BTG prevê melhora em balanço da Petrobras após dado de produção
A Petrobras abriu 2026 com o melhor nível de produção de petróleo da sua história, e o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) anunciou nesta segunda-feira, 4, uma alta no preço-alvo para a estatal.
Os recibos das ações negociados na bolsa dos Estados Unidos (ADRs, na sigla em inglês) foram de US$ 21 (R$ 56) para US$ 25 (R$ 62) em 2026, com o banco mantendo recomendação de compra.
O avanço foi sustentado pela entrada de novas plataformas tanto no pré-sal quanto no pós-sal, ampliando a capacidade produtiva da companhia.
O segmento de refino também teve desempenho sólido, com taxa de utilização de 95% no período. A produção de derivados cresceu 6% na comparação anual, enquanto as vendas avançaram 3%.
O movimento indica não apenas maior volume processado, mas também uma operação mais eficiente ao longo da cadeia, especialmente em um cenário de preços mais altos do petróleo, segundo o banco.
Novas projeções para Petrobras
Com base nos dados operacionais, o banco projeta um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, em inglês) de cerca de US$ 13 bilhões para o período.
A estimativa combina a alta recente do Brent com o aumento de produção e uma leve redução no custo de extração, que deve cair de US$ 9,10 para US$ 8,90 por barril.
O banco também espera geração de fluxo de caixa livre de US$ 4,8 bilhões e pagamento de dividendos de US$ 2,1 bilhões no trimestre, o que equivale a um dividend yield de 1,5%.
O BTG considera, ainda, um aumento de capital de giro de US$ 831 milhões, capex de US$ 4,9 bilhões e entradas não recorrentes de caixa de US$ 760 milhões em acordos nos campos de Sépia, Atapu e Tupi.
Brent mais alto muda as contas
A revisão do preço-alvo também reflete uma mudança nas premissas do banco para o petróleo. O BTG passou a trabalhar com o Brent a US$ 82 por barril em 2026, US$ 75 em 2027 e US$ 70 a partir de 2028.
A Petrobras deve entregar, assim, um retorno de fluxo de caixa ao acionista próximo de 11% e dividend yield em torno de 9% em 2026, ambos acima da média de pares do setor, conforme expectativas do banco.
Percepção de risco e eleições
Na visão dos analistas, a estatal continua sendo um caso único entre grandes empresas de energia de mercados emergentes devido à produção, geração de caixa e capital aberto na bolsa de valores.
Isso ajuda a sustentar a tese de investimentos em um ambiente mais volátil, com impactos da guerra no Irã.
O relatório também destaca que a companhia poderia se beneficiar de um cenário político mais "positivo" no Brasil, a partir das eleições em outubro, isto é, com um cenário de risco mais contido.
Além disso, uma eventual queda de cerca de dois pontos percentuais no custo de capital próprio poderia adicionar cerca de US$ 5 por ADR ao preço-alvo, levando-o para até US$ 30.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: