Agricultores dos EUA recusam milhões por fazendas na corrida por data centers
A rápida expansão dos data centers nos Estados Unidos, impulsionada pela corrida global pela inteligência artificial, está provocando um novo conflito no campo.
Empresas de tecnologia buscam grandes áreas rurais para instalar infraestrutura digital, enquanto agricultores alertam para os impactos sobre a produção agrícola e as comunidades locais.
Dados do Cloudscene mostram que os Estados Unidos dominam a infraestrutura global de data centers, com 5.427 instalações, o que representa quase metade de todos os centros de dados do mundo.
A disputa tem ganhado dimensão política. Segundo o site Politico, o avanço desses projetos já provoca críticas entre republicanos em estados agrícolas, como Iowa e Illinois, onde produtores veem as instalações como uma ameaça ao modo de vida rural.
Para os agricultores, a conversão de áreas produtivas em infraestrutura tecnológica pode comprometer a produção de alimentos e pressionar recursos naturais.
Estados do Meio-Oeste tornaram-se polos dessa expansão em razão do custo relativamente baixo das terras e da disponibilidade de recursos naturais.
Illinois, por exemplo, um dos principais estados produtores de soja dos EUA, já soma mais de 200 centros de dados em operação ou planejamento.
Mesmo diante de propostas milionárias, muitos agricultores têm decidido manter suas propriedades.
No Kentucky, um produtor recusou US$ 10 milhões por uma fazenda de 100 hectares — valor cinco vezes superior ao que havia pago pela terra décadas atrás.
Em outro caso, uma família recebeu uma oferta de mais de US$ 30 milhões por uma propriedade de 263 hectares, também rejeitada.
Casos semelhantes ocorreram na Pensilvânia e em Wisconsin, onde proprietários recusaram propostas de US$ 15 milhões e US$ 80 milhões, respectivamente. Em alguns casos, empresas chegaram a oferecer mais de US$ 120 mil por hectare — valores considerados impensáveis até poucos anos atrás.
Empresas de tecnologia têm buscado regiões agrícolas para construir data centers porque esses empreendimentos exigem grandes áreas contínuas, além de acesso a energia elétrica abundante e disponibilidade de água para o resfriamento de equipamentos.
Segundo o site Politico, o avanço desses projetos também está ligado à estratégia do governo americano de fortalecer o país na corrida global pela inteligência artificial.
No entanto, autoridades locais apontam falta de regras claras para a expansão dessas instalações. O comissário de Agricultura do Texas, Sid Miller, criticou a ausência de supervisão e alertou que os projetos podem se espalhar sem planejamento adequado.
O tema também entrou nas disputas eleitorais em estados rurais. Na Pensilvânia, candidatos republicanos relatam pressão de agricultores preocupados com a redução de áreas disponíveis para cultivo.
A candidata Karen Dalton afirma que produtores da região têm enfrentado dificuldades para adquirir novas terras devido à concorrência com projetos de infraestrutura digital.
A preocupação central é que áreas destinadas à produção de alimentos estejam sendo convertidas em atividades tecnológicas.
Além disso, produtores rurais já enfrentam outros desafios econômicos, como custos elevados e impactos da política tarifária americana, o que intensifica as críticas aos novos empreendimentos.
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