2º dia de conversas entre Trump e Xi termina com acenos comerciais e divergências sobre Taiwan

Por Estela Marconi 15 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
2º dia de conversas entre Trump e Xi termina com acenos comerciais e divergências sobre Taiwan

Donald Trump encerrou nesta sexta-feira, 15, sua visita de Estado à China após dois dias de reuniões com o presidente chinês Xi Jinping, em uma cúpula marcada por tentativas de reduzir tensões comerciais e geopolíticas, mas que terminou sem anúncios concretos sobre tarifas ou acordos estruturais entre as duas potências.

Ao deixar Pequim a bordo do Air Force One, Trump afirmou que os dois países fecharam “acordos comerciais fantásticos”, embora não tenha detalhado medidas ou compromissos firmados durante o encontro. Já o governo chinês declarou que houve uma “série de novos entendimentos comuns” entre os dois líderes, sem especificar quais foram os avanços.

A visita foi a primeira de um presidente americano à China desde 2017, quando o próprio Trump esteve em Pequim durante seu primeiro mandato. O encontro ocorreu em meio à escalada da guerra entre Israel e Irã, às disputas comerciais entre Washington e Pequim e às tensões envolvendo Taiwan.

Taiwan dominou momentos mais tensos da cúpula

Apesar do discurso público de aproximação, Taiwan voltou a ser o principal ponto de atrito entre os dois governos. Segundo o Wall Street Journal, Xi advertiu Trump de que qualquer erro na condução do tema poderia criar uma “situação extremamente perigosa” para a relação bilateral.

O presidente chinês reforçou a posição histórica de Pequim sobre a ilha autônoma, considerada pelo governo chinês parte de seu território. Trump evitou responder diretamente sobre Taiwan durante as declarações públicas.

Ainda assim, os dois líderes mantiveram um tom cordial ao longo da visita. Trump convidou Xi para uma visita à Casa Branca em setembro e elogiou a recepção chinesa.

“Você vai sair daqui impressionado, assim como eu estou impressionado com a China”, disse Trump ao líder chinês durante um encontro reservado.

A programação incluiu cerimônia militar, guarda de honra na Praça da Paz Celestial, visita ao Templo do Céu e jantar de Estado no Grande Palácio do Povo.

Irã e Estreito de Ormuz entraram no centro das negociações

A guerra no Oriente Médio também dominou parte relevante das conversas. Trump afirmou que ele e Xi concordam que o Irã não pode desenvolver armas nucleares e defenderam a manutenção do Estreito de Ormuz aberto para o fluxo global de petróleo e gás natural.

Segundo a Casa Branca, Xi manifestou oposição à militarização da região e a qualquer tentativa de cobrança de tarifas para navegação no estreito, rota responsável por cerca de 20% do comércio global de petróleo.

Trump disse ainda que pediu ajuda chinesa para pressionar Teerã em direção a um acordo.

“Queremos que isso acabe. Não queremos que eles tenham uma arma nuclear”, afirmou o presidente americano.

Durante entrevista à Fox News gravada em Pequim, Trump também sugeriu apoio à apreensão do urânio enriquecido iraniano, proposta defendida pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

“Acredito que isso seja mais uma questão de relações públicas do que qualquer outra coisa”, disse.

China sinaliza interesse em petróleo e soja dos EUA

Outro foco das reuniões foi a tentativa de ampliar as relações comerciais entre os dois países. Trump afirmou que a China demonstrou interesse em aumentar compras de petróleo e produtos agrícolas americanos, especialmente soja.

“Eles concordaram que querem comprar petróleo dos Estados Unidos. E vão comprar muitos dos nossos produtos agrícolas”, declarou.

A fala ocorre após a China reduzir drasticamente as importações de soja americana nos últimos anos, ampliando compras do Brasil em meio à guerra tarifária entre Washington e Pequim.

A delegação americana contou com executivos de grandes empresas, como Elon Musk, da Tesla e X, Jensen Huang, da Nvidia, e Tim Cook, da Apple. Os empresários participaram de encontros no Grande Palácio do Povo ao lado das delegações oficiais.

Segundo a agência estatal Xinhua, Xi afirmou aos empresários que a China continuará ampliando sua abertura econômica e que empresas americanas participaram “profundamente” do processo de modernização do país.

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