OMS confirma cepa rara de vírus mortal com transmissão entre humanos em cruzeiro
O hantavírus responsável por três mortes em um cruzeiro no Oceano Atlântico foi identificado como pertencente à cepa Andes, a única com transmissão entre humanos já documentada, segundo confirmação de um laboratório que colabora com a Organização Mundial da Saúde.
A identificação foi feita a partir de uma amostra coletada via PCR de um passageiro do navio MV Hondius, de acordo com o Centro de Doenças Virais Emergentes dos Hospitais Universitários de Genebra (HUG).
A informação foi repassada às autoridades de saúde da Suíça e à Organização Mundial da Saúde.
Casos começaram no início de abril
O cruzeiro partiu da Argentina e registrou os primeiros casos no início de abril. Um passageiro holandês apresentou sintomas e morreu no dia 11.
Sua esposa, que também desenvolveu sintomas, desembarcou na ilha de Santa Helena e seguiu para Joanesburgo, onde morreu no dia seguinte.
Uma terceira vítima, uma cidadã alemã, morreu em 2 de maio após apresentar sinais de pneumonia.
O governo da Espanha indicou a ilha de Tenerife, nas Ilhas Canárias, para receber passageiros e tripulação do navio, que permanece próximo à costa de Cabo Verde sem autorização para atracar.
A proposta, no entanto, enfrenta resistência de autoridades regionais das Canárias, que citam preocupações de segurança.
Evacuação de pacientes em andamento
O governo da Holanda informou que prepara a evacuação de três passageiros em estado grave, com apoio à operadora do cruzeiro, a Oceanwide Expeditions.
Autoridades de Cabo Verde confirmaram a chegada de uma aeronave médica ao país para realizar o transporte dos doentes, já que o navio não recebeu permissão para atracar em portos locais.
O caso amplia a preocupação internacional por envolver uma variante rara do vírus e levanta dúvidas sobre o controle da transmissão em ambientes confinados, como embarcações.
O que é o hantavírus
O hantavírus é um grupo de vírus transmitidos principalmente por roedores selvagens infectados, como ratos e camundongos, que eliminam o vírus por meio de saliva, urina e fezes.
A infecção humana pode ocorrer ao inalar partículas contaminadas, ao entrar em contato com esses animais ou, em casos raros, por mordidas.
O vírus recebeu esse nome a partir do rio Hantan, na Coreia do Sul, onde foi identificado durante a Guerra da Coreia.
Segundo autoridades de saúde, a transmissão entre pessoas é extremamente incomum e foi registrada apenas em um tipo específico do vírus.
Ainda assim, o contexto do cruzeiro levanta preocupações por envolver um ambiente fechado e circulação internacional de passageiros.
A OMS afirma que infecções por hantavírus são raras e, em geral, não se espalham facilmente entre humanos.
Sintomas e evolução da doença
Os primeiros sintomas costumam se assemelhar aos de uma gripe, com febre, dor de cabeça e dores musculares. Em alguns casos, há relatos de sintomas gastrointestinais, como os observados nos passageiros do navio.
Com a progressão, a doença pode evoluir para quadros mais graves, incluindo dificuldade respiratória, comprometimento cardíaco ou disfunção renal, dependendo da variante do vírus.
Existem duas formas principais associadas à infecção: a febre hemorrágica com síndrome renal, mais comum na Europa e na Ásia, e a síndrome pulmonar por hantavírus, predominante nas Américas.
O diagnóstico é feito por exames laboratoriais que identificam anticorpos específicos. Não há vacina nem tratamento antiviral específico para o hantavírus, e o atendimento é baseado no suporte clínico.
A taxa de mortalidade pode variar conforme a variante do vírus, chegando a cerca de 15% dos casos, segundo autoridades de saúde.
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