Nova droga ‘invisível’ preocupa: opioide pode ser 10x mais forte que fentanil

Por Vanessa Loiola 5 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Nova droga ‘invisível’ preocupa: opioide pode ser 10x mais forte que fentanil

O surgimento de uma nova classe de opioides sintéticos altamente potentes tem acendido um alerta nos Estados Unidos. Conhecidas como “órfinas”, essas substâncias podem ser até 10 vezes mais fortes que o fentanil e já foram detectadas em pelo menos 14 estados do país, principalmente no Sul e no Centro-Oeste.

Segundo autoridades de saúde e segurança, o avanço dessas drogas preocupa não apenas pela potência, mas também pela dificuldade de detecção em exames toxicológicos tradicionais, o que aumenta o risco de overdoses fatais. As informações são do The New York Times.

O que são as 'órfinas'?

As órfinas são opioides sintéticos desenvolvidos na década de 1960 pelo farmacologista belga Paul Janssen, durante pesquisas por analgésicos mais rápidos para uso médico. Apesar do potencial inicial, os estudos foram abandonados após a identificação de efeitos colaterais graves, como depressão respiratória intensa e alto risco de dependência.

Atualmente, essas substâncias ressurgem no mercado ilegal com níveis extremos de potência — capazes de provocar morte com doses mínimas.

Por que essas drogas são mais perigosas?

Especialistas apontam que as órfinas podem agir de forma ainda mais rápida que o fentanil, levando à perda de consciência e parada respiratória em poucos minutos. Em alguns casos, sinais clássicos de overdose nem chegam a aparecer, o que dificulta a identificação e o socorro imediato.

Outro fator de risco é a necessidade de múltiplas doses de naloxona — medicamento usado para reverter overdoses — para tentar salvar a vítima.

Como as órfinas chegaram às ruas?

O avanço dessas substâncias está ligado ao endurecimento global contra análogos do fentanil. Em resposta às restrições, químicos ilegais passaram a buscar alternativas menos reguladas.

Há indícios de que pesquisas científicas antigas tenham servido de base para a recriação dessas drogas. Um artigo publicado no Journal of Medicinal Chemistry, em 2018, já alertava para os riscos desses compostos, destacando seu alto potencial viciante e os efeitos graves sobre a respiração. Especialistas avaliam que esse tipo de literatura pode ter sido usado como referência por fabricantes ilegais.

Um dos primeiros registros modernos ocorreu na Europa, em 2019, com a identificação de compostos semelhantes. Mais recentemente, após a repressão a outras drogas sintéticas, como os nitazenos, as órfinas passaram a ganhar espaço no mercado ilegal.

Como são vendidas

As órfinas costumam aparecer em comprimidos falsificados ou em pó, muitas vezes misturadas a outras substâncias, como fentanil ou até estimulantes. Esse cenário aumenta o risco, já que usuários podem consumir a droga sem saber que ela está adulterada.

Casos recentes indicam que algumas overdoses ocorreram sem a presença de outras drogas detectáveis, levantando a suspeita de uso isolado dessas substâncias.

Autoridades de saúde pública avaliam que a disseminação das órfinas pode representar uma nova fase da crise de opioides. Além da alta potência, a dificuldade de identificação laboratorial e a rápida proliferação tornam o monitoramento mais complexo.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: