Novo barco movido a hidrogênio verde pode produzir seu próprio combustível

Por Letícia Ozório 28 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Novo barco movido a hidrogênio verde pode produzir seu próprio combustível

Um novo barco desenvolvido no Brasil é capaz de produzir o hidrogênio verde usado no seu abastecimento.

O trabalho é fruto de uma parceria entre o Grupo Náutica, companhia especializada em negócios náuticos, e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT), que vai validar tecnicamente o sistema de produção de hidrogênio a bordo da embarcação JAQ H2.

O barco de 50 metros está em construção no Guarujá (SP) e tem lançamento previsto para 2027.

A parceria foi formalizada neste mês e marca o início da terceira fase do programa JAQ Hidrogênio Verde. O IPT, instituição pública com 125 anos de atuação em ciência aplicada e inovação, assume a validação técnica do sistema de eletrólise do barco.

Como vai funcionar?

O trabalho do instituto inclui o desenho do sistema de produção de hidrogênio a bordo, a integração com os sistemas elétricos da embarcação e a avaliação do eletrolisador em condições reais de navegação.

Também fazem parte do escopo os estudos de viabilidade técnica, os testes de desempenho em operação, as análises de segurança para armazenamento e uso do hidrogênio e os ensaios que podem subsidiar processos de certificação naval e energética.

A JAQ H2 é a primeira embarcação do mundo projetada para produzir o próprio hidrogênio a bordo, o que garante autonomia energética para navegações de longo curso.

O projeto JAQ Hidrogênio Verde já havia lançado anteriormente o JAQ H1 na COP30, uma embarcação de 36 metros com motorização híbrida capaz de reduzir em 80% as emissões de CO2 e com toda a hotelaria movida a hidrogênio verde. Em abril, o H1 inicia um tour técnico partindo de Belém (PA) em direção ao Sudeste para validar a operação da tecnologia alemã de propulsão.

Parcerias estratégicas

Além do IPT, o projeto conta com outros parceiros. A fabricante global GWM participa da etapa de maturação do novo barco. O Porto do Açu (RJ) oferece apoio logístico para os testes em condições reais e para expedições científicas pelo litoral brasileiro. O SENAI Pernambuco também integra a rede de cooperação.

Ernani Paciornik, presidente do Grupo Náutica e idealizador do projeto, afirma que ao articular um centro de pesquisa tecnológica como o IPT e portos estratégicos para a cadeia do hidrogênio, como o Açu, o projeto integra desenvolvimento tecnológico, produção e abastecimento de hidrogênio, operação logística e aplicação científica em campo.

"Isso permite avançar de um protótipo para um modelo operacional completo, replicável e comercialmente viável, capaz de produzir hidrogênio a bordo, se abastecer em hubs estratégicos e realizar expedições científicas com duas embarcações simultaneamente", explica.

Como é obtido o hidrogênio verde?

O hidrogênio verde é produzido por eletrólise da água. O processo usa eletricidade para separar a molécula de H₂O em hidrogênio (H₂) e oxigênio (O₂) dentro de um equipamento chamado eletrolisador.

O hidrogênio só é considerado “verde” quando a eletricidade utilizada vem de fontes renováveis, como solar ou eólica, o que garante que não haja emissão direta de CO₂ na produção.

Existem diferentes tipos de eletrolisadores, como os alcalinos e os PEM, usados conforme a aplicação e a escala. O custo e a escala ainda são desafios para o processo.

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