A estratégia de copos colecionáveis da empresa que faturou US$ 22 bilhões

Por Alessandra Monaco 9 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
A estratégia de copos colecionáveis da empresa que faturou US$ 22 bilhões

Gigante do fast food nos Estados Unidos, o Chick-fil-A, rede especializada em frango, conhecida por seus sanduíches e batatas fritas em formato waffle, faturou US$ 22 bilhões em 2024. Todas as estratégias de marketing combinadas com os valores fortes da marca fizeram o faturamento da empresa chegar a números bilionários, expressivos e altamente competitivos no mercado de fast food.

No ranking QSR 50 de 2025, a Chick-fil-A é a 3ª rede de fast food mais vendida nos EUA, atrás de McDonald's e Starbucks. A marca se destaca pelo maior AUV (vendas médias por unidade), superando concorrentes como Raising Cane's (US$ 6,56 milhões).

Estratégia do blind box

Para 2026, a marca projeta cerca de US$ 21 milhões em faturamento apenas com a iniciativa de blind box (caixas misteriosas, sem a possibilidade de saber o que há dentro), ao transformar pequenos detalhes em gatilhos emocionais como surpresa, escassez e pertencimento.

Em celebração aos seus 80 anos, o Chick-fil-A lançou a ação com duração de um ano. A iniciativa começou em 5 de janeiro com a venda de quatro copos reutilizáveis de edição limitada, cada um com design retrô. A dinâmica inclui ainda a chance de encontrar o copo dourado, que dá direito a 52 pratos principais gratuitos, um para cada semana do ano.

Essa lógica de gamificação está entre as estratégias mais eficazes do marketing atual, especialmente em um contexto de economia da atenção. Ela ativa repetição, compartilhamento e pertencimento, fatores que transformam um simples item funcional em objeto de desejo, conteúdo e performance orgânica nas redes.

Creators compartilham nas redes sociais a abertura das blind boxes do Chick-fil-A, exibindo os copos retrô colecionáveis diante da câmera (Divulgação)

Vale lembrar que itens misteriosos ainda estão em alta após o boom do Labubu. Segundo relatório Dentsu Creative 2026 Trends, os blind boxes crescem de forma acelerada entre adultos. A diferença está no comportamento: enquanto para crianças a descoberta de um item indesejado faz parte da diversão, entre adultos a frustração tende a escalar para padrões quase compulsivos, com gastos que podem chegar a US$ 270 por semana em busca do item específico.

Quem é consumidor ativo do TikTok provavelmente já se deparou com creators brasileiros e americanos exibindo sacolas brancas lacradas da marca e abrindo cada uma diante da câmera, em tempo real, junto com os seguidores. A cena explora a estética do excesso e uma ação repetitiva e altamente compartilhável, sendo exatamente o tipo de conteúdo que o algoritmo adora amplificar.

Essa mesma lógica de compartilhamento foi o que gerou fama para a marca Crumbl Cookies nos Estados Unidos. Apresentar os cookies da semana cria uma expectativa constante para descobrir quais serão as novidades. É esse mesmo mecanismo de antecipação que guia creators a produzirem conteúdos semelhantes para o Chick-fil-A. A audiência acompanha ansiosa para saber se, daquela vez, a pessoa conseguiu um item colecionável diferente ou o copo dourado.

O caso do Chick-fil-A mostra como o marketing deixou de girar em torno do produto em si e passou ser guiado por comportamentos e narrativas compartilháveis. Quando creators produzem conteúdo orgânico, a marca não precisa gritar ofertas: ela cria cenas que o público quer repetir, registrar e mostrar.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: