorganização estrutural da cadeia global que vem se aprofundando desde 2025. A produção de memórias como a DRAM tem sido redirecionada para abastecer data centers focados em IA generativa e fabricantes passaram a preferir compras feitas pelas companhias Nvidia, OpenAI e Meta. O efeito colateral é uma pressão de oferta que se espalha por outros segmentos. A SK Hynix chegou a vender toda sua produção anual antes mesmo do início de 2026, e a Micron previu oferta limitada ao longo do mesmo período. É uma época de escassez que, segundo a SMIC, deve prejudicar o calendário de produção de automóveis e eletrônicos.

Em tempo, a China, que aparece como destaque regional nos dados da SIA, também acelera sua autonomia no setor. A SMIC registrou receita de US$ 9,3 bilhões em 2025 e um crescimento de 16% no ano; há expectativa de que a companhia ultrapasse US$ 11 bilhões em 2026. As limitações impostas pelos Estados Unidos ao acesso chinês a tecnologias de destaque impactaram positivamente a ascensão de empresas e iniciativas locais do setor.

O crescimento vertiginoso do mercado, no entanto, convive com desequilíbrios que ainda não foram resolvidos. Em novembro do ano passado, a Samsung aumentou em até 60% os preços de chips de memória DDR5; na época, analistas da TrendForce projetaram que os contratos de fornecimento permaneceriam com crescimento de até 50%. Acordos para 2026 e 2027 já em negociação reforçam que os preços se manterão elevados no médio prazo. Para o mercado de eletrônicos de consumo, a IDC projeta queda de 12,9% nas vendas globais de celulares em 2026 e estima uma recuperação lenta conforme a oferta de semicondutores se estabilize.

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