Apesar da queda de 11%, bancos seguem otimistas com a Embraer; entenda
Apesar da volatilidade que levou as ações da Embraer a registrarem sua maior queda diária em quatro anos — um recuo de 11% no fechamento do pregão da quinta-feira, 12, a R$ 74,62 —, o sentimento do mercado financeiro em relação à fabricante brasileira permanece predominantemente otimista.
Um dos pontos centrais da tese de investimento, reforçado pelo JP Morgan, é que a Embraer negocia com um desconto injustificado em relação aos seus pares globais — o múltiplo EV/Ebitda, o qual relaciona o valor total da empresa à sua geração de caixa, está em cerca de 10,2 vezes para 2026 contra 15,7 vezes dos pares.
O Goldman Sachs destacou também que a empresa está ganhando participação de mercado em todos os quatro segmentos e apresenta uma conversão de fluxo de caixa livre (FCF, em inglês) cada vez mais forte.
No mercado internacional, onde a liquidez e a paridade com pares globais são maiores, os preços-alvo para os ADRs — recibos de ações em Nova York sob o ticker EMBJ — apresentam metas ainda mais agressivas. Cerca de 80% das instituições que cobrem o papel mantêm recomendação de "compra".
Analistas do JP Morgan elevaram o preço-alvo para US$ 84 por ADR, mas ressaltam que, se a empresa fosse avaliada sem o desconto histórico e incluindo a participação na subsidiária Eve, o valor justo poderia chegar a US$ 117.
O BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), por outro lado, lidera o otimismo com um preço-alvo de US$ 97, seguido pelo Safra com US$ 92, Morgan Stanley com US$ 90, Bradesco BBI com US$ 89, Santander com US$ 86 e Goldman Sachs com US$ 80.
Já no contexto local, o JP Morgan estabelece o preço-alvo de R$ 109 para as ações, sendo uma das visões mais positivas para o papel na B3. Já a XP Research mantém uma postura mais cautelosa, com preço-alvo de R$ 79, enquanto o Banco do Brasil projeta o valor de R$ 88.
O movimento de queda, segundo analistas, foi impulsionado por uma combinação perfeita de fatores macroeconômicos externos: aversão ao risco em mercados emergentes, escalada das tensões no Irã e a consequente alta no preço dos combustíveis, que pressiona o caixa das aéreas.
No entanto, para o investidor focado em fundamentos, o cenário interno da companhia conta uma história de robustez.
Por que os analistas continuam apostando em Embraer?
O principal pilar dessa confiança é a carteira de pedidos (backlog, em inglês), que encerrou o quarto trimestre no nível recorde de US$ 31,6 bilhões. Esse montante representa um crescimento de 20% em relação ao ano anterior, garantindo previsibilidade de receita para os próximos anos.
A divisão de Aviação Comercial lidera esse portfólio com US$ 14,5 bilhões, impulsionada por novos pedidos da TrueNoord e Air Côte d’Ivoire. Já a Aviação Executiva atingiu seu próprio recorde histórico, com US$ 7,6 bilhões em pedidos firmes.
A Embraer reportou uma receita líquida recorde de R$ 41,9 bilhões em 2025, superando o limite superior do seu próprio guidance. O Santander indicou, também, que o lucro operacional antes de juros e impostos (Ebit, em inglês) recorrente ficou entre 1% e 4% acima do consenso.
A empresa conseguiu, assim, manejar os custos mesmo diante de tarifas de importação nos Estados Unidos (EUA) durante parte do ano.
Para 2026, a Embraer projetou receitas entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões. Embora o Itaú BBA tenha classificado essas metas como "conservadoras" na frente comercial — devido a gargalos ainda persistentes na cadeia de suprimentos global —, o mercado vê um potencial de ganho não precificado.
Os analistas do Itaú BBA ressaltam que as projeções atuais de rentabilidade ainda não incorporam totalmente o cenário de isenção de tarifas para bens aeroespaciais nos EUA, recentemente anunciado pela administração americana.
A Embraer enfrentou uma tarifa de 10% em grande parte de suas exportações para os EUA em 2025, e o retorno ao regime de tarifa zero deve impactar positivamente as margens.
A geração de fluxo de caixa livre foi um destaque, somando US$ 738 milhões apenas no quarto trimestre, sustentando a rampa de produção de até 255 jatos estimada para 2026.
O segmento de Defesa e Segurança também se tornou um catalisador de valor. O BTG Pactual aponta que o ciclo de rearmamento global e possíveis novos contratos na Índia podem acelerar ainda mais este setor.
Já no horizonte da inovação, a subsidiária Eve continua a ser monitorada de perto. Com foco na certificação de seu eVTOL para 2027, a empresa já acumula uma carteira de intenções de US$ 14 bilhões.
Com as ações negociadas com desconto em relação aos pares globais, a aposta dos analistas é que a companhia brasileira ainda tem espaço para uma correção de valor para cima.
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