Arqueólogos acham papiro oculto em múmia de criança de mais de 2 mil anos

Por Mateus Omena 20 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Arqueólogos acham papiro oculto em múmia de criança de mais de 2 mil anos

Uma múmia de uma criança egípcia, estimada em oito anos, permaneceu por mais de um século no acervo do Museu Arquidiocesano de Wrocław, na Polônia, sem que seus elementos internos fossem totalmente compreendidos.

O material, envolto em linho, passou a ser analisado de forma detalhada apenas após um estudo iniciado em 2023 pela Universidade de Breslávia, coordenado pela pesquisadora Agata Kubala, com resultados divulgados em março deste ano.

O exame revelou a presença de um objeto ainda não identificado localizado na região do tórax da múmia. A identificação foi possível a partir do uso de tomografias computadorizadas e radiografias em alta resolução, que permitiram a visualização interna sem a remoção das bandagens.

A peça integra a coleção polonesa desde 1914, quando foi adquirida pelo cardeal Adolf Bertram. O primeiro estudo radiológico sistemático do corpo foi realizado apenas em 2025. Os resultados foram publicados na revista Digital Applications in Archaeology and Cultural Heritage, com base em técnicas digitais aplicadas à arqueologia, área que utiliza tecnologia para análise de artefatos sem intervenção física.

As análises indicam que a criança morreu há cerca de 2.000 anos, durante o período ptolomaico, fase da história do Egito sob domínio da dinastia grega fundada após Alexandre, o Grande. O processo de mumificação seguiu práticas tradicionais, como a excerebração transnasal, retirada do cérebro pelo nariz, e a remoção de órgãos internos.

Os pesquisadores identificaram um padrão de preparação considerado intermediário em termos de recursos, o que sugere origem social não elitizada. O principal ponto em investigação envolve o objeto detectado sobre o peito, que, segundo os exames digitais, pode corresponder a um papiro com o nome da criança ou um texto ritual associado à passagem para o além.

Outra possibilidade considerada, com base em informações do site Arkeonews, aponta para a presença de um amuleto inserido durante o processo de embalsamamento. Esse tipo de prática era comum em rituais funerários egípcios, para proteção espiritual.

Limitações técnicas e desafios arqueológicos

O estado de conservação do cartonnage, material composto por camadas de tecido e gesso que recobre a múmia, impede qualquer intervenção direta. A estrutura apresenta fragilidade, o que inviabiliza a remoção sem risco de danos ao conjunto.

A equipe de pesquisa trabalha no desenvolvimento de métodos que permitam aprofundar a análise sem comprometer a integridade física do artefato. A ausência de registros históricos detalhados, agravada por perdas documentais durante a Segunda Guerra Mundial, dificulta a identificação da criança.

Estudos estilísticos do cartonnage indicam possível origem no Alto Egito, em regiões como Kom Ombo ou Assuã. No entanto, não há confirmação documental que associe a múmia a uma família ou grupo específico.

Exames também confirmaram a aplicação de substâncias de embalsamamento, concentradas principalmente nas áreas do rosto e do pescoço. Apesar dos avanços nas técnicas de imagem, a causa da morte não foi determinada, já que não há indícios de traumas ou patologias evidentes nos restos analisados.

A presença do objeto desconhecido mantém a múmia como um caso em aberto dentro da arqueologia contemporânea. O estudo segue em andamento, com foco em métodos não invasivos que possam esclarecer a natureza do elemento identificado sem comprometer o material original.

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