Ações de software reagem após cair 25% em 2026 e dividem investidores em Wall Street

Por Caroline Oliveira 18 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ações de software reagem após cair 25% em 2026 e dividem investidores em Wall Street

Após uma queda acumulada próxima de 25% em 2026, as ações de empresas de software começam a dar sinais de reação em Wall Street, em um movimento que tem dividido investidores entre aproveitar valuations comprimidos ou manter cautela diante do avanço da inteligência artificial (IA), segundo análise da Bloomberg.

Um dos principais termômetros do segmento, o iShares Expanded Tech-Software ETF (IGV), avançou mais de 11% nesta semana, recuperando parte das perdas recentes. Ainda assim, o fundo acumula queda superior a 21% no ano, em meio a temores de que a IA reduza a participação de mercado das empresas tradicionais de software, segundo reportagem da CNBC.

Para o estrategista técnico Paul Ciana, do Bank of America, o movimento recente pode indicar que a fase mais intensa de vendas terminou por enquanto. Segundo ele, o ETF pode estar em processo de formação de base técnica, embora ainda não exista evidência clara de um fundo estrutural definitivo. “Após cair até cerca de 37% a partir do pico de setembro, a quinta onda de baixa pode ter terminado, com um suporte conhecido na faixa dos US$ 70 se mantendo e o preço tentando reconquistar a média móvel simples de 200 semanas em US$ 81,78”, escreveu o estrategista para clientes, conforme divulgado pela CNBC.

IA pressiona expectativas do setor

Segundo análise da Bloomberg, a correção recente do setor tem características mais estruturais do que cíclicas, refletindo dúvidas sobre o impacto da inteligência artificial sobre preços, crescimento de receita e margens — pilares que sustentaram, por anos, os múltiplos elevados das empresas de software.

Apesar disso, parte do mercado começou a testar a tese de recuperação. Em dois pregões recentes, por exemplo, ações da Oracle subiram cerca de 18%, enquanto Microsoft avançou aproximadamente 6%. Já o IGV, registrou alta de 6,4%.

Ainda assim, no acumulado de 2026, a Oracle recua 12,66% e a Microsoft cai 14,95%, desempenho que a coloca entre as maiores perdas dentro do grupo conhecido como Magnificent Seven.

Sinais técnicos de estabilização em grandes nomes

Na avaliação técnica do Bank of America, algumas das principais ações do setor já apresentam sinais iniciais de estabilização.

Segundo Paul Ciana, a Microsoft mostra uma “recuperação de sobrevenda em andamento”, com níveis técnicos relevantes em US$ 413, US$ 431 e US$ 454. Já a Oracle pode ter concluído um movimento de cinco ondas de baixa após cair cerca de 60% desde a máxima registrada em 2025, encontrando suporte próximo da região de US$ 130.

O estrategista também observa a possibilidade de formação de um “duplo fundo” nas ações da Palantir Technologies em torno do nível de US$ 120, enquanto a Salesforce apresenta o pior desempenho, com queda de quase 33% no ano. Ciana aponta que a empresa mostra divergência altista no índice de força relativa (RSI).

No caso da Palo Alto Networks, que caiu 11% no ano, os sinais de momentum começam a melhorar após a manutenção de suporte próximo de US$ 140, com indicadores técnicos sugerindo formação inicial de base.

A mesa de operações do Barclays também relatou melhora recente no sentimento em relação ao setor, especialmente em empresas de grande capitalização como a Microsoft. Segundo o banco, houve cobertura de posições vendidas por fundos de hedge e retomada do interesse por parte de investidores de longo prazo.

“Embora o sentimento geral em relação a software ainda seja cauteloso, na mesa e nas minhas conversas com investidores, vimos uma mudança mais favorável nos últimos dias em relação a nomes de alta qualidade e grande capitalização no segmento corporativo, principalmente MSFT”, afirmou Barclays, segundo a CNBC. “Nos últimos dias, a MSFT também parece se beneficiar de uma demanda crescente por nomes expostos a computação que ficaram para trás este ano (ORCL também se beneficiando, mas ainda não vimos os mesmos fluxos/retornos de feedback positivo dos investidores)”, completou.

Mercado segue dividido sobre momento de entrada

Apesar da melhora recente, o mercado permanece dividido sobre o momento de entrada no setor. O diretor de investimentos da Defiant Capital Group, Jonathan Dane, relatou à Bloomberg que "os fundamentos não são de todo ruins no setor de software" e destacou Microsoft e Oracle entre as empresas que começam a parecer mais atrativas.

Por outro lado, Brad Conger, diretor de investimentos da Hirtle Callaghan & Co., afirmou à agência que o nível de incerteza permanece elevado diante da velocidade das transformações tecnológicas.

Ainda assim, dados da Bloomberg Intelligence mostram que as expectativas de receita também vêm sendo revisadas para cima, sugerindo que parte da correção recente pode ter ido além do enfraquecimento efetivo dos fundamentos das empresas de software.

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