AtlasIntel: Para 51,7%, conversa com Vorcaro indica envolvimento de Flávio no caso Master
Para 51,7% dos brasileiros que souberam do vazamento, a conversa entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, retrata evidências de envolvimento direto do senador com o escândalo do banco, segundo pesquisa AtlasIntel divulgada nesta terça-feira, 19.
Outros 33,3% veem a conversa como uma tentativa legítima de conseguir apoio financeiro para a produção do filme sobre Jair Bolsonaro. Há ainda 12,1% que avaliam que o episódio mostra uma relação de proximidade entre Flávio e o dono do Master, mas sem comprovação de ilegalidade. Outros 2,9% não souberam responder.
O levantamento mostra que 95,6% dos entrevistados disseram ter ficado sabendo dos áudios e mensagens vazadas de supostas conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Entre os que souberam do vazamento, 93,9% afirmaram ter ouvido o áudio.
A pesquisa foi realizada após a divulgação de mensagens e áudios que revelaram uma relação próxima entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. As conversas revelaram que o senador buscou apoio financeiro do banqueiro para o filme Dark Horse, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo o material divulgado, Vorcaro teria prometido transferências que chegariam a US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na cotação da época. Ao menos R$ 61 milhões teriam sido efetivamente pagos.
Em uma das mensagens reveladas, Flávio cobra parcelas atrasadas e escreve ao banqueiro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!”.
Flávio negou irregularidades e afirmou que se tratava de uma iniciativa privada.
A pesquisa mostrou que a divulgação das conversas mudou a percepção de qual grupo político está mais envolvido no caso Master.
Para 43,3%, são principalmente os aliados de Bolsonaro que estão envolvidos. Outros 32,8% apontam principalmente os aliados de Lula.
Na comparação com março, houve inversão nesse indicador. Naquele mês, 39,5% apontavam os aliados de Lula como os mais envolvidos, enquanto 28,3% citavam os aliados de Bolsonaro.
Em maio, 16,1% dizem que todos estão igualmente implicados no esquema, 7,1% apontam principalmente o Centrão e 0,7% não sabem.
Áudios enfraquecem candidatura de Flávio para 64,1%
A pesquisa também mediu a percepção dos eleitores sobre o impacto político do episódio. Para 45,1%, a divulgação das conversas enfraqueceu muito a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
Outros 19% dizem que o episódio enfraqueceu um pouco a candidatura. Somados, os dois grupos chegam a 64,1%.
Há ainda 15% que afirmam que a divulgação não afetou a candidatura, enquanto 13,4% dizem que o episódio fortaleceu Flávio. Outros 7,3% não souberam responder.
Outros 21% afirmaram que o episódio não afeta sua disposição de voto.
Entre os que dizem ter ficado menos dispostos a votar no senador, 9,4% afirmaram estar muito menos dispostos, e 3,6% disseram estar menos dispostos. Somados, os dois grupos chegam a 13%.
Na direção oposta, 13,7% afirmaram estar muito mais dispostos a votar em Flávio Bolsonaro, enquanto 5,1% disseram estar mais dispostos. Juntos, os dois grupos somam 18,8%.
Eleitores de Bolsonaro defendem manutenção da candidatura
Mesmo com a percepção negativa mais ampla, a base bolsonarista segue majoritariamente favorável à permanência de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.
Entre eleitores de Jair Bolsonaro, 84,2% defendem que Flávio mantenha sua candidatura à Presidência. Outros 12,6% dizem que ele deveria retirar a candidatura e apoiar outro nome. Há ainda 3% que não sabem.
Maioria vê investigação legítima no vazamento
Em outra pergunta, a pesquisa mostra que 54,9% dos entrevistados que souberam do vazamento consideram que o episódio representa evidências obtidas em uma investigação legítima sobre possíveis irregularidades.
Outros 33% avaliam que o vazamento foi uma tentativa de prejudicar politicamente Flávio Bolsonaro. Para 9,7%, as duas interpretações são válidas por igual, enquanto 2,5% não sabem.
Apesar da repercussão, a maior parte dos entrevistados afirma que as informações presentes nas conversas não surpreenderam. Para 65,2%, o conteúdo não causou surpresa. Outros 20,5% disseram ter se surpreendido um pouco, e 14,3% afirmaram ter se surpreendido muito.
A pesquisa foi realizada com 5.032 brasileiros adultos entre os dias 13 e 18 de maio de 2026, por meio de recrutamento digital aleatório, método conhecido como Atlas RDR.
A margem de erro é de 1 ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06939/2026.
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