Dólar volta a subir e fecha em R$ 5,28, maior valor em seis semanas
O dólar à vista voltou a subir frente ao real nesta quinta-feira, 5, em meio ao aumento da aversão ao risco nos mercados globais. A moeda americana encerrou o dia em alta de 1,32%, cotada a R$ 5,287, após ter fechado a sessão anterior com queda de 0,89%, a R$ 5,21.
O patamar desta quinta é o mais elevado desde 21 de janeiro, quando o dólar terminou o dia a R$ 5,3201.
O movimento de valorização da divisa americana foi observado globalmente. No índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, avançava 0,50% por volta das 17h, aos 99,30 pontos.
Segundo operadores de mercado, a moeda americana ganhou força em um ambiente de maior busca por proteção, impulsionado pela escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
"A intensificação do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã elevou a busca por proteção, impulsionando a moeda americana, movimento que também se refletiu na valorização global do dólar, com o índice DXY em alta", afirmou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
De acordo com Shahini, o avanço expressivo dos preços do petróleo no mercado internacional também contribuiu para o aumento da cautela entre investidores. O barril do Brent crude oil subiu cerca de 5%, para US$ 85,50, enquanto o West Texas Intermediate, referência nos Estados Unidos, avançou quase 9%, para US$ 81,14.
A disparada do petróleo elevou as preocupações com possíveis pressões inflacionárias globais, sobretudo diante dos riscos envolvendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo.
"Esse cenário também se traduziu em maior volatilidade nos mercados, com o CBOE Volatility Index voltando a operar acima de 22 pontos. Em síntese, o receio da transmissão de um ‘choque geopolítico’ para um ‘macroeconômico’, com maiores implicações para inflação e crescimento mundial, vem sendo incorporado nas expectativas de mercado, refletindo diretamente no comportamento dos ativos de risco", afirmou o especialista da Nomad.
Na véspera, declarações de Trump e do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, que afirmou à CNBC que Washington "anunciará uma série de medidas" para dar suporte ao comércio de petróleo no Golfo Pérsico, deram suporte para a recuperação dos ativos.
Além, havia relatos de que o Teerã havia feito contato indireto com os EUA para negociar o fim do conflito. A notícia foi negada por autoridades iranianas na noite desta terça e, hoje, pesou também sobre os investidores o temor de que o conflito se prolongue.
"O dólar avançando é a proteção, é o famoso flight to quality. Os investidores estão saindo de mercado emergente, retirando dinheiro daqui e indo para mercados mais seguros, porque a ideia de uma guerra maior está bem presente entre os investidores", afirmou Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.
O que é o dólar à vista
O dólar à vista é o valor negociado no mercado de câmbio para liquidação imediata, geralmente em até dois dias úteis. Esse tipo de câmbio é bastante utilizado em operações de curto prazo feitas por empresas e instituições financeiras.
A cotação do dólar à vista reflete o valor real de mercado no momento da transação, oferecendo transparência para quem precisa fechar negócios com rapidez.
O que é o dólar futuro
O dólar futuro corresponde a contratos de compra e venda da moeda para liquidação em uma data futura. Essa modalidade é negociada na Bolsa de Valores e ajuda empresas e investidores a se protegerem da volatilidade cambial.
Sua cotação varia conforme as expectativas do mercado em relação à economia, podendo se distanciar bastante do dólar à vista em momentos de incerteza.
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