Bolsas nos EUA sobem com sinal de Trump sobre possível acordo com Irã
As bolsas norte-americanas operavam em alta na manhã desta terça-feira, 21 de abril de 2026, impulsionadas por declarações do presidente Donald Trump sobre um possível acordo com o Irã e por uma safra positiva de resultados corporativos. Às 10h30 (horário de Brasília), o Dow Jones subia 274 pontos, ou 0,56%, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq Composite avançavam 0,17% cada.
O movimento de alta ocorre um dia após leve realização, quando o Nasdaq encerrou uma sequência de 13 pregões consecutivos em alta, a maior desde 1992, e com os investidores atentos ao prazo do cessar-fogo entre Washington e Teerã, que expira nesta quarta-feira.
Trump sinaliza acordo, mas mantém ameaça militar
Em entrevista ao programa Squawk Box, da CNBC, Trump afirmou que as negociações devem resultar em um entendimento favorável aos EUA.
"Vamos chegar a um grande acordo. Eles não têm escolha. Destruímos sua Marinha, sua Força Aérea e seus líderes", declarou o presidente.
Trump acrescentou, porém, que as Forças Armadas americanas estão "prontas" para bombardear o Irã caso um acordo não seja firmado até o prazo e que não pretende prorrogá-lo.
Mais cedo, ainda nesta terça, o presidente havia publicado em sua rede Truth Social que o Irã "violou o cessar-fogo inúmeras vezes".
Diante desse cenário, os preços do petróleo seguiam relativamente estáveis após forte queda nos dias anteriores, em antecipação a um acordo. O WTI recuava 0,6%, para cerca de US$ 89 o barril, enquanto o Brent cedia 0,3%, sendo negociado acima de US$ 95.
Para Russ Mould, diretor de investimentos da AJ Bell, citado pela AFP, os preços abaixo de US$ 100 sinalizam um otimismo moderado do mercado. "Os preços do petróleo permaneceram abaixo de US$ 100 o barril, o que sugere um otimismo cauteloso de que o conflito no Oriente Médio não se intensificará", avaliou.
Ele alertou, no entanto: "Quanto mais tempo o petróleo permanecer na faixa dos US$ 90, maior a probabilidade de um choque inflacionário e uma instabilidade na atividade econômica global."
Resultados corporativos animam Wall Street
Entre os destaques do dia, as ações da UnitedHealth saltavam mais de 7% após a gigante dos seguros de saúde divulgar resultados do primeiro trimestre acima das expectativas de analistas e elevar sua projeção de lucros para o ano inteiro. A construtora DR Horton também apresentava forte valorização no pré-mercado, igualmente beneficiada por balanço trimestral que superou as estimativas.
Em sentido contrário, os papéis da 3M operavam sob pressão. Apesar de o conglomerado industrial ter reportado resultados acima do esperado no primeiro trimestre, a projeção decepcionante para o restante do ano pesou sobre as ações.
Varejo dos EUA surpreende positivamente
Na agenda econômica, o Departamento de Comércio divulgou que as vendas no varejo americano subiram 1,7% em março, acima da projeção de 1,4% feita pelo mercado. Excluindo veículos e peças, o avanço foi ainda mais expressivo: 1,9%, contra expectativa de 1,3%. Os dados reforçam a avaliação de que a economia americana mantém resiliência mesmo em meio às incertezas geopolíticas.
Estrategistas seguem otimistas com ações
Apesar da cautela em torno do Oriente Médio, analistas mantêm perspectiva favorável para as bolsas norte-americanas. Ohsung Kwon, estrategista-chefe de ações do Wells Fargo, reiterou à CNBC uma visão construtiva para o mercado. "Ainda acreditamos que o mercado vai superar as expectativas para cima. Temos uma meta de 7.300 pontos para o S&P 500 até julho, que é basicamente nossa meta para o fim do ano", disse ele no programa Closing Bell: Overtime, na segunda-feira.
"Acho que a economia vai bem pelos próximos três meses." O patamar projetado representaria uma alta de 3% em relação ao fechamento de segunda-feira.
Mais tarde, o futuro presidente do Federal Reserve, Christopher Waller, será ouvido pelo Comitê Bancário do Senado, em uma audiência de confirmação.
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