Brasil aposta em sucessos culturais para atrair mais turistas estrangeiros

Por EFE 8 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Brasil aposta em sucessos culturais para atrair mais turistas estrangeiros

A indústria criativa brasileira nunca esteve tão em alta. Desde vídeos virais nas redes sociais até prêmios internacionais do calibre do Oscar e do Grammy, a popularidade de conteúdos nacionais tem contribuído para a criação de vínculos entre estrangeiros e o país, transformando-se em um ímã para turistas e fãs de todo o mundo.

Com o fenômeno da internet como propulsor, a cultura e as histórias contadas por artistas brasileiros já não têm fronteiras, e não faltam exemplos dessa realidade. Músicas brasileiras aparecem com frequência entre as 50 mais tocadas nos rankings globais diários da plataforma Spotify.

Apesar da barreira do idioma, a música "Jetski", do DJ brasileiro Pedro Sampaio, apareceu no final de março entre as 40 virais mais tocadas da plataforma na Espanha.

Além disso, em países vizinhos como Argentina, Paraguai e Uruguai, faixas brasileiras também ficaram entre as 30 mais ouvidas no streaming, segundo dados referentes ao mês de março.

No setor audiovisual, esse protagonismo também não é diferente, e cresceu ainda mais depois do sucesso de “Ainda Estou Aqui”.

A produção dirigida por Walter Salles e estrelada por Fernanda Torres e Selton Mello catapultou ainda mais o cinema brasileiro ao conquistar uma série de prêmios internacionais, incluindo uma estatueta inédita na categoria de melhor filme internacional no Oscar 2025.

Seguindo a tendência, "O Agente Secreto" manteve a imagem da indústria cinematográfica brasileira em alta em 2026, com dois Globos de Ouro e quatro indicações ao Oscar.

Além disso, o filme de Kleber Mendonça Filho e protagonizado por Wagner Moura permaneceu durante duas semanas entre os cinco principais filmes de língua não inglesa mais assistidos globalmente na Netflix, com quase 4 milhões de visualizações entre 9 e 22 de março.

Estratégia por trás dos recordes

Com uma indústria criativa tão potente em capacidade de gerar identificação e conexões emocionais com o público, o Brasil transformou essa fonte de "soft power" em uma de suas principais ferramentas estratégicas de promoção internacional e um dos pilares fundamentais do Plano Brasilis, lançado pela Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) em 2025.

"Quando o Brasil aparece de forma positiva nas telas globais, quando nossa música viraliza, quando nossos festivais conquistam o mundo, desperta-se um desejo real de visitar o país. É o que refletem os dados: 2024 e 2025 foram anos históricos, com recordes de chegada de turistas e de receitas", destacou o então presidente da Embratur, Marcelo Freixo.

Em 2025, o Brasil alcançou a marca histórica de 9.287.196 visitantes estrangeiros, número 37,1% maior do que o registrado em 2024.

Além de superar as metas previstas, esse crescimento expressivo fez com que o país liderasse o crescimento do turismo internacional no mundo em 2025, segundo dados da ONU.

Depois dessas marcas históricas, o Brasil alcançou, entre janeiro e fevereiro de 2026, o segundo melhor resultado para o bimestre já registrado, com a chegada de mais de 2,6 milhões de visitantes internacionais.

Houve também um crescimento importante no número de turistas vindos da Europa e da América do Sul em comparação com o mesmo período do ano passado, com destaque para países como Colômbia (+37%), Portugal (+29,7%), Alemanha (+17%), Reino Unido (+14,5%) e Chile (+11,3%).

Momento e voz da brasilidade

Para debater sobre como continuar avançando com resultados tão positivos e consistentes, a Embratur organizou na última semana de março, em Brasília, a segunda edição do Visit Brasil Summit.

Durante o evento, que teve como temática central "O momento e a voz da brasilidade", especialistas e autoridades destacaram o posicionamento do país como referência no turismo internacional e elogiaram a metodologia e a visão holística por trás do Plano Brasilis, assim como sua execução.

Nesse sentido, Maurício Mota, empresário e produtor brasileiro radicado em Los Angeles, destacou que "o turismo brasileiro é hoje a maior potência de geração de 'soft power' do país e a indústria que gera o maior produto nacional de exportação e viralização global".

"A tecnologia do afeto é o nosso maior produto de exportação. Tudo o que fazemos no Brasil leva afeto. Tudo de diferente que fazemos é pelo afeto, e todas as etapas do turismo brasileiro também são enriquecidas por essa tecnologia", ressaltou.

Para ele, se o Brasil conseguisse adotar novas maneiras de organizar essa tecnologia, “em 10 anos poderia ser a próxima Coreia do Sul”, um país que, segundo disse, não tem “nem 10% da criatividade” brasileira, mas está contando globalmente histórias que poderiam ser do Brasil.

Poder das boas histórias

Essa virada de chave pode estar no Plano Brasilis, que conta com um forte apelo audiovisual e cultural.

Além de utilizar esses formatos para potencializar seus objetivos de comunicação, o plano prevê medidas para fomentar o desenvolvimento de um setor que pode ser um dos principais motores do crescimento do turismo nacional.

Entre elas estão editais e projetos de financiamento para a produção e difusão de conteúdos audiovisuais nacionais e a criação de comissões que facilitam os processos burocráticos e logísticos para a realização de produções no país.

Com uma visão mais ampla do assunto, a empresária e especialista em branding global Ana Couto destacou, durante o evento, que o Brasil está voltando a ocupar um lugar muito poderoso no cenário internacional, com uma autoridade autêntica, resultado de uma característica que está no DNA do brasileiro: contar histórias.

"Temos que continuar fazendo isso de forma mais intencional e estratégica. Quando ganhamos um Oscar, é porque estamos trabalhando para isso, e porque estamos começando a deixar de importar para exportar quem somos", afirmou.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: