Argentina autoriza venda de vapes após 15 anos de proibição
O governo da Argentina publicou nesta semana uma resolução que libera a venda de cigarros eletrônicos no país após mais de uma década de proibição.
A medida permite a comercialização de vapes, dispositivos de tabaco aquecido, líquidos para vaporização e bolsas de nicotina, que passam a ser classificados oficialmente como produtos elaborados com tabaco.
A decisão provocou reação imediata de entidades médicas argentinas, que divulgaram uma carta conjunta criticando a resolução e classificando a medida como um “grave retrocesso” sanitário.
Segundo o Ministério da Saúde argentino, a mudança busca combater o mercado ilegal e estabelecer padrões de qualidade e segurança para produtos cujo consumo continua crescendo, principalmente entre adolescentes.
A pasta afirmou ainda que a proibição em vigor desde 2011 não conseguiu impedir o acesso da população aos dispositivos.
Consumo entre adolescentes foi citado pelo governo
A resolução menciona dados do 7º Estudo Nacional sobre Consumo de Substâncias Psicoativas em Estudantes do Ensino Médio.
Segundo o levantamento, a prevalência de consumo desses produtos chegou a 35,5% entre adolescentes em 2025.
Com a nova regulamentação, os dispositivos poderão ser registrados e vendidos legalmente no país.
O texto também estabelece restrições para embalagens e publicidade.
As regras incluem advertências sanitárias obrigatórias, proibição do uso de imagens de celebridades e vedação de elementos visuais considerados atrativos para crianças e adolescentes.
Também foram impostas limitações relacionadas a aromas e sabores.
O governo proibiu especificamente a venda de cigarros eletrônicos descartáveis com soluções pré-carregadas, considerados pelo ministério um dos principais formatos de iniciação entre jovens.
Entidades médicas criticam decisão
Organizações como a União Antitabagista Argentina (UATA), a Fundação Interamericana do Coração Argentina (FIC Argentina) e a Sociedade Argentina de Medicina (SAM) reagiram contra a medida.
Em carta conjunta, as entidades afirmaram que a resolução favorece a expansão de um mercado de produtos viciantes.
As entidades defendem que o aumento do consumo entre adolescentes deveria levar ao endurecimento das medidas de proteção, e não à liberação comercial.
Segundo o documento, os dispositivos podem causar dependência, afetar o desenvolvimento cerebral de adolescentes e elevar riscos cardiovasculares.
As organizações também alertam para possíveis impactos ainda desconhecidos sobre a saúde no longo prazo.
Críticas incluem rapidez da implementação
As entidades médicas também criticaram a forma como a resolução será implementada.
O texto entrou em vigor imediatamente após a publicação, enquanto o Ministério da Saúde terá 45 dias para organizar o sistema de registro dos produtos.
As organizações afirmam que a medida foi tomada em um cenário de “imprecisões e falta de coordenação governamental”.
Outro ponto questionado é a autorização para comercialização de sachês de nicotina com sabor mentol.
Segundo as entidades, a expansão comercial desses produtos pode estimular o consumo dual, dificultar o abandono do tabaco tradicional e criar novas gerações de dependentes em nicotina.
*Com O Globo
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