Caiado será candidato do PSD à Presidência, diz Kassab
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, será o candidato do PSD à Presidência nas eleições de 2026, disse o presidente do partido, Gilberto Kassab, nesta segunda-feira, 30.
"Tinhamos três nomes, foi uma escolha difícil. Nós fomos amadurecendo e, nos últimos dias, acabamos, por uma questão eleitoral,, entendendo que o Ronaldo Caiado tem mais chance de chegar no segundo turno e chegando no segundo turno, ele vencerá as eleições. Ronaldo Caiado vai ser o candidato a presidente da república do nosso partido", disse Kassab, no evento J.Safra Macro Day, realizado em São Paulo.
Na semana passada, Ratinho Jr, governador do Paraná, desistiu do pleito, e a disputa final ficou entre Caiado e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul.
Na conversa, Kassab fez críticas a Lula e aos Bolsonaro e disse que a campanha de Caiado deverá se centrar em propostas para melhorar a saúde, a educação e a segurança e combater a corrupção.
"Nos últimos governos, tanto a família Bolsonaro, quanto a família petista tiveram as suas oportunidades. A gente quer que venha alguém que ainda não teve oportunidade e foi muito bem-sucedido em todas as missões que teve na sua carreira e não tem nada que depôe contra a sua honestidade e sabe montar equipes e possa vencer as eleições e melhorar o Brasil. O Brasil é um país extraordinário, mas dá para melhorar muito", afirmou.
Kassab, no entanto, disse que rejeita o rótulo de terceira via. "Primeiro é não ser apresentando como uma terceira via, porque não é. É uma alternativa. As pesquisas, todas elas, indicam que tanto Flávio Bolsonaro, quanto o presidente Lula, eles têm uma rejeição em torno de 40%. Bom, e tem dois candidatos, 40% dos brasileiros. Não é possível que não tenha uma alternativa que possa contaminar com entusiasmo a sociedade brasileira e vencer as eleições", disse.
A trajetória de Caiado
A caminhada de Caiado até ser oficializado começou em 27 de janeiro, quando o político anunciou sua filiação ao Partido Social Democrático (PSD), ao lado dos também governadores e então pré-candidatos Eduardo Leite (RS) e Ratinho Jr. (PR).
O goiano já havia se lançado na disputa pelo Palácio do Planalto ainda em abril de 2025, mas não encontrou apoio o suficiente no seu antigo partido, o União Brasil.
Ronaldo Ramos Caiado nasceu em 25 de setembro de 1949 no município do Anápolis, em Goiás. Apesar de ser formado em medicina, a política era quase um destino certo. A família Caiado é uma das mais tradicionais da política e do agronegócio goiano.
Seu avô, Antônio Ramos Caiado, mais conhecido como Totó Caiado, foi deputado federal, senador e um dos mais influentes coronéis do estado. Totó também foi nomeado interventor federal de Goiás por Washington Luís, mas foi deposto durante a Revolução de 1930, que estabeleceu a Era Vargas. Anos depois, outros parentes permaneceram nos governos estaduais e federais.
Em 1985, em meio a tensões e conflitos de terra entre latifundiários e defensores da reforma agrária, Ronaldo Caiado foi um dos fundadores da União Democrática Ruralista (UDR). Segundo o site oficial, a associação tem como objetivo "a preservação do direito de propriedade e a manutenção da ordem e respeito às leis do país."
A UDR hoje integra a Frente Parlamentar da Agropecuária, mais conhecida como Bancada Ruralista.
Em 1989, com o fim da Ditadura Militar, o goiano deixou a liderança da UDR para se candidatar a Presidência da República, mas obteve apenas 0,68% dos votos. No segundo turno, o goiano apoiou o candidato vitorioso, Fernando Collor de Melo, do Partido da Reconstrução Nacional (PRN).
Entre 1990 e 2014, Ronaldo Caiado teve cinco mandatos como deputado federal, sendo os quatro últimos consecutivos. Em 2014, o goiano foi eleito ao Senado Federal, onde foi líder do Democratas. Enquanto senador, Caiado foi um dos principais articuladores para o impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016.
Ronaldo Caiado foi eleito governador do estado de Goiás em 2018 no primeiro turno e, quatro anos depois, alcançou a reeleição também no primeiro turno.
Suas gestões foram marcadas pela presença de familiares no governo. Segundo apuração do jornal O Globo, o goiano chegou a empregar pelo menos 12 parentes, incluindo o primo Adriano da Rocha Lima como secretário-geral de Governo.
Seu comando do estado também colocou o combate à violência no centro do debate. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP), foi registrada uma queda de 85% em latrocínios (roubos seguidos de mortes) e de 56% em homicídios dolosos no estado desde 2018. Por outro lado, 2.767 pessoas morreram por intervenção de agentes de segurança de 2019 a 2023, atrás apenas da Bahia, do Rio de Janeiro e do Pará.
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