Sistema elétrico da China entra em nova fase com avanço das fontes limpas

Por Rafael Kelman 6 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Sistema elétrico da China entra em nova fase com avanço das fontes limpas

Pela primeira vez na história a capacidade combinada de energia solar e eólica superou a do carvão na matriz elétrica da China, segundo dados divulgados pela Administração Nacional de Energia (NEA) compilados pelo portal Carbon Brief em sua publicação "China Briefing" de fevereiro deste ano.

Em 2025, a capacidade total de geração de energia elétrica da China alcançou 3.890 gigawatts (GW). Desse total, a energia solar cresceu impressionantes 35%, atingindo 1200 GW, enquanto a capacidade eólica subiu 23%, chegando a 640 GW. Em contrapartida, a capacidade térmica – predominantemente baseada em carvão – cresceu 6%, chegando a cerca de 1.500 GW. As projeções para 2026 do Conselho de Eletricidade da China (CEC) indicam que usinas renováveis e nucleares poderão representar 63% de toda a matriz elétrica do país neste ano, com a participação do carvão encolhendo para 31%.

Além dos benefícios ambientais, a capacidade de escalar tecnologias de geração renovável, o armazenamento de energia por baterias e usinas reversíveis (que neste ano atingiram 213 GW de capacidade, com armazenamento médio de 2,5 horas), os veículos elétricos, as linhas de transmissão e o hidrogênio verde têm formado um eixo estratégico de desenvolvimento da economia chinesa. Elas impulsionaram mais de 90% do aumento nos investimentos e mais da metade do crescimento de todo o PIB do país.

Esses setores contribuíram com um valor recorde para a economia chinesa, que superou US$ 2 trilhões, o equivalente a 11,4% do PIB do país. A análise do Carbon Brief revela que, sem esse avanço, a economia chinesa teria crescido apenas 3,5% em vez dos 5% reportados oficialmente. Os veículos elétricos e baterias foram os grandes protagonistas de 2025, entregando 44% do impacto econômico e mais da metade do crescimento dentro das indústrias limpas.

Consumo de carvão também avança

Apesar da ótima notícia, é preciso interpretar o resultado com alguma cautela: o consumo de carvão no setor de energia segue crescendo na China, apenas a sua proporção na matriz energética se mostra em queda. A expectativa é que uma trajetória descendente de consumo só comece em 2028. Também existem incertezas sobre a sustentabilidade desse crescimento, considerando o excesso de capacidade industrial local e as tensões comerciais internacionais.

Ainda assim, os investimentos representam uma aposta gigantesca da China na transição energética global como vetor para desenvolvimento de sua economia. O avanço chinês também reverbera na diplomacia global. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, e o presidente da China, Xi Jinping, comprometeram-se recentemente em Pequim a aprofundar a cooperação em energia verde e a estabelecer uma parceria de alto nível para o clima e a natureza. Em um cenário geopolítico em que os Estados Unidos se retiraram do Acordo de Paris, a chancelaria chinesa reforça sua presença global como um “Electrostate” provedor de soluções alinhadas à agenda climática.

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