SoftBank supera Toyota e vira a empresa mais valiosa do Japão
A corrida global pela inteligência artificial (IA) acaba de provocar uma mudança histórica no mercado acionário japonês. O SoftBank ultrapassou a Toyota e se tornou a empresa mais valiosa do Japão em valor de mercado, encerrando uma liderança de mais de duas décadas da montadora.
As ações dispararam 14% na bolsa de Tóquio nesta segunda-feira, 1º, alcançando uma máxima histórica após o anúncio de um investimento de até US$ 87 bilhões em infraestrutura de IA na França.
O seu valuation superou ¥ 48 trilhões (cerca de US$ 300 milhões), acima dos cerca de ¥ 46 trilhões (US$ 288 milhões aproximadamente) da Toyota.
O movimento amplia uma tendência que vem marcando os mercados globais em 2026. Enquanto empresas expostas à cadeia de inteligência artificial acumulam fortes valorizações, setores mais tradicionais enfrentam um cenário mais desafiador diante das incertezas econômicas e geopolíticas.
Desde o início do ano, as ações do SoftBank acumulam alta superior a 85%, chegando a ultrapassar 90% de valorização de acordo com a Bloomberg. Enquanto isso, os papéis da Toyota seguem o caminho oposto e registram queda de mais de 10% no período.
A força da IA
A ascensão do SoftBank reflete sua crescente exposição ao ecossistema global de IA.
O conglomerado japonês ampliou suas apostas na OpenAI, dona do ChatGPT, e comprometeu cerca de US$ 65 bilhões na empresa, participação que deverá representar algo próximo de 13% do capital da companhia até outubro.
Investidores também acompanham de perto os planos de abertura de capital da OpenAI nos Estados Unidos, além das perspectivas de listagem da SB Energy, outra empresa do portfólio do grupo.
A valorização da Arm, subsidiária de design de chips controlada pelo SoftBank, também tem contribuído para sustentar o entusiasmo.
Nos últimos meses, preocupações sobre a crescente concorrência enfrentada pela OpenAI, incluindo rivais como Google, Anthropic e xAI, haviam reduzido o apetite nos papéis, mas o cenário mudou à medida que as expectativas sobre a expansão da demanda por IA voltaram a ganhar força.
"Esse evento histórico simboliza o boom da inteligência artificial", relatou o chefe de pesquisa da Phillip Securities Japan, Kazuhiro Sasaki, à Bloomberg. Para ele, a expectativa em torno de grandes ofertas públicas nos EUA está provocando uma realocação significativa de capital entre os investidores.
Toyota perde espaço
A troca de posições também evidencia as dificuldades enfrentadas pela indústria automotiva global.
A Toyota continua sendo uma das maiores fabricantes de veículos do mundo, mas lida com um ambiente menos favorável para o setor.
A alta dos preços do petróleo, impulsionada pelas tensões envolvendo o conflito com o Irã, elevou os custos de operação dos veículos e aumentou as preocupações sobre a demanda global por automóveis.
Paralelamente, as montadoras seguem enfrentando os elevados investimentos necessários para a transição rumo a veículos elétricos.
Estrategista global de mercados da Invesco Asset Management Japan, Tomo Kinoshita vê que o contraste entre as duas companhias reflete a mudança de preferência dos investidores.
"A longo prazo, é provável que as empresas relacionadas à IA alcancem valuations mais altos."
Ele detalhou à Bloomberg que o SoftBank concentrou seus recursos em negócios ligados à IA e conseguiu capturar o rali global das empresas de tecnologia, enquanto a Toyota foi pressionada pelo cenário macroeconômico e pelos desafios estruturais do setor automotivo.
Otimismo na Ásia
A valorização das empresas ligadas à IA tem impulsionado todo o mercado acionário japonês. O índice Nikkei 225 ultrapassou pela primeira vez os 67 mil pontos e acumula ganhos próximos de 30% em 2026.
Analistas da Nomura projetam, segundo o Financial Times, que o indicador pode atingir 68 mil pontos até o fim deste ano e avançar para 70 mil pontos em 2027, apoiado, principalmente, pela revisão para cima das projeções de lucro de empresas de IA e semicondutores.
O estrategista-chefe da Astris Advisory, Neil Newman, pontuou que o mercado japonês se tornou uma das principais alternativas para grandes gestores globais que buscam exposição à Ásia. "Esses fundos querem investir na Ásia e, agora, para onde mais eles iriam senão para o Japão?"
"Há algum tempo vínhamos dizendo que, quando os grandes fundos americanos realmente começassem a investir no Japão, haveria rapidamente uma escassez de empresas de grande capitalização para investir e veríamos grandes ganhos para empresas como a SoftBank e outros grandes nomes da tecnologia", disse ao FT.
O entusiasmo também tem atraído investidores estrangeiros para a bolsa de Tóquio. Na semana encerrada em 23 de maio, investidores internacionais compraram ¥ 1,1 trilhão em ações japonesas, marcando a oitava semana consecutiva de fluxo líquido positivo.
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