36 anos do Hubble: as melhores fotos do espaço feitas pelo telescópio
O Telescópio Espacial Hubble celebra 36 anos de órbita neste mês de abril de 2026. Considerado um dos telescópios mais avançados já existentes, ele se consolidou como um dos instrumentos científicos mais importantes da história.
Desde o lançamento em 24 de abril de 1990, o observatório superou falhas técnicas iniciais e passou por diversas missões de manutenção para entregar mais de 1,7 milhão de observações que ajudaram a decifrar a idade do universo — estimada em mais de 13 bilhões de anos — e a velocidade de expansão.
Para celebrar o aniversário, a NASA e a ESA mantêm a tradição de divulgar uma imagem anual que representa o "estado da arte" da fotografia espacial. Entre os destaques das últimas décadas, fotos como a da Nebulosa do Pequeno Haltere (2024) e o icônico grupo de galáxias Hickson 40 (2022) mostram que, mesmo com a chegada do potente James Webb, o Hubble continua sendo uma ferramenta vital para a luz visível e ultravioleta.
Separamos as 10 melhores fotos do Hubble para comemorar o aniversário de 36 anos do telescópio. Confira:
Júpiter e a Lua Europa
Esta imagem de Júpiter, tirada pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA em 25 de agosto de 2020, foi capturada quando o planeta estava a 653 milhões de quilômetros da Terra. A visão nítida do Hubble forneceu aos pesquisadores um relatório meteorológico atualizado sobre a atmosfera do planeta, incluindo uma nova e notável tempestade e um "primo" da Grande Mancha Vermelha mudando de cor — novamente.
A nova imagem também apresenta a lua gelada de Júpiter, Europa.
Tapeçaria de um nascimento estelar flamejante
Esta imagem é um dos exemplos mais fotogênicos dos muitos berçários estelares turbulentos que o Telescópio Espacial Hubble observou durante seus mais de 30 anos de vida. O retrato apresenta a nebulosa gigante NGC 2014 e sua vizinha NGC 2020 que, juntas, formam parte de uma vasta região de formação de estrelas na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite da Via Láctea, a aproximadamente 163.000 anos-luz de distância.
Nova visão dos Pilares da Criação
O Telescópio Espacial Hubble revisitou uma de suas imagens mais icônicas e populares: os Pilares da Criação da Nebulosa da Águia. Esta imagem mostra os pilares como vistos na luz visível e captura o brilho multicolorido das nuvens de gás, filamentos diáfanos de poeira cósmica escura e as "trombas de elefante" cor de ferrugem dos famosos pilares da nebulosa.
A poeira e o gás nos pilares são cauterizados pela radiação intensa de estrelas jovens e erodidos por ventos fortes de estrelas massivas próximas. Com essas novas imagens, surge um melhor contraste e uma visão mais clara para os astrônomos estudarem como a estrutura dos pilares está mudando ao longo do tempo.
Anéis da relatividade
A galáxia estreita que se curva elegantemente em torno de sua companheira esférica nesta imagem é um exemplo fantástico de um fenômeno verdadeiramente estranho e muito raro. Esta imagem retrata a GAL-CLUS-022058s, localizada na constelação de Fornax (O Forno), no hemisfério sul. Trata-se do maior e um dos mais completos "anéis de Einstein" já descobertos em nosso Universo.
O objeto foi apelidado pelo investigador principal e sua equipe de "Anel Fundido", o que alude à sua aparência e à constelação hospedeira. Teorizado pela primeira vez por Einstein na teoria da relatividade, a forma incomum deste objeto pode ser explicada por um processo chamado lente gravitacional, que faz com que a luz que brilha de longe seja dobrada e puxada pela gravidade de um objeto entre sua fonte e o observador.
Neste caso, a luz da galáxia de fundo foi distorcida na curva que vemos pela gravidade do aglomerado de galáxias situado à frente. O alinhamento quase exato da galáxia de fundo com a galáxia elíptica central do aglomerado deformou e ampliou a imagem da galáxia de fundo ao redor de si mesma em um anel quase perfeito.
A Nebulosa da Bolha
A Nebulosa da Bolha, também conhecida como NGC 7635, é uma nebulosa de emissão localizada a 8.000 anos-luz de distância. Esta impressionante nova imagem foi observada pelo Hubble para celebrar seu 26º ano no espaço.
Galáxias das Antenas "recarregadas"
O Hubble capturou a melhor imagem de todas das Galáxias das Antenas. As galáxias — também conhecidas como NGC 4038 e NGC 4039 — estão presas em um abraço mortal. Antes galáxias espirais normais e calmas como a Via Láctea, o par passou os últimos centenas de milhões de anos duelando entre si. Este choque é tão violento que estrelas foram arrancadas de suas galáxias hospedeiras para formar um arco fluindo entre as duas.
Em imagens de campo amplo, a razão do nome torna-se clara: estrelas distantes e fluxos de gás se estendem pelo espaço, criando longas "caudas de maré" que lembram antenas. Eventualmente, os núcleos irão se fundir, e as galáxias começarão sua "aposentadoria" juntas como uma única grande galáxia elíptica.
Um universo inteiro de galáxias
Galáxias por toda parte. Esta visão de quase 10.000 galáxias é a imagem de luz visível mais profunda do cosmos, chamada de Hubble Ultra Deep Field (Campo Ultra Profundo do Hubble). A foto inclui galáxias de várias idades, tamanhos, formas e cores. As menores e mais vermelhas podem estar entre as mais distantes conhecidas, e começaram a existir quando o universo tinha apenas 800 milhões de anos.
Mosaico da majestosa Galáxia do Sombreiro
O Hubble treinou o olhar em uma das galáxias mais imponentes do universo: a Galáxia do Sombreiro, Messier 104 (M104). A marca registrada é um núcleo brilhante, branco e bulboso, cercado por densas trilhas de poeira que compõem a estrutura espiral.
Vista da Terra, ela está inclinada, quase de perfil. Foi batizada de Sombreiro devido à sua semelhança com o chapéu mexicano de abas largas.
A Câmera de Campo Amplo 3 do Hubble observou Saturno em 20 de junho de 2019, quando o planeta fez sua aproximação máxima da Terra naquele ano, a aproximadamente 1,36 bilhão de quilômetros de distância.
Nebulosa do Caranguejo
Esta imagem fornece a visão mais detalhada de toda a Nebulosa do Caranguejo já obtida. O "Caranguejo" está entre os objetos mais interessantes e bem estudados da astronomia. Foi montada a partir de 24 exposições individuais.
Borboleta da morte
Este objeto celestial parece uma borboleta delicada, mas está longe de ser sereno. O que parecem ser asas delicadas são, na verdade, caldeirões ferventes de gás aquecidos a quase 20.000 graus Celsius, atravessando o espaço a mais de 950.000 quilômetros por hora.
Uma estrela moribunda que já teve cerca de cinco vezes a massa do Sol está no centro desta fúria. Ela ejetou um envelope de gases e agora libera um fluxo de radiação ultravioleta que faz o material expelido brilhar. A estrela central não pode ser vista porque está escondida dentro de um anel de poeira em forma de rosca.
Pilar fantasmagórico
Parece uma besta de pesadelo erguendo a cabeça de um mar carmesim, mas este objeto é na verdade um pilar de gás e poeira chamado Nebulosa do Cone.
A radiação de estrelas jovens e quentes erodiu lentamente a nebulosa ao longo de milhões de anos. A luz ultravioleta aquece as bordas da nuvem escura e libera gás no espaço circundante, o que produz o halo vermelho de luz visto ao redor do pilar.
Olho de Deus
Esta imagem mostra a forma e a cor dramáticas da Nebulosa do Anel ou, como já foi batizada antes, o Olho de Deus. Da perspectiva da Terra, ela parece uma forma elíptica simples, mas novas observações mostram que a nebulosa tem o formato de uma rosquinha (donut) distorcida, com uma região de material de menor densidade em forma de bola de rugby encaixada em seu "buraco" central.
Nebulosa do Véu
Esta imagem mostra uma pequena seção da Nebulosa do Véu. Esta seção do invólucro externo do famoso remanescente de supernova está em uma região conhecida como NGC 6960 ou — mais coloquialmente — a Nebulosa da Vassoura da Bruxa.
Jato Gêmeo
A Nebulosa do Jato Gêmeo, ou PN M2-9, é um exemplo marcante de uma nebulosa planetária bipolar. Elas se formam quando o objeto central não é uma estrela única, mas um sistema binário. Estudos sugerem que o surto estelar que formou os lobos ocorreu há apenas 1.200 anos.
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