A estratégia da Insider para vencer o fast-fashion e crescer no mercado

Por Luiza Vilela 27 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
A estratégia da Insider para vencer o fast-fashion e crescer no mercado

Houve um tempo, não muito distante, em que a moda do dia a dia era dividida em dois extremos desconfortáveis: ou você optava pelo formalismo rígido das camisas de algodão que amarrotavam no primeiro café, ou pelo sintético esportivo que gritava "academia" a quilômetros de distância. O meio-termo era caro, difícil de encontrar e pouco confortável. Até a chegada da Insider.

Criada em 2017, a marca se inventou e reinventou seguindo três pilares como guia: tecnologia, design e sustentabilidade. No início, ficou mais popular pelo marketing do que pelo uso. Apareceu no guarda-roupa de diversos influenciadores, estava em todos os anúncios nas redes sociais como uma das apostas mais tecnológicas do mercado. O catálogo da Insider também era simples, para dizer o mínimo: poucas peças, em sua maioria camisetas de cores escuras.

Depois da estratégia de marketing agressivo, a marca criou clientes frequentes. Quem comprou uma vez, voltou mais tarde e priorizou o tecido. Hoje, nove anos depois de chegar ao mercado, ela já tem uma presença importante e-commerce nacional: ultrapassou a marca de 1 milhão de clientes, registra 4,3 milhões de visitas mensais no site e mantém uma comunidade digital de 1,5 milhão de seguidores. Os dados foram enviados com exclusividade para a Casual EXAME,

"O crescimento da Insider não veio de tendência, veio de resolver problemas reais com tecnologia. Esse é o nosso diferencial", disse Yuri Gricheno, CEO e cofundador da companhia. "A proposta desde o início foi o tecido diferenciado, que oferece um conforto térmico, sempre pensando no dia a dia. Nosso foco continua sendo a tecnologia do tecido, acima de tudo".

O próximo passo, contou Yuri, é ampliar o acesso físico à marca.

Yuri Gricheno, CEO e cofundador da Insider (Insider/Divulgação)

O pulo do e-commerce para o varejo físico

A Insider foi pioneira ao trazer para o Brasil o modelo das DNVBs (Digitally Native Vertical Brands), empresas nascidas no ambiente online que vendem diretamente ao consumidor final, sem intermediários. E fez o negócio, ao longo de quase uma década, muito bem: se aproximou da clientela e fortaleceu a comunidade para além do marketing inicial, com grupos nas redes sociais e clientes fixos.

Hoje, ainda que a maior parte da receita venha do e-commerce (R$ 500 milhões em 2025), a marca já vê resultado no varejo físico. A loja popup instalada no Shopping Morumbi, primeira fora do ambiente digital da Insider, teve faturamento de R$ 2 milhões de outubro a dezembro de 2025. O espaço deve ser ampliado em breve no shopping, em uma loja própria, contou Yuri à EXAME em primeira mão.

Ainda que não tenha revelado os locais, o CEO destacou que a Insider pretende abrir pelo menos quatro novos pontos físicos entre 2026 e 2027.

"Entendemos que o potencial da loja física traz uma conversão muito positiva. E era algo que os nossos clientes sempre pediam: um espaço físico para conhecer melhor os produtos, experimentá-los, entre outras coisas. Além dessa ponte com quem já nos conhece, o ambiente físico também ajuda a ter mais reconhecimento para novos clientes", completou Yuri.

Coleção da Insider com Gloria Coelho

Tecnologia além do marketing

A aposta em tecnologia nunca foi da boca para fora. Nos últimos três anos, o aporte em inovação da Insider cresceu 1,5 vez ao ano e superou a marca de R$ 1,5 milhão, contou o CEO. Desde o início, a marca trabalhou com roupas desenvolvidas com pesquisa e desenvolvimento próprios. As tecnologias têxteis foram validadas em laboratório.

No portfólio atual, 80% da receita da empresa vem de matérias-primas de origem natural, como as bases modais, que consomem 97% menos água que o algodão e duram até dez vezes mais. O objetivo principal é ser referência no mercado de smartwear brasileiro, com peças que elevam a termoregulação, a resistência e a durabilidade.

Há até produtos com ativos para reduzir celulites e auxiliar na retenção de líquidos, feitos com produtos naturais. "Fizemos o tecido com uma composição de bioativos, incluindo o café e outros minerais orgânicos, que apresentou nos testes resultados contundentes para redução de inchaço e retenção de líquidos. É uma tecnologia nova que a gente desenvolveu do zero e trouxe para o mercado, para ir mais a fundo nessa linha esportiva casual", complementou Gricheno.

O investimento massivo em tecnologia, por outro lado, tem um preço diante dos concorrentes. Em nove anos circulando no mercado, a Insider lançou um total de somente 130 peças. A escassez de  produtos, no entanto, não é algo que deixe Yuri preocupado. Faz parte, disse ele, da proposta da empresa.

"As marcas de hoje, num geral, estão preocupadas em lançar quantidades de peças. Do nosso lado, a gente foca na tecnologia. Lançar menos nos dá margem para campanhas mais eficientes e para garantir que cada peça tenha um diferencial real", explica Yuri. "Investir em tecnologia tem esse preço. Mas, quando a gente lança algo, o produto já vem com algo muito novo no mercado".

Antes e depois da pandemia

Ainda que a tecnologia tenha sido o fio condutor da marca, a Insider mudou (e muito) nos últimos anos. Se na pandemia o foco era o conforto do home office, em 2026, a marca lidera a transição para o que Yuri descreve como a "versão 2.0 das roupas de escritório". Peças elegantes que não abrem mão, sobretudo, do conforto adquirido nas peças usadas em casa.

"Pensamos em cortes mais voltados para o trabalho do dia a dia, sem cara de 'academia', mas com toda a tecnologia dos tecidos que trabalhamos. É aquela camisa que não vai te deixar suado, porque é termoregulada, e que não desgata ou perde a cor em poucas lavagens", contou ele enquanto mostrava o catálogo para a Casual EXAME.

"Temos no nosso portfólio o que chamamos de essencial, que é aquilo que vai muito além do básico, é aquilo que você não vive sem", pontua o CEO. Essa filosofia deu origem a linhas como a Tech T-Shirt e a linha Nextech, feitas para quem viaja com malas compactas, não quer passar ferro em roupas e exige tecidos que não irritam a pele.

Essa diversificação também atingiu o público feminino. O que antes era um guarda-roupa masculino funcional expandiu-se para categorias de casual, active, beachwear e workwear. Peças com cortes diferentes para que as pessoas que se identificam com o gênero feminino tenham em mãos a tecnologia do conforto.

Mesmo com a recente expansão para experiências físicas, a alma da companhia permanece nos dados. A marca construiu um repertório que vai além da funcionalidade, colaborando com nomes como Gloria Coelho e Ziraldo, e inserindo-se em territórios de lifestyle como a DW! Semana de Design de São Paulo.

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