Ações tokenizadas podem conectar o Brasil a Wall Street? Executivo da Kraken detalha estratégia

Por Mariana Maria Silva 26 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ações tokenizadas podem conectar o Brasil a Wall Street? Executivo da Kraken detalha estratégia

As ações tokenizadas podem representar uma nova ponte entre mercados locais e o sistema financeiro global, segundo Mark Greenberg, vice-presidente da Kraken. O tema foi debatido no painel “De São Paulo para Wall Street: como ações tokenizadas estão desbloqueando o mercado americano de capitais”, realizado no dia 18 de março, durante o MERGE São Paulo, no WTC São Paulo.

Em conversa com a jornalista Mariana Maria Silva, Greenberg destacou que a tokenização de ações pode reduzir barreiras históricas de acesso ao mercado de capitais, aproximando investidores de diferentes regiões, incluindo o Brasil, de ativos listados nos Estados Unidos.

Acesso ampliado ao mercado americano

Segundo o executivo, a principal proposta das ações tokenizadas é replicar, no mercado de ações, características já consolidadas no universo cripto, como negociação contínua e maior flexibilidade de uso.

“Hoje, comprar cripto é relativamente fácil. Você pode negociar 24 horas por dia, 7 dias por semana, manter em autocustódia e usar como quiser”, afirmou.

Esse modelo, no entanto, ainda não é padrão no mercado tradicional de ações. Greenberg destacou que, em muitos países, investidores enfrentam limitações como horários restritos de negociação, custos elevados e processos mais complexos de acesso.

“É isso que estamos tentando mudar com os XStocks”, disse.

XStocks é a plataforma 24/7 da Kraken para versões tokenizadas de ações, estruturadas para representar o valor de papéis negociados em bolsas tradicionais. Segundo o executivo, esses ativos funcionam de forma semelhante às stablecoins.

“Assim como uma stablecoin representa um dólar, uma ação tokenizada representa o valor de uma ação”, explicou.

A estrutura permite que esses ativos sejam negociados como tokens digitais, com funcionamento contínuo e integração a diferentes plataformas.

“Eles podem ser negociados 24/7, usados como colateral e integrados a diferentes sistemas, como qualquer outro token”, afirmou.

Redução de barreiras

Outro ponto destacado foi a possibilidade de ampliar o acesso ao mercado americano por meio da redução de exigências financeiras mínimas.

“Você pode investir valores pequenos, como um ou dez dólares, de forma simples e acessível”, disse.

Segundo Greenberg, essa característica pode ser relevante para investidores de mercados emergentes, que historicamente enfrentam mais dificuldades para acessar ativos internacionais.

Além disso, a tokenização permite maior portabilidade dos ativos dentro do ecossistema digital.

“O aspecto sem permissão é muito importante. Você pode usar esses ativos como quiser dentro do sistema”, afirmou.

Apesar do potencial, o executivo ressaltou que a confiança na estrutura desses produtos é um fator central para sua adoção.

“É fundamental que exista uma relação de um para um, com provas de reserva que garantam que há uma ação real por trás do token”, disse.

Ele comparou o cenário atual ao desenvolvimento das stablecoins, que passaram por ajustes ao longo do tempo até consolidarem modelos mais robustos.

Segundo Greenberg, a proposta da Kraken é evitar limitações comuns em outros produtos de tokenização, que restringem o uso dos ativos a plataformas específicas.

“Muitos produtos hoje ficam presos a um único aplicativo ou rede, o que reduz sua utilidade”, afirmou.

Expansão global e Brasil

A estratégia da empresa inclui a expansão gradual da oferta de ações tokenizadas para diferentes mercados. O projeto começou com ativos dos Estados Unidos, considerados mais líquidos e com maior demanda.

“Esperamos oferecer ações tokenizadas de todos os países, incluindo o Brasil”, afirmou.

O executivo destacou que o país tem papel relevante nesse processo, tanto pelo interesse crescente em ativos digitais quanto pelo ambiente de inovação no setor financeiro.

Ao comentar o futuro das bolsas de valores, Greenberg indicou que a tokenização pode abrir espaço para novos formatos de captação de recursos.

“Acredito que veremos empresas fazendo IPOs diretamente por meio de tokens, em vez de usar apenas bolsas tradicionais”, disse.

Ele ponderou, no entanto, que ainda é cedo para afirmar se esse modelo substituirá completamente as estruturas atuais.

“Não sei se isso vai substituir totalmente as bolsas, mas certamente veremos uma integração maior ao longo do tempo”, afirmou.

Para o executivo, o avanço das ações tokenizadas está diretamente ligado à construção de uma infraestrutura financeira mais integrada e acessível. Ao permitir que investidores negociem ativos globais com menos barreiras, a tecnologia pode aproximar mercados como o brasileiro e o americano.

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