Michelin: Brasil inaugura era com restaurantes três estrelas

Por institucional 14 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Michelin: Brasil inaugura era com restaurantes três estrelas

Há anos o Brasil aguarda acrescentar uma terceira estrela do Guia Michelin na porta dos restaurantes. Em 2026, o jejum acabou e duas casas brasileiras foram eleitas como altíssima gastronomia: os chefs Ivan Ralston, do Tuju, e Luiz Filipe Souza, do Evvai, são os primeiros a conquistar três estrelas Michelin na América Latina.

Ambos os restaurantes vinham construindo uma trajetória sólida de excelência com o reconhecimento do guia francês nos últimos anos. No ano passado, estiveram entre os poucos restaurantes da América Latina premiados com duas estrelas, mantidas desde 2024.

Tuju: do fechamento da pandemia às três estrelas

Tuju: cardápio muda quatro vezes ao ano, de acordo com as estações das chuvas (Kato78/Tuju/Divulgação)

Inaugurado em 2014, o Tuju, comandado pelo chef Ivan Ralston e pela sommelière Katherina Cordás, é um ícone da alta gastronomia brasileira em São Paulo. No ano seguinte, recebeu a primeira estrela e em 2026 foi listado no Latin America's 50 Best Restaurants.

A segunda estrela veio em 2018. No ano seguinte, em 2019, figurou no top 100 da La Liste. Ivan foi eleito um dos 100 melhores chefs do mundo. Mas em 2020, a pandemia fez o estabelecimento fechar as portas.

O fechamento (ou interrupção) do Tuju se deve a uma demorada reflexão de Ralston e sua sócia, a nutricionista Marcia Cavalieri. “Não nos permitimos voltar exatamente como antes depois de tudo que o mundo viveu com a pandemia”, diz ela. O restaurante não aderiu ao delivery e diz ter mantido seu quadro de funcionários.

O hiato serviu para repensar os menus e o endereço. Após três anos, a casa retomou as atividades em 2023 no Jardim Paulistano. E com tudo: no ano seguinte, 2024, o restaurante reconquistou as duas estrelas Michelin. Esse ano, entram para a história com a terceira.

Evvaí: a caminhada estrelada

Chef Luiz Filipe Souza, do Evvai (Divulgação)

Também triplamente estrelado, o Evvai nasceu em 2017, lderado pelo jovem chef Luiz Filipe Souza, com uma cozinha que funde influências italianas e brasileiras em pratos criativos e precisos. Formado em Administração, ele largou carreira em banco por paixão à gastronomia, passando por Fasano, Girarrosto e Ristorantino.

Em 2018, foi eleito Chef Revelação; em 2019, ganhou a primeira estrela Michelin, entrou no top 30 da Latin America's 50 Best (atual 20) e foi finalista do Bocuse d'Or. Diferente do Tuju, manteve a estrela em 2020, mesmo na pandemia.

Em 2024, conquistou a segunda e com ela permaneceu. Agora, é alçado à seleta lista dos melhores restaurantes do mundo.

Não é só Luiz que brilha no Evvai. Bianca Mirabili, chef confeiteira, também entrou para a história como a melhor chef confeiteira da América Latina no 50 Best América Latina.

“A confeitaria me interessa quando ela me permite revelar a essência dos ingredientes brasileiros. Cada fruta, mel ou raiz tem uma arquitetura própria. Meu trabalho é entender essa estrutura e transformá-la em textura, temperatura e sensação, sempre sem perder de vista a origem”, disse à EXAME.

Bianca Mirabili. do restaurante Evvai: melhor chef confeiteira da América Latina (Juliana Primon/Divulgação)

Duas estrelas no páreo

Nesta edição, três casas conservaram duas estrelas: D.O.M., comandado por Alex Atala; Lasai, de Rafa Costa e Silva; e Oro, de Felipe Bronze. Não houve novos restaurantes nessa categoria.

Já o total de endereços com uma estrela caiu de 20, em 2025, para 19. O Madame Olympe, do chef Claude Troisgros, foi a única estreia na lista.

Em 2026, passaram a integrar o Bib Gourmand os restaurantes Koral, Jiquitaia, Manioca JK, Ping Yang Thai Bar & Food, Tabôa Cozinha Artesanal e Tanit. Desses, cinco estão localizados em São Paulo e um no Rio de Janeiro.

À frente do restaurante Koral, no Rio, o chef Pedro Coronha foi o vencedor do Prêmio Michelin de Jovem Chef de 2026. Durante o evento, ele destacou a importância do ambiente gastronômico da cidade e do trabalho coletivo.

O Guia Michelin França 2023. (JOEL SAGET/AFP/Getty Images)

Como funciona o Guia Michelin?

Criado em 1900 pela fabricante de pneus francesa Michelin, o Guia Michelin nasceu como uma publicação para motoristas, com mapas, dicas de manutenção e sugestões de onde comer e se hospedar durante viagens. Com o passar do tempo, o guia passou a se destacar pelas recomendações gastronômicas e, a partir de 1926, começou a conceder estrelas a restaurantes — sistema que se tornou um dos selos de excelência mais respeitados do setor.

Segundo a organização do guia, a avaliação dos estabelecimentos estrelados levou em conta a "qualidade dos ingredientes, o domínio das técnicas culinárias, a harmonia dos sabores, a personalidade do chef expressa na cozinha e a consistência, tanto no menu quanto nas visitas regulares".

Esses critérios são aplicados por inspetores internacionais do Guia Michelin, que viajam anonimamente pelos destinos avaliados. A identidade dos inspetores e o momento em que visitam os restaurantes são mantidos em sigilo absoluto — uma medida fundamental para preservar a credibilidade e independência da seleção.

O guia francês concede até três estrelas aos restaurantes — três para cozinha excepcional, duas para excelente e uma para requintada — além do selo Bib Gourmand, destinado a estabelecimentos que se destacam pela boa relação entre qualidade e preço.

Atualmente, o Guia Michelin está presente em dezenas de países e avalia restaurantes com base em critérios como qualidade dos ingredientes, domínio técnico, harmonia dos sabores, personalidade da cozinha e consistência. Os estabelecimentos podem receber até três estrelas, sendo uma para “muito bom na categoria”, duas para “cozinha excelente, que vale o desvio” e três para “cozinha excepcional, que vale a viagem”.

Rio de Janeiro

Novos em São Paulo: Jiquitaia, Manioca JK, Ping Yang Thai Bar & Food, Tabôa Cozinha Artesanal e Tanit.

100 Melhores Restaurantes do Brasil

No final de abril do ano passado, a Casual EXAME revelou a lista dos 100 Melhores Restaurantes do Brasil. O Origem, de Salvador, ficou no topo — a primeira vez que um restaurante fora do eixo Rio-São Paulo conquista o primeiro lugar do ranking. Em segundo lugar está o Lasai, do Rio de Janeiro, que liderou a lista no ano passado, seguido pelo curitibano Manu. O Tuju, de São Paulo, ocupa a quarta posição.

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