68% das empresas não sabem como cumprir a nova NR-1 que entra em vigor em maio; aponta pesquisa
A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que entra em vigor em 26 de maio, promete mudar de forma significativa a forma como as empresas lidam com saúde mental no ambiente de trabalho.
A nova diretriz do Ministério do Trabalho e Emprego amplia as responsabilidades das organizações ao exigir a inclusão dos riscos psicossociais na gestão de segurança e saúde ocupacional.
Apesar da proximidade do prazo, grande parte das empresas ainda não está preparada para a mudança. Uma pesquisa realizada em janeiro pela consultoria de recursos humanos Heach revela que 68% das organizações admitem não compreender plenamente as novas exigências da norma.
Empresas ainda não compreenderam totalmente a nova NR-1
A pesquisa também mostra que muitas empresas ainda lidam com a saúde mental de forma reativa. Segundo o levantamento, 58% das organizações só atuam quando surgem situações críticas, como afastamentos, denúncias formais ou processos judiciais.
Com a atualização da NR-1, essa postura deixa de ser suficiente. A norma exige que as companhias passem a adotar uma abordagem preventiva, identificando e monitorando riscos relacionados ao ambiente organizacional.
Para Amanda Bittencourt, gerente de unidade de negócio da Care Plus Ocupacional, a mudança representa uma transformação importante na forma como as empresas precisam lidar com o tema.
“Muitas empresas focam em casos isolados. A nova NR-1 convida a um olhar estatístico e comparativo, permitindo entender o perfil epidemiológico da empresa em relação ao seu segmento e grau de risco”, explica.
Saúde mental deixa de ser pauta opcional nas empresas
A atualização da norma estabelece que o bem-estar emocional dos colaboradores deve fazer parte da gestão de riscos corporativos, exigindo que as empresas identifiquem fatores organizacionais que possam afetar a saúde psicológica dos trabalhadores.
Isso inclui aspectos como carga de trabalho excessiva, pressão constante por resultados, conflitos organizacionais e ambientes profissionais que possam gerar desgaste emocional.
Nesse contexto, o exame ocupacional também ganha um novo papel dentro da gestão corporativa. De acordo com Amanda Bittencourt, ele deve ser tratado como um instrumento estratégico para análise do ambiente de trabalho.
“A nova resolução reforça que o exame ocupacional não é uma burocracia, mas uma potente ferramenta de inteligência diagnóstica sobre hábitos, comportamentos e ambiente de trabalho”, afirma.
Impactos financeiros e operacionais nas empresas
A importância da nova regulamentação está diretamente ligada a dados globais preocupantes sobre saúde mental no trabalho. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 12 bilhões de dias de trabalho são perdidos todos os anos devido à depressão e à ansiedade, gerando um impacto econômico de cerca de US$ 1 trilhão na economia mundial.
Nesse cenário, a gestão da saúde mental passa a ser também uma questão de desempenho organizacional.
Para Amanda Bittencourt, empresas que investem em bem-estar emocional conseguem observar efeitos concretos em indicadores operacionais e financeiros.
“Empresas que priorizam o acolhimento e a saúde mental conseguem mensurar o impacto em indicadores claros, como a redução da procura por prontos-socorros e a diminuição dos custos com rotatividade”, afirma.
Tecnologia pode transformar obrigação legal em vantagem competitiva
Um dos maiores desafios para as organizações será estruturar sistemas capazes de analisar dados relacionados à saúde mental e ao ambiente de trabalho. A especialista destaca que o uso de tecnologia será essencial para transformar as exigências legais em uma gestão eficiente.
A adoção de metodologias internacionais de avaliação e o uso de dashboards com indicadores comparativos podem ajudar as empresas a monitorar riscos e identificar tendências internas.
“O ponto-chave é utilizar metodologias validadas internacionalmente para mapear e cruzar dados de forma inteligente. Ter esses resultados em dashboards que permitam a comparação com indicadores de mercado é o que garantirá uma promoção contínua e real da saúde e do bem-estar”, conclui Amanda Bittencourt.
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