As 7 propostas que empresas querem colocar no centro da eleição de 2026
Entidades representativas do setor produtivo lançam nesta terça-feira, 16, a agenda Compromissos para um Brasil Competitivo, documento que reúne propostas para enfrentar gargalos estruturais da economia brasileira e aumentar a competitividade do país.
Liderada pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC), a agenda será apresentada nas próximas semanas a lideranças partidárias e formuladores de programas de governo, em meio à construção das propostas que devem orientar a disputa presidencial de 2026.
O documento parte do diagnóstico de que o Brasil convive há décadas com obstáculos que limitam investimentos, inovação e produtividade.
Hoje, o chamado Custo Brasil representa cerca de R$ 1,7 trilhão por ano, o equivalente a 19,5% do PIB. Já a taxa de investimento nacional alcançou 16,8% do PIB em 2025, abaixo da observada em economias emergentes comparáveis.
Além das metas de investimento e redução de custos, a agenda prevê uma terceira macrometa: levar o Brasil ao grupo das 30 economias mais competitivas do mundo até 2030.
Hoje, o país ocupa a 58ª posição entre 69 países avaliados pelo ranking global de competitividade do IMD.
Segundo Tatiana Ribeiro, diretora-executiva do MBC, a proposta busca trazer para o centro do debate eleitoral temas que impactam diretamente a capacidade de crescimento do país.
“A discussão não é sobre o próximo mandato, mas sobre o país que queremos construir até 2030. O Brasil tem condições de crescer mais, atrair investimentos e aumentar sua produtividade, mas isso exige enfrentar temas estruturais que há anos seguem sem solução”, afirma.
Para a executiva, o principal desafio brasileiro está na implementação das soluções já conhecidas.
“O Brasil sofre pela incapacidade de transformar prioridades conhecidas em agenda de implementação. O custo dessa demora aparece na baixa produtividade, nos investimentos que deixam de acontecer e no crescimento abaixo do potencial do país”, diz.
Os sete compromissos defendidos pelo setor produtivo
A agenda parte da avaliação de que o Brasil perdeu competitividade ao longo das últimas décadas por causa de entraves que afetam investimentos, produtividade e inovação. Para reverter esse cenário, o documento reúne propostas em sete áreas consideradas estratégicas para o crescimento econômico.
Na frente fiscal, as entidades defendem medidas voltadas ao equilíbrio das contas públicas e ao aperfeiçoamento do sistema tributário. Entre as sugestões estão mecanismos para conter o avanço das despesas obrigatórias, revisar benefícios fiscais e garantir uma implementação da reforma tributária que preserve a segurança jurídica e simplifique o ambiente de negócios.
O documento também dedica espaço à redução da burocracia e ao fortalecimento da governança regulatória. A avaliação é que a fragmentação de normas e a falta de coordenação entre órgãos públicos aumentam custos e reduzem a previsibilidade para investimentos. Por isso, a agenda propõe simplificação regulatória, fortalecimento das agências reguladoras e maior coordenação entre União, estados e municípios.
Outro eixo considerado prioritário é a qualificação da mão de obra. O setor produtivo aponta escassez de profissionais qualificados em diversas áreas da economia e defende a ampliação do ensino técnico, programas de requalificação profissional e medidas para adaptar as relações de trabalho às transformações tecnológicas.
Na infraestrutura, a proposta busca reduzir a dependência do transporte rodoviário por meio da expansão de ferrovias, hidrovias e portos. As entidades também defendem maior participação da iniciativa privada em concessões e mecanismos que acelerem o licenciamento de projetos considerados estratégicos.
A competitividade energética aparece como outro tema central. O documento propõe reduzir encargos que pesam sobre a conta de luz, ampliar a concorrência no mercado de gás natural e aumentar a eficiência do sistema elétrico, aproveitando a vantagem da matriz energética majoritariamente renovável do país.
A agenda ainda inclui medidas de combate à ilegalidade e aos impactos da insegurança pública sobre a atividade econômica. Segundo as entidades, esses fatores elevam custos, reduzem investimentos e comprometem a previsibilidade necessária para o ambiente de negócios.
O texto trata ainda da transformação digital como um dos principais vetores de competitividade para os próximos anos. A proposta defende o uso de inteligência artificial para aumentar a produtividade das empresas e melhorar a eficiência dos serviços públicos, colocando a tecnologia no centro da estratégia de crescimento do país.
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