UE ameaça sanções a empresas chinesas pela Guerra na Ucrânia e Pequim rebate

Por Paloma Lazzaro 11 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
UE ameaça sanções a empresas chinesas pela Guerra na Ucrânia e Pequim rebate

A União Europeia apresentou propostas para o 21º pacote de sanções contra a Rússia, que inclui medidas contra empresas chinesas acusadas de apoiar o esforço de guerra russo.

O anúncio foi feito pela chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, e provocou reação de Pequim, que advertiu Bruxelas contra o avanço das medidas na quarta-feira, 10.

A China afirma ser parte neutra no conflito ucraniano e nega o envio de assistência letal a qualquer dos lados. Para que as sanções entrem em vigor, precisam ser aprovadas por unanimidade pelos 27 estados-membros da UE.

A ação também envolve o congelamento temporário do teto de preço do petróleo russo e restrições a cerca de 90 bancos.

O que está no pacote

Em série de publicações no X, Kallas descreveu o escopo do pacote como o "maior conjunto de listagens em mais de dois anos", com mais de 170 propostas. O conjunto de medidas atinge bancos, fabricantes de armas, refinarias, operadores de criptoativos e negociantes de petróleo em países terceiros.

No setor financeiro, a UE pretende impor congelamento de ativos a quase 90 bancos e novas proibições de transações a mais de 30 instituições na Rússia e em outros países.

O bloco também ampliará a proibição de serviços de criptoativos, acrescentará novas designações e vedará transações em 11 plataformas de criptomoedas.

Na área de energia, o pacote prevê o congelamento temporário do teto de preço do petróleo russo — atualmente em vigor, mas com prazo de expiração em julho — e novas restrições à revenda de navios-tanque de gás natural liquefeito (GNL) para a Rússia.

A "frota-fantasma russa" também é alvo e 30 novas embarcações serão sancionadas. Qualquer navio que abasteça ou reabasteça navios já incluídos na lista ficará automaticamente exposto a sanções. Dois portos e quatro aeroportos russos enfrentarão proibições de transações.

O complexo militar-industrial russo é atacado por meio de mais de 30 designações no setor de fabricação de drones e novas medidas de controle de exportações sobre 50 empresas, entre elas, entidades sediadas na China, Turquia, Quirguistão, Cazaquistão, Emirados Árabes Unidos e Índia.

Também serão restritas exportações de níquel, ligas metálicas e materiais de alta performance, além de peças automotivas, minérios de metais preciosos e produtos químicos.

Por fim, o pacote introduz proibição abrangente de visto para ex-combatentes das forças armadas russas e de grupos paramilitares a elas associados.

Além do 21º pacote, um conjunto menor de medidas deve ser aprovado já na reunião de ministros de relações exteriores dos 27 países-membros em Luxemburgo, marcada para 15 de junho.

Empresas chinesas na mira

O serviço de política externa da UE defende a sanção de empresas chinesas que, segundo documentos obtidos pelo site Politico, prestam assistência à Rússia de diferentes formas: apoio à frota-fantasma russa, fornecimento de produtos químicos para uso militar e entrega de componentes utilizados na fabricação de drones de ataque.

Ao todo, autoridades da UE indicaram à agência AFP que o pacote inclui 14 companhias da China continental e de Hong Kong proibidas de adquirir produtos europeus.

A tecnologia de drones é um ponto particularmente sensível. Empresas chinesas dominam o mercado global de drones civis, mas a dupla utilização de alguns produtos — civil e militar — dificulta a fiscalização dos controles de exportação.

O bloco já havia adotado medidas contra empresas chinesas em rodadas anteriores de sanções, e o novo pacote reforça essa estratégia de pressionar os chamados "habilitadores" do esforço de guerra russo.

Reação da China

Pequim reagiu com firmeza. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, afirmou que a China "sempre se opôs firmemente a sanções unilaterais que carecem de fundamento no direito internacional" e que o país acompanhará os desdobramentos de perto, reservando-se o direito de "tomar as medidas necessárias para salvaguardar seus direitos e interesses legítimos".

Lin acrescentou que Pequim já encaminhou "representações sérias" à UE em diversas ocasiões, pedindo que o bloco "corrija suas práticas equivocadas".

As tensões entre Bruxelas e Pequim chegam num momento delicado. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, busca apoio dos países-membros para um amplo endurecimento das regras contra importações chinesas subsidiadas, e a China já sinalizou que adotará "contramedidas resolutas" caso novas restrições comerciais sejam impostas.

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