SP é o estado com melhor desempenho econômico nos últimos 3 anos, diz CLP

Por André Martins 6 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
SP é o estado com melhor desempenho econômico nos últimos 3 anos, diz CLP

São Paulo foi o estado com melhor desempenho econômico do país entre 2023 e 2025, segundo o Ranking de Competitividade dos Estados 2026 – Eleições, do Centro de Liderança Pública (CLP) divulgado nesta quarta-feira, 6.

O levantamento analisa uma série histórica para entender a evolução das gestões estaduais nos últimos três anos e posicionar o debate eleitoral com base em evidências.

A liderança paulista se apoia em resultados em três dos quatro pilares avaliados — infraestrutura, inovação e capital humano.

O estado ficou entre os primeiros colocados nesses indicadores ao longo dos três anos, mantendo uma trajetória estável.

A metodologia desta edição difere do ranking anual tradicional. Para garantir comparabilidade, o CLP considerou apenas indicadores presentes nos três anos analisados e distribuiu pesos de forma equilibrada entre os pilares.

Na sequência de São Paulo, aparecem Santa Catarina e Paraná. Os destaques mostram a concentração de desempenho no eixo Sul-Sudeste.

Segundo Barros, esse recorte revela um padrão histórico: estados dessa região mantêm vantagem estrutural em indicadores econômicos, como ambiente de negócios e qualificação da mão de obra.

Ao mesmo tempo, o estudo traz um segundo recorte: o ritmo de crescimento.

Nesse indicador, o Espírito Santo lidera. O estado avançou do 10º para o 7º lugar, impulsionado por melhorias em potencial de mercado e capital humano.

Segundo Barros, políticas de concessões e parcerias público-privadas (PPPs), acordos entre governo e iniciativa privada para viabilizar investimentos, ajudaram a estruturar esse salto.

Outros estados também ganharam destaque pelo avanço recente, como Paraíba, Sergipe e Piauí. Embora ainda distantes dos líderes em termos absolutos, esses estados apresentaram melhora relevante em relação a si próprios.

Paraíba e Paraná ilustram caminhos distintos

Entre os casos destacados pelo estudo, a Paraíba aparece como exemplo de transformação.

O estado avançou em políticas de atração de investimentos e turismo, com projetos estruturados no litoral, especialmente na região de Cabo Branco.

A estratégia inclui licenciamento ambiental e entrada de capital estrangeiro em empreendimentos como resorts.

Já o Paraná representa um modelo de consolidação. O estado, que já figurava entre os líderes, combina crescimento econômico com políticas ambientais, focando em produtos de maior valor agregado e menos dependência de commodities, bens primários com baixo nível de processamento.

“Quais são as políticas que fazem o Paraná ser o que o governador chama de ‘mercado do mundo’? É olhar menos para commodity e mais para produto industrializado, com maior valor agregado”, disse.

Segundo o CLP, esses exemplos ajudam a cumprir o objetivo central do ranking: servir como base para políticas públicas. “A ideia é mostrar o que deu certo e pode ser replicado”, disse Barros.

Capital humano expõe gargalos estruturais

O pilar de capital humano ajuda a explicar parte dessa desigualdade. O indicador considera variáveis como qualificação da força de trabalho, produtividade, formalidade do emprego, inserção econômica — inclusive de jovens — e níveis de subocupação.

Apesar de avanços pontuais, há uma limitação estrutural. Segundo o CLP, o país ainda enfrenta escassez de mão de obra qualificada em diversos setores, do agronegócio à construção civil. Essa restrição afeta diretamente a capacidade de crescimento econômico dos estados.

Barros conecta esse cenário a debates recentes sobre mercado de trabalho, como a discussão do fim da escala 6x1, modelo de jornada com seis dias de trabalho e um de descanso.

Para ele, mudanças desse tipo exigem uma base mais robusta de trabalhadores qualificados.

“O Brasil não tem capital humano suficiente para sustentar algumas dessas mudanças sem impacto econômico”, disse.

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