Anthropic balança o reino do COBOL e faz IBM perder 10% em um dia

Por André Lopes 24 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Anthropic balança o reino do COBOL e faz IBM perder 10% em um dia

Por muito tempo, ser desenvolvedor especializado em COBOL foi sinônimo de estabilidade quase vitalícia no setor de tecnologia. A lógica era simples: enquanto bancos, seguradoras e governos mantivessem sistemas escritos na linguagem criada nos anos 1950, sempre haveria orçamento para mantê-los funcionando. O anúncio da Anthropic, no início da semana, colocou essa percepção em xeque e derrubou 10% das ações da IBM no mesmo dia.

A Anthropic apresentou novas ferramentas baseadas no Claude Code, seu modelo voltado a desenvolvimento de software. A proposta é acelerar a modernização de sistemas corporativos escritos em COBOL, automatizando etapas que tradicionalmente exigem grandes equipes de consultoria.

A reação do mercado foi imediata. A IBM, que mantém divisões lucrativas dedicadas à atualização de sistemas legados, viu investidores precificarem um risco direto ao seu modelo de negócios.

Segundo o portal Investing.com, o impacto se espalhou pelo setor. As ações da Accenture recuaram 6,58%, enquanto a Cognizant caiu 6,00% no mesmo pregão. O mercado interpretou que a automação pode reduzir o tempo e o custo da modernização, pressionando o valor das consultorias tradicionais.

O movimento expõe uma dinâmica mais ampla. A inteligência artificial avança sobre nichos historicamente protegidos pela escassez de mão de obra especializada. No caso do COBOL, essa escassez sempre funcionou como barreira de entrada e como justificativa para projetos que se estendiam por anos.

O que está em jogo no universo do COBOL

O Common Business Oriented Language, conhecido pela sigla COBOL, foi criado no fim da década de 1950 para processar grandes volumes de dados administrativos e financeiros. Apesar da migração da indústria para arquiteturas modernas, a linguagem segue operando na infraestrutura econômica global.

Dados do Investing.com indicam que sistemas baseados em COBOL ainda gerenciam cerca de 95% das transações de caixas eletrônicos nos Estados Unidos. Centenas de bilhões de linhas de código permanecem ativas em bancos, companhias aéreas e órgãos governamentais.

Boa parte desses sistemas foi implementada antes da era da internet. A integração com plataformas atuais exige mapeamento detalhado de dependências e riscos operacionais. Além disso, muitos dos profissionais que planejaram essas arquiteturas já se aposentaram, reduzindo o contingente de especialistas disponíveis.

A Anthropic afirma que seu modelo consegue analisar grandes volumes de código simultaneamente, documentar fluxos de trabalho e identificar pontos críticos com menor intervenção humana. A promessa é encurtar projetos que tradicionalmente levariam meses ou anos.

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