Vorcaro deixa cela especial e será transferido para cela comum após dois meses preso na PF
O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, deixou a sala especial que ocupava na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e foi transferido para uma cela comum da unidade. A alteração ocorreu nesta segunda-feira e também incluiu novas restrições para visitas de advogados.
De acordo com investigadores da PF, a mudança atende protocolos internos aplicados à custódia de presos. Vorcaro está detido preventivamente desde o dia 4 de março de 2026, quando foi alvo da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e pagamento de vantagens indevidas ligadas ao Banco Master.
Dois dias após a prisão, em 6 de março, ele foi encaminhado para a Penitenciária Federal em Brasília. Até a transferência desta semana, permanecia em uma sala reservada na Superintendência da PF, espaço que já havia sido utilizado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante período de detenção na corporação.
A informação sobre a mudança foi divulgada inicialmente pelo Metrópoles e confirmada pelo GLOBO. Com a nova definição, Vorcaro passou a ocupar uma cela utilizada para presos em trânsito dentro da Superintendência da Polícia Federal.
Pessoas próximas ao banqueiro relatam que a nova estrutura possui condições mais limitadas em comparação ao espaço anterior, com restrições relacionadas a banheiro e acomodação.
As regras para acesso da defesa também mudaram. Segundo fontes ligadas à investigação, os encontros com advogados passaram a obedecer horários específicos e novos controles estabelecidos pela custódia da PF. Procurada, a defesa de Vorcaro ainda não comentou o assunto.
Relações com Flávio Bolsonaro
O site Intercept Brasil publicou mensagens que mostram conversas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro para marcar encontros. O senador confirmou os contatos, mas negou irregularidades.
Investigadores avaliam que o avanço das apurações reduz a margem para um acordo considerado vantajoso para o banqueiro. A colaboração premiada prevê mecanismos como confissão de crimes, pagamento de multa e entrega de provas, em troca de possíveis benefícios judiciais, incluindo redução de pena.
Antes das negociações, Vorcaro havia solicitado transferência da Penitenciária Federal de Brasília e garantias de proteção para familiares.
Na semana passada, a Polícia Federal prendeu Henrique Vorcaro, pai do banqueiro. Ele é investigado sob suspeita de atuar como operador financeiro da “Turma”, grupo apontado pelas autoridades como braço armado da suposta organização criminosa atribuída ao dono do Banco Master.
Segundo a PF, Henrique também teria atuado como “demandante e beneficiário” de ações do grupo voltadas à intimidação de adversários de Daniel Vorcaro.
As investigações ainda apontam que o banqueiro teria utilizado uma conta bancária do pai para ocultar R$ 2,2 bilhões de credores e vítimas das fraudes financeiras investigadas. A defesa de Henrique Vorcaro declarou considerar a prisão “grave” e “desnecessária”.
*Com informações da agência O Globo.
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