Brasileiros buscam imóveis mais baratos em meio à incerteza das eleições
Na primeira metade de 2026, entre anúncios de candidaturas e debates sobre o futuro da economia, uma parcela significativa dos compradores de imóveis decidiu repensar suas prioridades. O primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 acontece no início de outubro. Em pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana, o presidente Lula lidera a corrida no primeiro turno com 39% dos votos. Flávio Bolsonaro aparece em seguida, com 29% dos votos.
Meses antes do pleito, segundo levantamento do Grupo OLX, cerca de 23% dos potenciais compradores admitem que as eleições presidenciais influenciam sua decisão de aquisição. Entre eles, quase metade passou a buscar imóveis de menor valor, numa postura mais cautelosa, enquanto outros optaram por acelerar a compra antes do início do novo governo ou decidir apenas após a definição do pleito.
"A população geralmente não consegue enxergar a correlação direta entre a taxa Selic e o imóvel que ela está comprando, por exemplo. Mas conseguimos entender que há um receio de como a eleição vai acontecer e de como vai ficar o financiamento imobiliário", explica Coriolano Lacerda, head de Inteligência Imobiliária do Grupo OLX.
A grande dúvida para o consumidor final é se ele vai ou não ter emprego para conseguir terminar de pagar seu imóvel. Isso não é algo restrito às eleições de 2026, mas um receio que paira sobre os consumidores de quatro em quatro anos.
"Em ano de eleição presidencial, o próprio mercado costuma retrair o número de lançamentos, tanto em unidades, quanto em VGV (valor geral de vendas) e empreendimentos", afirma Lacerda. Nesse balaio, há também receio do custo do crédito para o próprio empresariado e mudanças em plano diretor e nos programas habitacionais, que são o grande combustível do mercado imobiliário brasileiro.
Em São Paulo, por exemplo, foram registradas 89.115 unidades lançadas em 2022, ano da eleição presidencial, número que cresceu consistentemente nos anos seguintes, chegando a 128.290 unidades em 2025. Um movimento semelhante ocorreu no Rio de Janeiro, que passou de 15.059 lançamentos em 2022 para 18.921 em 2024, e em Belo Horizonte, onde os lançamentos saltaram de 3.254 unidades em 2022 para 5.675 em 2023.
Além do volume de unidades, o número de novos empreendimentos também mostrou retração em anos eleitorais. No Rio de Janeiro, foram 97 novos projetos lançados em 2022, número que se manteve estável ou apresentou queda nos anos seguintes, enquanto em Belo Horizonte o total passou de 88 empreendimentos em 2022 para 104 em 2023, evidenciando uma retomada após o período eleitoral.
O estudo foi conduzido de 1º a 30 de abril com 343 usuários dos portais OLX, ZAP e Viva Real. A idade média dos entrevistados é de 45 anos, com predominância feminina (56%), e 84% pertencem às classes B ou C e fazem parte da População Economicamente Ativa (PEA). A composição familiar é majoritariamente de lares com filhos (70%), sendo que mais da metade dos respondentes são casados e 53% possuem animais de estimação.
A distribuição geográfica concentra-se no Sudeste (51%), seguido pelo Nordeste (27%), Norte (9%), Sul (8%) e Centro-Oeste (6%).
O mercado vai esfriar?
Isso não significa, no entanto, que haja redução de demanda durante os anos eleitoras, mas sim um rearranjo.
"O mercado não vai esfriar. As pessoas não estão deixando de comprar, mas mudando a faixa de preço dos imóveis. Isso inclusive pode impactar a venda de imóveis dentro do Minha Casa, Minha Vida, que agora tem um limite de até R$ 600 mil. Eles naturalmente geram mais interesse", explica.
Entre os 23% que reconhecem o impacto das eleições em suas decisões, 42% passaram a buscar imóveis mais baratos, 27% aceleraram a compra e 23% aguardam o resultado das urnas para decidir. O efeito é mais intenso entre homens (30%) e pessoas com filhos sem animais de estimação (31%), indicando que a percepção de risco político se combina com fatores familiares e de planejamento financeiro.
Quando o assunto é expectativa de preços, o mercado se mostra dividido. Quase metade dos entrevistados acredita que os valores permanecerão estáveis (43%), enquanto 49% preveem alta e 16% projetam queda. A diferença entre os grupos é clara: entre os que se dizem influenciados pelas eleições, 54% esperam aumento nos preços, enquanto entre os não influenciados apenas 38% preveem valorização, e quase metade (48%) aposta na estabilidade.
No Norte do país, o pessimismo é mais intenso, com cerca de dois terços dos compradores esperando alta nos valores.
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