Ações da Petrobras saltam 5% no Brasil e nos EUA com balanço e petróleo em alta

Por Clara Assunção 6 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ações da Petrobras saltam 5% no Brasil e nos EUA com balanço e petróleo em alta

As ações da Petrobras avançam com força nesta sexta-feira, 6, num movimento que coincide com a alta dos preços do petróleo no mercado internacional e a divulgação do balanço da estatal no quarto trimestre de 2025.

Às 12h45, as ações ordinárias (PETR3) subiam 5,07% e as preferenciais (PETR4) avançavam 4,41%, enquanto o Ibovespa recuava 0,67%, aos 179.249 pontos. Nos Estados Unidos, os ADRs da estatal, que já haviam avançado mais de 2% no pré-mercado, subiam mais de 5% no mesmo horário.

Os investidores reagem aos resultados financeiros do 4° trimestre e o consolidado de 2025 da companhia, divulgados nesta quinta, 5, após o fechamento do mercado. Entre outubro e dezembro do ano passado, a Petrobras registrou lucro líquido atribuível aos acionistas de R$ 15,6 bilhões, revertendo o prejuízo de R$ 17 bilhões registrado no mesmo período de 2024.

Já o lucro líquido sem itens não recorrentes somou R$ 25,7 bilhões, alta de 44,9% na comparação anual. A receita de vendas atingiu R$ 127,4 bilhões no período, avanço de 5% em relação ao quarto trimestre de 2024, enquanto o Ebitda ajustado ficou em R$ 59,9 bilhões, alta de 46,3% na mesma base de comparação.

Segundo a companhia, o resultado foi pressionado pela queda de 7,8% no preço médio do barril do Brent no trimestre, além de menor venda de diesel no mercado interno, fatores parcialmente compensados pelo aumento das exportações e do volume de petróleo comercializado.

Ainda assim, analistas do Itaú BBA destacaram positivamente a geração de caixa da petrolífera. A Petrobras reportou fluxo de caixa operacional de US$ 10,2 bilhões no trimestre, cerca de 14% acima das estimativas, impulsionado principalmente pela redução do capital de giro.

Esse desempenho compensou um nível de investimentos um pouco maior do que o esperado — US$ 6,6 bilhões no trimestre — e permitiu à empresa anunciar dividendos de R$ 8,1 bilhões, cerca de 15% acima do consenso de mercado, segundo os analistas do banco.

Na visão do Itaú BBA, o volume mais elevado de investimentos reflete a aceleração de projetos no pré-sal e deve continuar ao longo de 2026, o que pode pressionar o caixa no curto prazo, mas tende a "desbloquear uma geração de caixa mais forte no médio prazo".

Resultados sólidos, dizem analistas

Analistas do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) também classificaram os resultados como "relativamente sólidos", destacando que a redução do capital de giro ajudou a compensar saídas pontuais de caixa no trimestre, como pagamentos relacionados ao leilão da PPSA e ao projeto Jubarte AIP.

Segundo o banco, o fluxo de caixa livre calculado pela fórmula da companhia ficou em US$ 3,6 bilhões no trimestre, permitindo o pagamento de dividendos de US$ 1,5 bilhão, ligeiramente acima do esperado pelo mercado.

Na avaliação de João Daronco, analista CNPI da Suno Research, a Petrobras apresentou um desempenho sólido mesmo em um ambiente mais desafiador para o setor. "A escalada operacional da companhia tem sido o grande destaque e o principal motor de valor", afirmou.

O analista observa que a produção total de óleo e gás cresceu 11% em 2025, superando a meta estabelecida no plano de negócios da empresa. O avanço foi impulsionado pela entrada em operação de novas unidades no pré-sal, o que também levou a companhia a bater recorde de exportações de petróleo no quarto trimestre, com cerca de 999 mil barris por dia.

No acumulado de 2025, a Petrobras registrou lucro líquido de R$ 110,1 bilhões, ante R$ 36,6 bilhões em 2024. A receita anual somou R$ 497,5 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado chegou a R$ 237,2 bilhões.

Para Daronco, a combinação de aumento de produção no pré-sal com disciplina de capital reforça a capacidade da companhia de atravessar períodos de volatilidade no preço do petróleo. "A combinação de crescimento acelerado de produção no pré-sal com rígida disciplina de capital blinda a companhia contra oscilações de mercado", disse.

Petróleo salta ao maior nível em quase dois anos

Se a queda do Brent pressionou a Petrobras, esta sexta marcou o maior nível do petróleo em quase dois anos.

Por volta de 13h, os contratos futuros do Brent, referência mundial, subiam 5,98%, para US$ 91,39 por barril, renovando a máxima em 52 semanas e atingindo o nível mais alto em quase dois anos. Já o WTI, referência americana, avançava 10,26% para US$ 89,32 por barril, no maior patamar desde abril de 2024.

Os preços da commodity são mpulsionados pela escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã e pelos riscos crescentes para o fornecimento global de energia.

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