Além do Matte: como a Leão, aos 125 anos forma 100% dos líderes 'em casa' e zera custos de saúde
Poucas empresas no Brasil podem se dar ao luxo de dizer que atravessaram três séculos. A Leão, que celebra 125 anos em 2026, é uma dessas raras exceções. Mas, para Danielli Regina Correa Bortolamedi, Head de Desenvolvimento Organizacional, o segredo da longevidade não está apenas nas folhas de chá, mas no cuidado cirúrgico com quem as colhe e as embala.
Em uma conversa franca, Danielli revelou como a empresa mantém 85% de satisfação interna e um plano de sucessão onde quase 100% da liderança "nasceu" dentro de casa.
Diferente do mercado tradicional, onde cada consulta gera um custo extra no contracheque, a Leão decidiu bancar o bem-estar integral. Nas fábricas de Fazenda Rio Grande e Fernandes Pinheiro, o colaborador tem acesso a fisioterapia, massagens e auriculoterapia sem qualquer co-participação.
"A gente tem essa jornada de promover o bem-estar do nosso cliente e conecta isso também com o bem-estar dos nossos colaboradores. Esse é um dos pilares estratégicos", afirma Danielli.
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O cuidado se estende à mente com o Leão Acolhe, um programa de suporte psicológico totalmente sigiloso. O objetivo é claro: garantir que o ambiente de trabalho não seja um gerador de fardos, mas um espaço de suporte.
O 'Fator Maternidade' como ferramenta de retenção
Em um setor onde o retorno da licença-maternidade é frequentemente acompanhado por pedidos de demissão, a Leão criou os programas Mamãe Serena e Primeiros Passos. O diferencial? O acolhimento começa no pré-natal e se estende aos pais, cujas esposas também recebem o suporte da empresa.
"A gente entendeu isso até como uma forma de retenção. No retorno pós-licença, fazemos uma nova integração para essa mulher, justamente para propor esse acolhimento. Ela precisa se sentir bem para voltar."
Da base ao topo: o fim do 'teto de vidro'
Se muitas empresas sofrem para encontrar líderes, a Leão os fabrica. Através da plataforma Trilho, sua universidade corporativa, a empresa treina desde o operacional até a alta gestão.
Os números impressionam:
85% do quadro passou por desenvolvimento ativo no último ano.
100% do Comitê Executivo (CEO e Diretores) é fruto de carreira interna.
Danielli é o exemplo vivo dessa cultura: entrou como supervisora e hoje comanda as áreas de RH, Comunicação, Saúde, Segurança e Meio Ambiente. "O maior desafio do RH é trazer o colaborador para o protagonismo da sua carreira. Não está só no discurso, está na prática", reforça.
Com um turnover de 17% — índice considerado saudável para o setor industrial —, a resposta para a permanência de talentos por 20 ou 30 anos é emocional. "É o clima, a paixão e a proximidade da liderança. O nosso CEO tem um papo aberto mensal com os colaboradores", finaliza a executiva.
Ao unir o acolhimento de uma empresa familiar com a estrutura de uma gigante global, a Leão mostra que o segredo para durar mais um século é tratar o funcionário não como um recurso, mas como o verdadeiro dono da história.
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