Nos bastidores da Pfizer: quem é o brasileiro que calcula o custo de um remédio antes dele existir
Quando a pandemia de Covid-19 transformou a Pfizer em um dos nomes mais repetidos do noticiário global, o trabalho de milhares de profissionais dentro da companhia ganhou uma dimensão histórica – tanto dos cientistas, que corriam contra o tempo para desenvolver vacinas e medicamentos, mas também dos funcionários que estavam nos bastidores dessa operação.
Foi o caso do executivo Plínio Soleo, que lidera a controladoria da farmacêutica no Brasil e em mais oito países de mercados emergentes. Com quase três décadas de carreira em contabilidade de custos (sendo quase 17 anos na Pfizer), Soleo construiu uma trajetória em uma área muitas vezes invisível para o público, mas essencial para a indústria funcionar.
Hoje, grande parte do trabalho de Soleo está ligada à gestão de custos, controladoria e à definição da estratégia industrial de novos medicamentos para os países de mercados emergentes. “Minha equipe calcula todos esses cenários para identificar qual é a alternativa mais eficiente do ponto de vista de custo e localização”, explica. “Nosso trabalho é garantir que o produto chegue ao nosso mercado com o custo correto e que a operação seja sustentável.”
Da contabilidade ao mundo corporativo
A carreira de Soleo em finanças começou quase por acaso. Ainda estudante, conseguiu um estágio na Johnson & Johnson. O que seria apenas uma experiência inicial acabou se transformando em uma vocação.
“Eu comecei na contabilidade de Custos e nunca mais saí da área. Foi uma oportunidade que apareceu e eu me apaixonei pela profissão”, afirma.
Ao contrário de muitos executivos que transitam entre diferentes funções corporativas, ele seguiu um caminho de especialização. Ao longo de três décadas, aprofundou sua atuação em controladoria e análise financeira.
Mas a trajetória também foi marcada por decisões estratégicas de carreira. Em determinado momento, ele percebeu que as oportunidades de crescimento na empresa eram limitadas. “Eu olhei ao redor e vi que todos estavam na mesma função havia 15 ou 20 anos. Percebi que, para crescer, eu precisaria mudar.”
A mudança veio com a ida para a Monsanto, multinacional americana de biotecnologia, que foi adquirida pela Bayer em 2018. Lá, o executivo teve contato com projetos globais e começou a assumir posições de liderança. “Foi na Monsanto que eu aprendi a liderar pessoas e processos”, revela.
Uma carreira em meio às transformações da Pfizer
Quando chegou à Pfizer, há quase 17 anos, Soleo encontrou uma empresa em constante transformação. “É uma avalanche de acontecimentos. Sempre tem alguma mudança, novas oportunidades ou uma reorganização acontecendo.”
Durante a pandemia, a dimensão desse dinamismo ficou ainda mais evidente. Internamente, a empresa redirecionou recursos e equipes para acelerar o desenvolvimento de soluções contra a Covid-19.
“Foi um misto de esperança e orgulho de fazer parte de uma empresa que estava tentando encontrar uma solução para a maior pandemia da nossa geração”, revela Soleo.
Mesmo com a emergência sanitária, a operação da empresa não parou. “Não podia faltar remédio no mercado. Existem medicamentos que salvam vidas e que não podem parar de ser fabricados.”
A volta à sala de aula
Depois de quase duas décadas longe da educação formal, Soleo decidiu voltar à sala de aula. A motivação era ampliar a visão para além da controladoria.
Por isso, ingressou no programa de Finanças Estratégicas para C-Level e Conselheiros da Saint Paul Escola de Negócios. “Eu queria me reconectar com outras áreas de finanças que não fazem parte do meu dia a dia”, afirma.
Para o executivo, a experiência trouxe dois ganhos principais: atualização técnica e troca com outros profissionais experientes. “A sala de aula tem executivos de várias áreas: saúde, construção, startups. A discussão fica muito rica porque sempre tem alguém vivendo aquele problema no dia a dia.”
O próximo passo
Recentemente promovido a uma nova função dentro da Pfizer, Soleo agora lidera a controladoria para mercados emergentes, que incluem duas fábricas na China e outras unidades industriais na Índia, Arábia Saudita, México, Argentina, Marrocos, Indonésia e Brasil. O objetivo imediato é consolidar esse novo escopo de trabalho. “Meu desafio agora é dominar essa nova função e entender profundamente as fábricas que comecei a liderar.”
Ao mesmo tempo, ele continua olhando para a própria evolução profissional. A ideia é seguir ampliando conhecimentos e explorar novas áreas dentro de finanças. “Quero continuar aprendendo. Ainda tenho muitos anos de carreira pela frente.”
Entre os planos para o futuro está até mesmo uma formação voltada a conselhos de administração — uma possibilidade comum entre executivos mais experientes. Mas, independentemente do próximo passo, uma coisa permanece constante na trajetória que começou há mais de 30 anos.
“Eu tive a sorte de trabalhar com pessoas muito boas ao longo da carreira. No fim das contas, são elas que fazem a diferença.”
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