Modelo plus size chama caneta emagrecedora de ‘tapa na cara’
Ashley Graham, uma das modelos plus size mais influentes do mundo, criticou o uso crescente de medicamentos para emagrecimento e classificou a tendência como um retrocesso para a diversidade corporal. Em entrevista à revista Marie Claire dos Estados Unidos, a americana afirmou que a popularização de remédios como Ozempic e Mounjaro representa “um tapa na cara” das mulheres que passaram anos lutando por mais representatividade.
Retrocesso na diversidade de corpos
Para Graham, a ascensão das chamadas “canetas emagrecedoras” e o retorno de corpos ultramagros às passarelas mostram uma mudança de direção na indústria da moda. Segundo a modelo, houve um momento em que o discurso de aceitação corporal parecia avançar de forma concreta, com mais espaço para diferentes tipos de corpos, mas esse movimento agora estaria perdendo força.
“É realmente desanimador”, disse a modelo ao comentar o atual cenário. Na avaliação dela, o mercado voltou a priorizar padrões antigos de magreza, o que enfraquece a visibilidade conquistada por mulheres fora do padrão tradicional da moda.
Ashley, no entanto, não acredita que o avanço desses medicamentos vá apagar a presença de mulheres plus size na indústria. Para ela, o uso de GLP-1, classe de remédios inicialmente destinada ao tratamento de diabetes e hoje amplamente usada para perda de peso, é uma tendência do momento, mas não suficiente para eliminar a demanda por representatividade.
Internet é peça-chave para dar voz à diversidade
A modelo também destacou que a internet ajudou a ampliar o alcance de vozes antes ignoradas pela moda tradicional. Segundo ela, influenciadoras plus size e criadoras de conteúdo têm papel central em manter vivo o debate sobre autoestima, imagem corporal e aceitação, principalmente entre mulheres mais jovens.
Além de comentar o cenário da indústria, Graham também falou sobre a própria relação com o corpo após a maternidade. Mãe de três filhos, ela afirmou que ainda está aprendendo a lidar com as mudanças físicas e emocionais provocadas pelas gestações, e que sua relação com a autoimagem hoje passa menos pela estética e mais por aceitação e adaptação.
Um dos nomes mais importantes do movimento body positive na moda, Ashley Graham se tornou símbolo de ruptura em um mercado historicamente marcado pela exclusão de corpos fora do padrão. Sua crítica ao uso indiscriminado de medicamentos para emagrecer reforça o debate sobre até que ponto a indústria realmente avançou em diversidade ou apenas mudou temporariamente de discurso.
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