Brasil supera 'crise aguda' de liberdade de expressão após anos de hostilidade, diz estudo
O Brasil superou uma “crise aguda” relacionada à liberdade de expressão, mas ainda enfrenta desafios estruturais no setor de comunicação, segundo avaliação do Índice Chapultepec 2025.
O relatório foi divulgado nesta terça-feira, 10, pela Associação Interamericana de Imprensa, Iapa, organização que monitora o estado da liberdade de imprensa nas Américas.
No levantamento mais recente, o Brasil alcançou 72,14 pontos e avançou da quinta para a quarta posição no ranking regional. O país passou a integrar a categoria classificada como Baixa Restrição à liberdade de expressão.
O Índice Chapultepec funciona como um indicador anual que mede o ambiente institucional e político para a liberdade de imprensa e de expressão no continente americano.
De acordo com a associação, o país atravessou um processo de reorganização institucional após anos de tensão entre o Poder Executivo e o setor de comunicação. O relatório analisa o período entre 2 de novembro de 2024 e 1º de novembro de 2025, durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo a organização, o cenário atual apresenta mudanças em relação aos anos anteriores. A Iapa afirma que o país “superou uma crise aguda”, mas ainda busca alcançar estabilidade plena no campo da liberdade de expressão.
O relatório aponta que a melhora na posição do Brasil em rankings internacionais ocorreu em meio a uma comunicação institucional considerada mais moderada por parte do governo federal.
Relatório aponta concentração de mídia e “Desertos De Notícias”
Apesar da melhora no ranking, o estudo destaca vulnerabilidades estruturais no setor de comunicação brasileiro.
Entre os principais desafios está a concentração econômica da propriedade dos veículos de comunicação. O relatório também menciona a formação de desertos de notícias, termo utilizado para áreas sem cobertura jornalística local, especialmente em regiões rurais.
Segundo a associação, nesses territórios a ausência de fiscalização jornalística pode facilitar a atuação de agentes políticos e organizações criminosas sem acompanhamento público.
O documento também aponta um ambiente considerado mais aberto no Poder Legislativo, onde temas ligados à independência da imprensa estão em debate.
Mesmo assim, a Iapa afirma que a segurança dos jornalistas permanece como um ponto de atenção. O relatório registra que profissionais da imprensa enfrentam ameaças que se tornaram mais complexas e menos visíveis.
No cenário regional, a entidade identificou deterioração das condições para liberdade de imprensa e expressão no hemisfério. Mesmo nesse contexto, o Brasil aparece entre os 12 países que registraram melhora na classificação do índice em 2025.
*Com informações da agência EFE.
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