Atalhos para investir na OpenAI antes de IPO chegam ao Brasil

Por Rebecca Crepaldi 6 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Atalhos para investir na OpenAI antes de IPO chegam ao Brasil

A tese de tecnologia, principalmente da inteligência artificial, segue brilhando os olhos dos investidores. Mas com a OpenAI, dona do Chat GPT, há um impeditivo — ela não tem capital aberto. Entretanto, com um valuation de US$ 852 bilhões, empresas têm criado estratégias para conseguir surfar a onda.

Desde abril, pessoas físicas nos Estados Unidos podem investir indiretamente na OpenAI após o braço de venture capital da Robinhood anunciar um aporte de US$ 75 milhões na empresa responsável pelo ChatGPT.

Os recursos serão injetados por meio de um fundo cujas cotas foram disponibilizadas e investidores comuns, ampliando o acesso a companhias privadas de tecnologia. Vira de regra, somente grandes gestoras de capital de risco do risco Vale do Silício conseguem investir na OpenAI.

Agora, é possível também que brasileiros invistam na empresa. O movimento, porém, não significa que o varejo poderá simplesmente comprar ações da empresa — que ainda é privada —, mas sim acessar uma estrutura financeira que busca replicar sua valorização antes de uma eventual abertura de capital.

A iniciativa foi estruturada pela Hurst Capital, plataforma de ativos alternativos da América Latina, por meio de um Certificado de Recebíveis (CR) no Brasil que dá exposição indireta ao equity pré-IPO da OpenAI.

Na prática, o investidor não compra participação direta na companhia, mas um título lastreado em uma cadeia de investimentos internacionais que, por sua vez, está exposta à empresa de inteligência artificial.

Funciona assim: o CR emitido no Brasil tem como lastro direitos creditórios ligados a um contrato com a OurCrowd, plataforma global de venture capital com mais de US$ 2,3 bilhões sob gestão. Esse veículo internacional (um SPV, ou “special purpose vehicle”) é quem detém a exposição direta aos ativos da OpenAI.

Em outras palavras, o investidor brasileiro entra em uma estrutura em camadas: compra um CR local, que está conectado a um contrato internacional, que por sua vez está ligado a um veículo que investe na OpenAI. A ideia é investir na empresa antes do IPO.

Projeções de mercado indicam que a empresa pode chegar a um valor próximo de US$ 1 trilhão em uma eventual oferta pública inicial, esperada por alguns agentes do mercado entre 2026 e 2027.

A tese de investimento está ancorada no crescimento acelerado da base de usuários e na diversificação das receitas. Em dezembro de 2025, a plataforma teria alcançado cerca de 900 milhões de usuários ativos semanais e 50 milhões de assinantes pagos.

Qualquer pessoa pode entrar?

Segundo a Hurst Capital, a estrutura busca permitir acesso a uma classe de investimento historicamente restrita a grandes fundos internacionais e investidores de altíssimo patrimônio, que possuem US$ 500 mil disponíveis para operação. Em rodadas privadas, esse tipo de exposição costuma exigir aportes elevados e estruturas jurídicas no exterior.

Mas também há um ticket mínimo: R$ 30 mil. Segundo Arthur Farache, CEO da Hurst, a ideia de levar para pessoas com patrimônio um pouco maior é que, por ser um valor mais elevado, a pessoa irá entender e estudar as estruturas, a tese e os riscos.

“O investidor tem que, sim, saber que pode haver risco. Mas do nosso lado, fazemos de tudo para isolar totalmente esse ativo para o investidor. Entretanto, existe, por exemplo, o risco da OpenAI não conseguir arcar com as despesas ou ela não conseguir fazer um IPO e aí o investidor terá mais dificuldade em liquidez”, diz.

Entretanto, ele diz que caso o investidor queira vender o CR no Brasil, ele conseguirá. “Mas não é uma liquidez que teria se a Open AI fosse listada na na na Nasdaq”, afirma. Sobre o retorno, eles estimam uma rentabilidade de 15% a 20% em dólares ao ano.

Farache afirma que o movimento de levar investidores brasileiros a ativos como a OpenAI está diretamente ligado à mudança estrutural na geração de riqueza global. “Onde o mundo vai gerar riqueza de verdade? Vão ser nessas novas tecnologias, inteligência artificial, robótica, cibersegurança — tudo isso que raramente acontece no Brasil”, disse Farache.

Segundo ele, a proposta é permitir que o investidor local participe desse ciclo de valorização em empresas que ainda não abriram capital, mas já estão em estágios mais maduros. “São múltiplos de 30 vezes o dinheiro que você colocou”, conclui.

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