'Tesouraço' e privatizações: os sinais de Flávio sobre a economia
Consolidado como nome competitivo nas últimas pesquisas, o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) deu as primeiras sinalizações sobre como seriam os pilares econômicos de um eventual governo.
Em discurso direcionado ao mercado financeiro durante o CEO Conference do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), ele falou em “tesouraço” fiscal, redução de carga tributária, enxugamento da máquina pública e retomada de privatizações.
Flávio buscou se apresentar como um nome mais “centrado” dentro do campo conservador. Disse que pretende vencer a eleição “com o cérebro e não com o fígado” e defendeu diálogo institucional, apesar das críticas ao Judiciário e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Para o senador, “essa eleição não vai ser sobre Lula e Bolsonaro mais”, mas sobre “o caminho da prosperidade”.
Tesouraço fiscal e crítica ao arcabouço
No centro da proposta econômica está o que chamou de “tesouraço”.A medida envolveria corte de gastos públicos, redução de impostos, diminuição de burocracia e enxugamento de cargos comissionados.
“Tem que cortar carga tributária, tem que cortar burocracia, tem que cortar cargos em comissão”, afirmou, ao defender redução de gastos públicos e enxugamento da máquina. Ele evitou detalhar áreas específicas de corte.
“Eu não vou dar detalhes do que eu vou propor”, disse, ao argumentar que mudanças fiscais exigem modelagem técnica.
O senador afirmou que o principal objetivo é devolver “previsibilidade” ao país.
Flávio direcionou críticas ao arcabouço fiscal. Segundo ele, o modelo foi estruturado com base em projeções otimistas de arrecadação e dívida.
Citou a relação dívida/PIB, que, segundo afirmou, teria saído de 76% para 79%, com previsão de chegar a 84% até 2026.
“Eles aumentam a arrecadação para aumentar os gastos”, afirmou.
Ao mesmo tempo, afirmou que manterá programas sociais.
“Não tem nenhum candidato à presidência da República que vai falar em cortar isso”, disse, ao mencionar o Bolsa Família. A diferença, segundo ele, estaria na criação de uma “rampa de saída” para reduzir dependência do Estado.
Privatizar 95%
A parte mais extensa da fala sobre economia foi dedicada às estatais. Flávio disse ser favorável às privatizações e usou uma frase que resume a sua posição: “Não dá para ser tudo, mas vamos privatizar 95%”.
Ele argumentou que muitas empresas públicas se tornam vulneráveis a ciclos políticos e voltam a registrar prejuízos com mudanças de governo.
Segundo ele, déficits bilionários acabam pressionando o Orçamento e reduzem espaço para investimentos em áreas como educação e segurança. O senador citou o caso dos Correios, que precisou recorrer a um empréstimo de R$ 20 bilhões para honrar com seus compromissos.
Ao mesmo tempo, ele defendeu tratamento diferenciado para setores considerados estratégicos. Citou as chamadas terras raras, minerais usados em chips, nanotecnologia e inteligência artificial, e lembrou que o Brasil possui a segunda maior reserva mundial.
Para ele, o país precisa desenvolver capacidade de refino e agregação de valor por meio de parcerias público-privadas, evitando apenas exportar matéria-prima.
A leitura do senador é que o cenário internacional, marcado por disputas geopolíticas e maior protecionismo, exige cautela na venda de ativos ligados a recursos naturais e insumos críticos.
Ministro da Fazenda e equipe econômica
Questionado sobre o futuro ministro da Fazenda, Flávio evitou anunciar nomes e disse que ainda é cedo para definições. Afirmou que não conversou com os economistas especulados publicamente e que não pretende antecipar a escolha.
O senador afirmou que já conversa com especialistas que o ajudam a estruturar um “plano de Brasil”, mas indicou que a definição da equipe ocorrerá em momento mais próximo da campanha. Segundo ele, o perfil buscado é o de alguém capaz de garantir previsibilidade fiscal e ambiente favorável ao investimento privado.
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