Bradesco prevê R$ 15 bi em ofertas na bolsa este ano: 'chances de IPO'
Para o vice-presidente do Bradesco, Bruno Boetger, responsável pelo banco de atacado há uma "janela de oportunidade" para operações seletivas no mercado de capitais brasileiro. Em coletiva realizada nesta terça-feira, 7, durante a 12ª edição do Brazil Investment Forum, apesar da volatilidade recente, ainda há espaço para emissões de qualidade ao longo de 2026.
"Há uma janela de oportunidades para ofertas selecionadas, estimamos em torno de 10 ofertas no ano, isso no total, considerando follow-ons e falando de empresas na B3. Um movimento de R$ 15 bilhões, algo muito parecido com o ano passado", afirmou Boetger.
O pano de fundo, no entanto, é um cenário global tensionado e com limites. O prazo estabelecido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o Irã aceite um acordo vence às 21h desta terça, com ameaças de um ataque de grande escala a infraestruturas críticas do país.
Mais cedo, em seu perfil no Truth Social, Trump elevou o tom ao dizer que “uma civilização inteira” pode desaparecer, mencionando inclusive a possibilidade de mudança de regime.
Para Boetger, esse ambiente reforça a volatilidade, principal risco e inimiga dos mercados.
"Um tema é a guerra e outro tema, como consequência da guerra, é volatilidade. A volatilidade é ruim para os mercados, porque você perde um pouco de noção das coisas", afirmou.
Ainda assim, o VP do Bradesco destacou que há fatores positivos sustentando os ativos brasileiros. "Olhando o copo meio cheio, tivemos o início do ciclo de queda de juros. A sinalização dos 25 pontos-base na última reunião do Copom foi bastante positiva. A bolsa está no all time high, com valorização de quase 20% no ano, e o investidor estrangeiro continua entrando no Brasil", disse o executivo aos jornalistas.
Segundo o executivo, o fluxo externo segue como principal suporte da bolsa, somando cerca de R$ 54 bilhões no ano, o equivalente a aproximadamente 200% de todo o ingresso registrado em 2025. Esse apetite também tem se refletido nas ofertas recentes, com participação de estrangeiros entre 50% e 60%.
A projeção do Bradesco de cerca de 10 operações de equity na B3 em 2026, considerando tanto IPOs quanto follow-ons, com um volume financeiro estimado em torno de R$ 15 bilhões já está revisada para baixo em função do aumento da incerteza.
Boetger reconhece que as operações subsequentes, os follow-ons, tendem a ser mais viáveis no cenário atual, mas não descarta aberturas de capital. "Pelo menos um IPO pode acontecer", resumiu.
Os setores com maior probabilidade de acessar o mercado são aqueles menos sensíveis ao ciclo econômico, segundo o responsável pelo banco de atacado. "As oportunidades são mais óbvias em infraestrutura, como saneamento, energia, portos e rodovias, que são menos cíclicos", afirmou.
Cenário de renda fixa é cauteloso
Se no mercado de ações ainda há espaço, ainda que seletivo, o cenário para renda fixa é mais cauteloso. Segundo Boetger, o mercado de crédito passa por um momento de reavaliação, com investidores mais criteriosos na alocação de recursos.
"O mercado está mais seletivo, passando por uma parada para respirar e reprecificação do risco", disse. Há uma clara preferência por ativos de maior qualidade de crédito (high grade), segundo o executivo, em detrimento de papéis mais arriscados (high yield). Esse movimento tem sido acompanhado por uma abertura de spreads entre 40 e 70 pontos-base nas novas emissões.
A projeção do banco é de um volume de emissões locais em torno de R$ 550 bilhões em 2026, abaixo dos cerca de R$ 740 bilhões registrados no ano passado.. Além disso, a captação líquida dos fundos de crédito já está negativa em aproximadamente R$ 6 bilhões, revertendo o saldo positivo de cerca de R$ 40 bilhões em 2025.
Parte desses recursos tem migrado para instrumentos mais conservadores, como CDBs de grandes bancos e títulos públicos, à espera de maior visibilidade para novas alocações, de acordo com Boetger.
No mercado externo, o cenário também é mais desafiador, a estimativa é de emissões entre US$ 20 bilhões e US$ 25 bilhões neste ano, abaixo do intervalo de US$ 30 bilhões a US$ 36 bilhões do ano passado, refletindo maior cautela do investidor estrangeiro com o crédito brasileiro.
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