Miami desbanca NY como segunda moradia de ultrarricos. O brasileiro ajudou
Miami deixou de ser apenas um destino de férias de alto padrão para se tornar um dos mercados imobiliários mais disputados do mundo — e os números mais recentes ajudam a explicar por quê.
Em 2025, Miami superou Nova York e se tornou o principal destino global de segunda residência para indivíduos ultrarricos. No mesmo período, a Flórida passou a concentrar o CEP mais caro dos Estados Unidos, desbancando a Califórnia, segundo dados da ISG World, divulgados com exclusividade pela EXAME.
É nesse contexto que a DaGrosa Capital Development Partners lança o Kempinski Residences Miami Design District, empreendimento residencial de alto padrão que marca a estreia da marca hoteleira europeia Kempinski nos Estados Unidos. O projeto tem VGV (valor geral de vendas) estimado em US$ 730 milhões e será desenvolvido em uma das áreas mais escassas da cidade.
A DaGrosa foi responsável pela captação de recursos, aquisição dos terrenos e desenvolvimento do ativo. A Kempinski entra com a marca e a operação dos serviços de hospitalidade, enquanto a ISG World — corretora de Miami controlada pela própria DaGrosa — liderará as vendas globais.
Embora a maioria dos compradores deva ser americana, o capital que viabilizou o projeto tem forte presença brasileira. A DaGrosa captou recursos junto a single e multi family offices, muitos deles do Brasil, que já haviam investido em empreendimentos anteriores da companhia.
A atuação do sócio executivo brasileiro Antonio Primo e a parceria com a Zabo Engenharia, incorporadora de alto padrão em São Paulo, ajudaram a estruturar a captação e a leitura da demanda desse público.
“Esses grupos passaram a enxergar Miami como um mercado maduro, com profundidade para alocar volumes maiores, seja via equity direto em projetos, seja em estruturas de co-investimento com incorporadores. O imóvel é um investimento que as famílias já conhecem, que oferece boa oportunidade de retorno ao aliar localização e boa execução”, explica Primo.
O Kempinski de Miami segue o modelo de branded residences. O projeto é inteiramente residencial e terá duas torres de 20 andares, com 132 residências privadas, além de seis moradias geminadas e 17 suítes exclusivas para residentes. Não haverá operação hoteleira aberta ao público.
As unidades terão de dois a quatro dormitórios, com áreas internas entre 195 a 288 metros quadrados. Os preços partem de cerca de US$ 3,7 milhões, com ticket médio estimado em US$ 4,5 milhões, posicionando o empreendimento no segmento ultraprime do mercado local.
A arquitetura é assinada pela Arquitectonica, com interiores do Rockwell Group e paisagismo da Enea. A gestão dos serviços e da experiência dos moradores ficará a cargo do grupo Kempinski, a mais antiga empresa independente de hotéis de luxo da Europa, com mais de 150 anos de história.
Para Barbara Muckermann, CEO da Kempinski, a escolha de Miami não foi casual. “A cidade reúne crescimento econômico, projeção global e sofisticação urbana, o cenário ideal para a chegada da marca aos Estados Unidos”, afirma.
Rede de hotéis de luxo Kempinski chega pela primeira vez aos EUA em projeto de US$ 730 milhões (DaGrosa Capital/Divulgação)
Mercado em máxima histórica
Os dados da ISG mostram um mercado aquecido em todos os segmentos do luxo. As vendas de imóveis acima de US$ 30 milhões bateram recorde em 2025, com 54 transações, superando o pico anterior de 37 negócios registrado em 2021.
No chamado super-luxo, acima de US$ 50 milhões, foram 17 vendas no ano — mais que o dobro do antigo recorde.
O volume total de vendas residenciais no sul da Flórida — que inclui os condados de Miami-Dade, Broward e Palm Beach — ultrapassou US$ 62,2 bilhões em 2025, frente a US$ 53,6 bilhões em 2023.
Esse desempenho acompanha um movimento demográfico sem precedentes. A Flórida registrou crescimento populacional recorde, com a chegada média de 1.350 pessoas por dia em 2025, impulsionada por migração interna nos Estados Unidos e por executivos e investidores estrangeiros.
Desde 2020, ao menos 205 empresas transferiram suas operações para o sul da Flórida. Desse total, 62 vieram de Nova York e 22 de fora dos Estados Unidos. Entre os nomes que passaram a marcar presença na região estão instituições financeiras e empresas de tecnologia como Goldman Sachs, Microsoft, Amazon, Blackstone e Citadel.
Outro marco simbólico foi a consolidação da Flórida como o estado com o CEP mais caro dos Estados Unidos, superando a Califórnia em agosto de 2025. No quarto trimestre de 2025, casas em localizações prime e de frente para o mar chegaram a um preço médio de listagem de US$ 36 milhões.
Outro dado que ajuda a desenhar o perfil desse mercado é a forma de pagamento. Cerca de 70% das transações acima de US$ 10,7 mil por metro quadrado foram realizadas à vista, um indicativo claro da predominância de compradores de alta renda e baixa dependência de crédito.
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