'Bons parceiros devem ser tratados como bons parceiros' diz governo após decisão da UE

Por César H. S. Rezende 13 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
'Bons parceiros devem ser tratados como bons parceiros' diz governo após decisão da UE

Representantes do governo brasileiro e da União Europeia iniciam, nesta quarta-feira, 13, uma série de reuniões presenciais para discutir a decisão do bloco de excluir o Brasil da lista de países aptos a exportar carnes para a UE.

Em Brasília, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua, encontra-se, pela manhã, com a embaixadora da União Europeia em Brasília, Marian Schuegraf. Segundo o secretário, o objetivo é entender os motivos que levaram o bloco europeu a tomar a medida.

"Bons parceiros devem ser tratados como bons parceiros. O Brasil não é amador quando se trata de proteínas animais. O país exporta para a União Europeia há 40 anos. É uma situação que, de certa forma, nos pegou de surpresa. Então vamos entender melhor, mas acredito que há caminho para solucionar", disse, em entrevista à EXAME.

Em Bruxelas, o embaixador do Brasil junto à União Europeia, Pedro Miguel da Costa e Silva, se encontrará com representantes do órgão sanitário europeu para tentar compreender melhor a sanção imposta ao Brasil.

Na terça-feira, 12, a UE divulgou uma lista de países autorizados a continuar exportando carne para o bloco, de acordo com as normas europeias de controle do uso de antibióticos na pecuária. O Brasil foi excluído dessa lista, enquanto países como Argentina, Colômbia e México foram incluídos por atenderem às exigências sanitárias europeias.

Em 2025, o Brasil exportou US$ 1,8 bilhão em carnes (bovinas e carne branca) para os 27 países da União Europeia, tornando o bloco o segundo maior destino das exportações brasileiras de carne, atrás apenas da China, que importou US$ 9,8 bilhões no mesmo período. Em termos percentuais, apenas 3,6% da carne bovina do Brasil é exportada para a UE.

Entre janeiro e abril de 2026, o Brasil exportou 1,091 milhão de toneladas de carne bovina, um aumento de 14,6% em relação ao mesmo período de 2025. A UE ocupa o quinto lugar entre os compradores brasileiros deste ano, com 34,7 mil toneladas e US$ 299,7 milhões em compras, uma alta de 17,7% no volume em relação ao ano passado, de acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).

Segundo o secretário, o Brasil cumpre com os requisitos europeus de controle sanitário e de segurança alimentar. “Temos certeza de que atendemos a todos os requisitos da União Europeia e vamos trabalhar para reverter essa decisão. Sabemos que a situação exige uma análise cuidadosa, mas acreditamos que há caminho para resolver o impasse", afirmou.

O governo brasileiro ainda não tem uma previsão de quando poderá haver uma solução, mas espera que as conversações sejam produtivas e conduzam à reversão dessa exclusão, o que, segundo Rua, "pode levar algum tempo, mas não é uma questão impossível de ser resolvida".

Reação do governo

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que recebeu com "surpresa" a notícia sobre a exclusão do Brasil da lista de países habilitados a exportar carnes e produtos de origem animal para a União Europeia.

Em comunicado conjunto, os Ministérios da Agricultura, do Comércio Exterior e das Relações Exteriores informaram que buscarão reverter essa decisão.

"O Governo do Brasil tomará prontamente todas as medidas necessárias para reverter essa decisão, voltar à lista de países autorizados e garantir o fluxo de vendas desses produtos para o mercado europeu, para o qual exporta há 40 anos", diz o texto.

Segundo as pastas, a decisão decorre do resultado da votação realizada hoje no Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia, que aprovou uma atualização dessa listagem. No entanto, os Ministérios reforçaram que, no momento, as exportações brasileiras de produtos de origem animal continuam normalmente.

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