ByteDance surpreende China com Seedance 2.0, mas modelo de IA tem dificuldades para vingar

Por Maria Eduarda Cury 6 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
ByteDance surpreende China com Seedance 2.0, mas modelo de IA tem dificuldades para vingar

A ByteDance, dona do TikTok, lançou uma nova versão da inteligência artificial de vídeos Seedance que só pode ser utilizada por usuários chineses. Intitulada Seedance 2.0, ela tem surpreendido profissionais da indústria como Feng Ji, fundador do estúdio responsável por Black Myth: Wukong, mas o acesso até então restrito para consumidores de aplicativos que só funcionam para residentes da China pode se tornar mais liberal em breve.

Uma atualização da API da plataforma feita nesta semana parece indicar que a empresa se prepara para liberar o acesso para desenvolvedoras terceiras, apontou uma análise do IT Home. O novo texto diz que custará US$ 2 para gerar um vídeo de dois segundos fora dos apps selecionados para testar a nova versão do Seedance —Doubao, Jimeng, Xiaoyunque e Spark.

A empresa, entretanto, enfrenta problemas de recursos computacionais e ameaças judiciais para conseguir transformar o produto em um sucesso também em países ocidentais. O app original, Seedance, se tornou alvo de notificações legais após ameaças de estúdios de entretenimento em decorrência do uso de personagens fictícios das marcas para vídeos falsos, afastando a tecnologia da indústria cinematográfica dos Estados Unidos e outros países fora do Oriente.

Falta de GPUs e ações judiciais

O estopim foi uma carta de cessar e desistir enviada pela Disney, logo após o Seedance permitir que usuários criassem vídeos com personagens como Mickey, Minnie e Homem-Aranha em cenas inéditas e não autorizadas. Segundo os advogados da companhia, o uso configuraria “roubo virtual” de propriedade intelectual sob a legislação americana.

A reação não ficou restrita à Disney. Estúdios como Paramount Pictures, Warner Bros. e Netflix também enviaram notificações à ByteDance. O sindicato dos atores de Hollywood, o SAG-AFTRA, classificou o uso de imagens e personagens como uma “violação flagrante” de direitos. Diante da pressão, a ByteDance encerrou a possibilidade de envio de fotos de pessoas reais ao aplicativo, uma medida vista como tentativa de reduzir o risco jurídico.

Com dificuldades de abertura para geração de vídeos de IA para consumidores no Ocidente, a ByteDance pode optar por direcionar esforços para a indústria artística da China, que já se mostra favorável para produtos que consigam desenvolver conteúdo considerado de qualidade.

Além das dificuldades legais, o Seedance 2.0 também tem demorado horas para gerar um único vídeo. Uma reportagem do Wired declarou que uma tentativa de criação de vídeo na plataforma culminou em uma espera de dez horas para um conteúdo de 5 segundos, que não pôde ser gerado. O texto diz que a companhia chinesa está com dificuldades para equipar uma quantidade satisfatória de GPUs que façam o trabalho para vídeos de alta qualidade.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: