Petroleiras operam sem direção única mesmo com virada do petróleo

Por Clara Assunção 14 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Petroleiras operam sem direção única mesmo com virada do petróleo

As ações de petroleiras brasileiras operam sem direção única nesta sexta-feira, 13, em um pregão marcado por volatilidade do petróleo e pela digestão das medidas anunciadas pelo governo para conter a alta do diesel no país.

Por volta das 16h, os papéis da Brava Energia (BRAV3) registravam ligeira queda de 0,16%, praticamente estáveis no mesmo horário. Já as ações ordinárias da Petrobras (PETR3) subiam 0,28%.

Do lado das quedas, PetroRecôncavo (RECV3) recuava 0,23%, as preferenciais da Petrobras (PETR4) caíam 0,29% e Prio (PRIO3) liderava as perdas entre as petroleiras, com queda de 1,56%. No mesmo horário, o Ibovespa caía 0,43%, aos 178.516 pontos.

O desempenho misto ocorre mesmo com a nova alta do petróleo no mercado internacional. Pela manhã, os preços da commodity chegaram a cair, mas inverteram o sinal ao longo do dia. Às 15h, o Brent, referência global, subia 1,93%, cotado a US$ 102,38, enquanto o WTI avançava 2,21%, a US$ 97,94.

O movimento nas ações do setor ocorre após um pregão volátil na quinta-feira, 12, quando o governo federal anunciou um pacote de medidas para impedir que a disparada do petróleo no exterior se traduza em alta do combustível no Brasil.

Na ocasião, as petroleiras chegaram a operar com direções distintas: Petrobras subia, PetroRecôncavo ficava estável e Prio e Brava recuavam. No fechamento, porém, as ações da Petrobras terminaram em alta, a Prio ficou praticamente estável e os papéis da Brava registraram forte queda, superior a 6%.

Ações de petroleiras reagem às medidas do governo

As medidas anunciadas pelo governo combinam a retirada de PIS-Cofins sobre o diesel com a criação de um imposto de 12% sobre a exportação de petróleo bruto — o que tende a gerar impactos distintos entre as empresas do setor.

Segundo Flavio Conde, da Levante, o pacote tende a ser positivo para a Petrobras. Com o novo modelo, a companhia poderá elevar o preço da gasolina e do diesel e receber integralmente esse valor ao vender para as distribuidoras. Parte desse aumento — cerca de R$ 0,32 por litro — será compensada pelo governo por meio de uma subvenção às distribuidoras.

Ao mesmo tempo, o governo pretende reduzir o preço ao consumidor final com a retirada de PIS e Cofins e pressionando estados a reduzirem o ICMS, estratégia semelhante à adotada em 2022. “O desafio será garantir que essa redução de impostos seja de fato repassada ao consumidor final nos postos, algo difícil de fiscalizar em todo o país”, diz Conde.

Para a Prio, no entanto, o efeito tende a ser negativo. A empresa exporta praticamente todo o petróleo que produz e não vende no mercado interno. Com a criação de um imposto de 12% sobre exportações, parte relevante de sua receita passa a ser tributada.

Isso reduz o benefício que a companhia vinha obtendo com a alta do petróleo no mercado internacional. Ainda assim, a empresa conta com um fator positivo independente da medida: o início da produção no campo de Wahoo, que deve acrescentar cerca de 20 mil barris por dia à produção.

Já Brava e PetroRecôncavo tendem a ter impacto moderadamente positivo. Diferentemente da Prio, as companhias vendem petróleo e gás principalmente no mercado doméstico, o que significa que não serão afetadas pela nova taxação sobre exportações.

Com a possibilidade de repasse da alta internacional do petróleo para os preços internos, essas empresas podem se beneficiar do novo patamar da commodity sem arcar com tributação adicional. “Não é um ganho direto tão forte quanto no caso da Petrobras, mas cria um cenário relativamente favorável para suas operações”, afirma Conde.

Petrobras vai aumentar o preço do diesel

Nesta sexta-feira, um novo fator entrou na equação do mercado. A Petrobras anunciou que vai aumentar o preço do diesel vendido às distribuidoras a partir deste sábado, 14. O preço médio passará para R$ 3,65 por litro, alta de R$ 0,38. A última alteração no diesel havia ocorrido em maio de 2025.

Em comunicado, a estatal afirmou que, mesmo após o reajuste, o combustível ainda acumula queda real de preços desde o fim de 2022. Segundo a empresa, os preços do diesel A vendidos às distribuidoras registram redução acumulada de R$ 0,84 por litro, o equivalente a uma queda de 29,6%, considerada a inflação do período.

A companhia também afirmou que o impacto do reajuste tende a ser mitigado pela redução de impostos e pela subvenção anunciadas pelo governo.

Na quinta-feira, ao anunciar o pacote de medidas, o governo federal afirmou que o objetivo é evitar que a escalada da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã pressione o preço dos combustíveis no país.

Para analistas, porém, o setor ainda digere o impacto das novas regras. "Esse é um setor que deveria performar bem com petróleo alto, com juros altos e etc., mas essa tributação está pesando bastante”, afirma Renato Reis, analista fundamentalista da Blue3 Research.

"Quando você tem uma queda expressiva no Brasil, todo mundo aperta o botão de venda — tanto faz se é Prio, Petrobras ou qualquer outra ação", acrescenta.

Segundo o Itaú BBA, o programa de subsídio ao diesel anunciado pelo governo prevê um reembolso de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores, mecanismo semelhante ao adotado em 2018. O programa terá limite de R$ 10 bilhões e poderá durar até dezembro de 2026 — ou até que o teto de recursos seja atingido, o que, considerando o consumo histórico do combustível, poderia ocorrer já em setembro.

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