BNDES mira projetos de infraestrutura social em segurança pública
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) começou a estruturar uma nova frente de atuação em infraestrutura social, com foco em segurança pública.
Segundo o diretor de Planejamento e Relações Institucionais, Nelson Barbosa, em entrevista ao EXAME Infra, o banco já trabalha no desenho de projetos voltados a monitoramento, inteligência e combate ao crime, ainda em fase inicial de estruturação.
“Herdamos alguns projetos de PPP de presídio do governo anterior, que foram completados e agora estamos focado mais em projetos de investimento público e apoiar principalmente os estados”, disse Barbosa.
Segundo ele, o direcionamento acompanha a responsabilidade estadual sobre polícias e redes de segurança. Hoje, a violência e o combate ao crime são umas das principais preocupações da população brasileira, segundo pesquisas de opinião.
A estratégia marca uma mudança de foco: em vez de concessões e PPPs — parcerias público-privadas —, o banco prioriza projetos integralmente públicos.
“Esses projetos não são PPP nem concessão, são projetos 100% públicos”, afirmou.
Na prática, o BNDES trabalha na criação de um portfólio estruturado de iniciativas.
“Estamos em parceria com o Ministério da Justiça e com o Supremo Tribunal Federal, procurando fazer um banco de projetos de segurança pública”, disse o diretor.
A ideia inclui ações em iluminação urbana, equipamentos, inteligência e combate ao crime cibernético.
O modelo segue a lógica já aplicada em mobilidade urbana: estruturar projetos antes da disponibilidade de recursos.
“O importante é ter os projetos prontos para quando a janela de oportunidade se abrir”, afirmou Barbosa.
Infraestrutura social ganha espaço na carteira
A entrada da segurança pública ocorre em um momento de avanço da chamada infraestrutura social dentro do banco. Segundo Barbosa, o segmento já registra evolução em educação e começa a ganhar tração em saúde.
“A área de infraestrutura social já começou a andar bastante na educação, está começando a decolar na saúde e esperamos apoiar mais projetos de segurança pública”, afirmou.
No financiamento, o banco observa uma mudança estrutural. Parte crescente dos projetos tem sido viabilizada via mercado de capitais, por meio da emissão de debêntures — títulos de dívida corporativa.
O BNDES atua como coordenador em algumas dessas operações e mantém fundos dedicados a áreas estratégicas, como infraestrutura ambiental e social.
Apesar do volume expressivo de projetos, o ritmo de execução pode variar conforme o cenário macroeconômico e o ciclo político. Em ano eleitoral, como 2026, há ajustes no cronograma, mas o banco mantém o planejamento de longo prazo.
“Nossos projetos são mais de Estado do que de governo. Por definição vão atravessar mais de um mandato”, disse Barbosa. Segundo ele, cabe às próximas gestões definir o ritmo de execução, mas o legado de projetos estruturados permanece disponível.
Hoje, a carteira do BNDES soma mais de 140 projetos, com cerca de R$ 250 bilhões em investimentos previstos, distribuídos entre concessões, logística e agora também iniciativas de impacto social, como segurança pública.
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