4 pontos do balanço da WEG no 1º tri para o investidor ficar de olho

Por Mitchel Diniz 29 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
4 pontos do balanço da WEG no 1º tri para o investidor ficar de olho

A WEG divulgou nesta quarta-feira (29) seus resultados do primeiro trimestre de 2026. O lucro líquido chegou a R$ 1,46 bilhão, recuo de 5,7% ante o 1T25. O EBITDA somou R$ 2,1 bilhões, queda de 3,2% no mesmo período. A receita líquida recuou 6,1% na comparação anual, para R$ 9,5 bilhões.

As ações caem quase 3% em mais um dia de baixa para o Ibovespa, que zera as perdas acumuladas em abril.

O BTG Pactual avaliou o trimestre como mais direto de ler do que os anteriores. Diferente do que ocorreu no terceiro e no quarto trimestres de 2025, quando havia dúvida sobre se comemorar a margem ou lamentar o crescimento mais lento, desta vez as duas variáveis que o mercado mais acompanha, crescimento de receita e margens, ficaram abaixo das expectativas.

Os analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim mantiveram recomendação de compra com preço-alvo de R$ 65.

O banco reconhece que o momento de curto prazo é de pressão, mas reforça que a tese de longo prazo da companhia permanece intacta. O BTG aposta num novo ciclo de crescimento a partir do segundo semestre de 2026, quando a capacidade adicional de transformadores deve começar a contribuir com receita. Para quem acompanha o papel, os quatro pontos abaixo são os que merecem atenção.

1. Margem EBITDA cresceu anualmente apesar de trimestre 'fraco'

A margem EBITDA de 22,2% no primeiro trimestre de 2026 ficou 0,6 ponto percentual acima da registrada um ano antes (21,6%), mesmo com receita menor. O BTG estimava 22,5% para o trimestre. Na comparação trimestral, a margem recuou 0,2 ponto em relação ao 4T25. O que sustentou o indicador foi um mix de produtos vendidos mais favorável e a reversão de provisão de participação nos resultados do exercício anterior.

Os custos pesaram no período. O CPV (custo por produto vendido) foi impactado pela alta no preço do cobre, pelo aumento das tarifas de importação nos EUA e pela volatilidade cambial.

O BTG aponta que a continuidade de um real mais forte representa risco para as estimativas. Simulando o câmbio a R$ 5 por dólar no modelo, o lucro estimado para o ano cai de R$ 6,8 bilhões para R$ 6,5 bilhões, uma redução de 3% a 4%.

2. A queda de 36% em geração e transmissão no mercado interno

O segmento de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia (GTD) no mercado interno registrou receita de R$ 1,52 bilhão no primeiro trimestre de 2026, queda anual de 36,4%. O primeiro trimestre de 2025 foi o de maior receita em geração solar centralizada da história da companhia. Agora, esse ciclo de projetos se encerrou sem reposição imediata, o que distorce a comparação anual.

No mercado externo, o GTD registrou receita de R$ 2,1 bilhões, alta de 3,2% na base anual, com entregas de transformadores para projetos de infraestrutura elétrica nos EUA e demanda em mercados como Colômbia.

O BTG projeta que o segmento retome crescimento a partir do segundo semestre de 2026, quando nova capacidade produtiva de transformadores entra em operação no México, na Colômbia e nos Estados Unidos.

3. O câmbio comprimiu a receita externa em reais

O mercado externo respondeu por 62,3% da receita líquida total da WEG nos primeiros três meses do ano. Em reais, a receita externa cresceu 4,5% na base anual. Medida em dólares, o avanço foi de 16,1%, para US$ 1,12 bilhão. A diferença entre os dois números reflete a variação cambial do período.

O dólar médio recuou de R$ 5,85 no 1T25 para R$ 5,26 no 1T26, uma desvalorização de 10,1% frente ao real. Nas moedas locais de cada mercado, ajustado pelos efeitos das aquisições, o crescimento da receita externa foi de 11,2% na base anual.

O BTG aponta a força do real como o principal fator de pressão sobre as estimativas de curto prazo para a companhia.

4. Geração de caixa avança e dívida recua no trimestre

A WEG gerou R$ 1,26 bilhão em caixa operacional no 1T26, ante R$ 540 milhões no mesmo período do ano anterior. O caixa líquido subiu de R$ 2,65 bilhões em dezembro para R$ 3,32 bilhões em março.

A dívida bruta recuou de R$ 4,59 bilhões para R$ 4,09 bilhões no mesmo intervalo.

O CAPEX do trimestre foi de R$ 622 milhões, estável em relação ao 1T25 (R$ 621 milhões) e abaixo dos R$ 814 milhões do 4T25, com investimentos concentrados em expansão de capacidade no Brasil e no exterior.

Em março, o conselho deliberou juros sobre capital próprio de R$ 420 milhões, com pagamento previsto para março de 2027.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: