Plataformas do mercado de previsões dos EUA podem ser avaliadas em US$ 20 bi

Por Caroline Oliveira 10 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Plataformas do mercado de previsões dos EUA podem ser avaliadas em US$ 20 bi

As duas principais plataformas globais de mercados de previsão, Kalshi e Polymarket, discutem novas rodadas de captação que podem avaliá-las em cerca de US$ 20 bilhões cada, praticamente o dobro do valuation do fim do ano passado. O avanço é impulsionado pelo frenesi de apostas em eventos políticos e esportivos. As conversas ainda são preliminares, sem garantia de que as transações saiam ou de que cheguem esse patamar de valuation, conforme noticiou o Wall Street Journal.

O crescimento rápido trouxe também maior escrutínio regulatório. Kalshi e Polymarket foram criticadas por permitir apostas em temas sensíveis, como um possível ataque dos EUA ao Irã ou a queda do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. Parlamentares americanos já apresentaram projetos de lei para limitar contratos desse tipo, especialmente em tópicos como guerra e esportes, e as plataformas são alvo de questionamentos sobre a abordagem agressiva na aquisição de usuários, em especial entre universitários.

No Brasil, a XP fechou uma parceria com a Kalshi para que a plataforma ofereça contratos preditivos do tipo "sim" ou "não" relacionados à economia brasileira, como inflação e juros, para clientes da Clear Corretora, uma das marcas da XP, com conta internacional.

O contrato com a XP é um dos primeiros movimentos da Kalshi em sua expansão internacional. No ano passado, a empresa anunciou que pretendia alcançar mais de 140 países.

A Kalshi, fundada em 2018 por Tarek Mansour e pela brasileira Luana Lopes Lara, já opera de forma regulada nos Estados Unidos e ajudou a impulsionar uma nova onda de apostas em esportes, política, economia e cultura pop. A empresa foi avaliada em dezembro de 2025 em cerca de US$ 11 bilhões, após levantar US$ 1 bilhão em rodada liderada por investidores como Paradigm e Sequoia Capital. Apenas em novembro do ano passado, a empresa movimentou US$ 5,8 bilhões em negociações, segundo o site especializado The Block,  um crescimento de 32% em relação a outubro, puxado principalmente pelas apostas esportivas.

Em entrevista à Exame, a cofundadora da Kalshi, Luana Lopes, explicou o modelo de negócio. "A Kalshi funciona como uma bolsa de valores, onde as pessoas compram e vendem com base em sua previsão do futuro. O que é importante entender é que a Kalshi não está apostando contra você, ela apenas cria o mercado onde você pode negociar com outros usuários. O preço desses contratos varia com o tempo, conforme novas informações surgem e as previsões vão mudando, e você pode tirar sua negociação quando quiser", definiu Lopes.

A Polymarket, fundada em 2020 por Shayne Coplan, opera hoje principalmente fora do mercado americano. A plataforma não aceita usuários dos Estados Unidos em sua versão global e usa ferramentas de geobloqueio, enquanto prepara um aplicativo regulado para o mercado doméstico. Em outubro de 2025, a empresa foi avaliada em cerca de US$ 9 bilhões, após o grupo Intercontinental Exchange, dono da Bolsa de Nova York, concordar em investir até US$ 2 bilhões, segundo dados da PitchBook.

O funcionamento é semelhante ao da concorrente: usuários podem “apostar” no resultado de eventos futuros em uma ampla variedade de temas e obter probabilidades em tempo real sobre assuntos específicos. A empresa usa a tecnologia blockchain para registrar e liquidar as apostas e precificar os contratos. Com essa tecnologia, permite que qualquer usuário crie mercados sobre possíveis eventos, com probabilidades associadas. As chances da aposta se concretizar são convertidas em um valor, no caso em centavos.

O salto de valuation buscado por Kalshi e Polymarket sugere que grandes investidores veem nesse nicho uma possível nova vertical do mercado financeiro, ainda que o avanço de regras mais rígidas possa impor limites a esse modelo nos próximos anos.

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