Calor extremo ameaça o agro global e pode custar US$ 40 bilhões por ano à pecuária

Por Sofia Schuck 22 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Calor extremo ameaça o agro global e pode custar US$ 40 bilhões por ano à pecuária

O calor extremo deixou de ser apenas uma questão climática para se tornar uma ameaça real ao agronegócio e também ao sustento de mais de 1 bilhão de pessoas no mundo.

É essa a conclusão de um novo relatório conjunto da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e da Organização Meteorológica Mundial (OMM), divulgado nesta terça-feira, 22, que mostra como a alta das temperaturas já afeta lavouras, rebanhos, pesca, florestas e a produtividade do trabalho no campo.

Segundo as organizações, o problema é um "risco sistêmico" para a segurança alimentar e para os meios de vida para os meios de vida de 1,23 bilhão de trabalhadores que dependem da agricultura.

“Mais do que um evento climático isolado, o calor extremo age como um fator de agravamento de fragilidades já existentes nos sistemas agrícolas”, afirma em comunicado a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo. “Alertas precoces e serviços climáticos serão essenciais para adaptar o setor a essa nova realidade", complementa.

Além do impacto direto sobre a produção, o calor extremo intensifica problemas como seca, incêndios, falta de água, pragas e doenças, ampliando a vulnerabilidade do campo em diferentes regiões do mundo.

O relatório mostra que a maior parte das culturas agrícolas relevantes começa a sofrer perdas de rendimento acima de 30°C, enquanto as espécies mais comuns de rebanho entram em estresse térmico acima de 25°C.

E a perda de produtividade já é sentida nas principais culturas agrícolas. Em média global, as produtividades caem 7,5% no milho, 6,0% no trigo, 6,8% na soja e 1,2% no arroz a cada 1°C de aquecimento, segundo os dados da pesquisa.

Nas projeções para os próximos anos, milho e trigo podem perder de 4% a 10% para cada 1°C adicional de aquecimento.

O impacto cresce de forma relevante quando a alta nos termômetros vem acompanhada de falta de chuva. Nessas condições, calor e seca já provocam perdas de safra superiores a 30% nas áreas atingidas.

Planeta mais quente pressiona lavouras, rebanhos e produtividade

Na pecuária, o efeito de um planeta mais quente aparece tanto na produtividade quanto no risco financeiro. A estimativa é que em um cenário de altas emissões, quase metade do rebanho bovino mundial pode estar exposta a calor perigoso até 2100, com perdas anuais próximas de US$ 40 bilhões (R$ 199,4 bilhões) em carne e leite, em valores de 2005.

Já em um cenário de baixas emissões, esse impacto cairia para cerca de US$ 15 bilhões (R$ 74,8 bilhões) por ano, o equivalente a uma redução de quase dois terços.

Um dado chama atenção: quase 80% do rebanho bovino global já estaria exposto por 30 dias ou mais por ano a calor estressante.

Além disso, 8% e 20% da população global de bovinos, caprinos, ovinos, suínos e aves já está exposta a pelo menos um dia por ano de estresse térmico.

Para cada grau acima de 30°C, bovinos, ovinos, caprinos, suínos e aves reduzem a ingestão de ração entre 3% e 5%. Em vacas leiteiras, há uma perda de 1% da produção anual de leite por estresse térmico e queda de 0,5% no leite diário por cada hora de exposição a temperaturas acima de 26°C.

Mas os efeitos não se limitam aos animais e às lavouras. O avanço do calor extremo também tem provocado efeitos indiretos sobre o uso da terra e as emissões do setor.

Entre 1992 e 2020, 88 milhões de hectares foram incorporados à produção agropecuária em 110 países, enquanto as emissões ligadas à expansão somaram 21,8 bilhões de toneladas de CO2 equivalente, o que corresponde a 18,9% das emissões totais de uso da terra desses países.

No mesmo período, a perda acumulada de produtividade total dos fatores na agricultura foi estimada em 21%, o equivalente a eliminar sete anos de ganhos globais de produtividade.

Brasil já sente o impacto no campo

O relatório traz o Brasil como exemplo dos impactos do calor extremo sobre o agro.

Segundo o relatório, a projeção inicial para a safra de soja era de 162 milhões de toneladas, mas caiu para 147,7 milhões até maio de 2024, uma redução de quase 10%. Em São Paulo, as perdas estimadas superaram 20% na soja e 10% no milho de primeira safra.

A análise mostra que, no auge do evento climático extremo, a temperatura máxima diária ficou mais de 5°C acima da média climática em algumas áreas por meses, enquanto o calor extremo agravou a seca agrícola e elevou o risco de incêndios em diferentes regiões do país.

No Centro-Oeste, o percentual de dias acima do limiar de risco de fogo subiu até 40 pontos percentuais, ou cerca de 150 dias, em relação à climatologia de referência.

No Rio Grande do Sul, uma sequência de eventos extremos ampliou o impacto sobre a produção. De abril a maio de 2024, época das enchentes históricas, os volumes de chuva passaram de 500 mm em muitas áreas e superaram 700 mm em alguns municípios.

Nesse contexto, a produtividade do arroz caiu 3,6% e até 2 milhões de toneladas de soja que ainda não haviam sido colhidas foram destruídas. O documento também cita perdas agrícolas de R$ 1,2 bilhão e danos severos em 600 mil hectares de pastagens no estado.

“O calor extremo está cada vez mais definindo as condições em que os sistemas agroalimentares operam”, destaca a secretária-geral da OMM.

Para a FAO e OMM, a resposta passa pela agricultura regenerativa e por investimentos em adaptação e mitigação. Entre as recomendações estão o desenvolvimento de cultivares e raças mais tolerantes ao calor, ajustes nas janelas de plantio, melhoria no manejo de solo e água, fortalecimento de alertas precoces e ampliação de serviços climáticos para produtores.

As organizações defendem que proteger a agricultura e garantir a segurança alimentar global exigirá não apenas ampliar a resiliência no campo, mas também fortalecer a cooperação internacional e acelerar a transição para uma economia de baixo carbono.

Neste Dia da Terra, o relatório também traz uma ressalva: há limites claros para adaptar o setor frente às mudanças climáticas. Sem uma redução mais ambiciosa das emissões, a tendência é de agravamento das perdas e de aumento da pressão sobre a produção global de alimentos.

1/45 Vivo: companhia foi a empresa do ano no Melhores do ESG (Vivo: companhia foi a empresa do ano no Melhores do ESG)

2/45 Totvs: destaque na categoria Telecomunicações, Tecnologia e Mídia (Totvs: destaque na categoria Telecomunicações, Tecnologia e Mídia)

3/45 LWSA: destaque na categoria Telecomunicações, Tecnologia e Mídia (LWSA: destaque na categoria Telecomunicações, Tecnologia e Mídia)

4/45 3Tentos: vencedora na categoria Agronegócio (3Tentos: vencedora na categoria Agronegócio)

5/45 SLC Agrícola: destaque na categoria Agronegócio (SLC Agrícola: destaque na categoria Agronegócio)

6/45 Kepler Weber: empresa encerrou terceiro trimestre de 2025 com lucro líquido de R$ 51,6 milhões, uma queda de 13,5% em relação ao mesmo período do ano passado (Kepler Weber: destaque na categoria Agronegócio)

7/45 Mondelez: vencedora na categoria Alimentos e Bebidas (Mondelez: vencedora na categoria Alimentos e Bebidas)

8/45 Danone: destaque na categoria Alimentos e Bebidas (Danone: destaque na categoria Alimentos e Bebidas)

9/45 Ambev: destaque na categoria Alimentos e Bebidas (Ambev: destaque na categoria Alimentos e Bebidas)

10/45 Magazine Luiza: vencedora da categoria Atacado, Varejo e E-commerce (Magazine Luiza)

11/45 Leroy Merlin: destaque da categoria Atacado, Varejo e E-commerce (Leroy Merlin: destaque da categoria Atacado, Varejo e E-commerce)

12/45 Mercado Livre: maior dia de vendas da história aconteceu no 11.11, com alta de 56% nos acessos. (Mercado Livre: destaque na categoria Atacado, Varejo e E-commerce)

13/45 Randoncorp: vencedora da categoria Bens de capital e Eletroeletrônicos (Randoncorp: vencedora da categoria Bens de capital e Eletroeletrônicos)

14/45 WEG: destaque na categoria Bens de capital e Eletroeletrônicos (WEG: destaque na categoria Bens de capital e Eletroeletrônicos)

15/45 Electrolux: destaque na categoria Bens de capital e Eletroeletrônicos (Electrolux: destaque na categoria Bens de capital e Eletroeletrônicos)

16/45 MRV: vencedora na categoria Construção civil e Imobiliário (MRV: vencedora na categoria Construção civil e Imobiliário)

17/45 Allos: destaque na categoria Construção civil e Imobiliário (Allos: destaque na categoria Construção civil e Imobiliário)

18/45 Tegra: destaque na categoria Construção civil e Imobiliário (Tegra: destaque na categoria Construção civil e Imobiliário)

19/45 Copel: vencedora na categoria Energia (Copel: vencedora na categoria Energia)

20/45 Isa Energia: destaque na categoria Energia (Isa Energia: destaque na categoria Energia)

21/45 Cemig: destaque na categoria Energia (Cemig: destaque na categoria Energia)

22/45 Grupo Boticário: vencedora na categoria Farmacêutico e Beleza (Grupo Boticário: vencedora na categoria Farmacêutico e Beleza)

23/45 Natura: destaque na categoria Farmacêutico e Beleza (Natura: destaque na categoria Farmacêutico e Beleza)

24/45 Eurofarma: destaque na categoria Farmacêutico e Beleza (Eurofarma: destaque na categoria Farmacêutico e Beleza)

25/45 Gerdau: vencedora da categoria Mineração, Siderurgia e Metalurgia (Gerdau: vencedora da categoria Mineração, Siderurgia e Metalurgia)

26/45 ArcelorMittal: destaque na categoria Mineração, siderurgia e Metalurgia (ArcelorMittal: destaque na categoria Mineração, siderurgia e Metalurgia)

27/45 Companhia Brasileira de Alumínio: na categoria Mineração, siderurgia e Metalurgia (Companhia Brasileira de Alumínio: na categoria Mineração, siderurgia e Metalurgia)

28/45 Lojas Renner: vencedora na categoria Moda e Vestuário (Lojas Renner: vencedora na categoria Moda e Vestuário)

29/45 C&A entra em nova fase de expansão, afirma Citi (C&A: destaque na categoria Moda e Varerjo)

30/45 Gupo Malwee: destaque na categoria Moda e Varejo (Gupo Malwee: destaque na categoria Moda e Varejo)

31/45 Klabin: vencedora na categoria Papel, Celulose e Produtos Florestais (Klabin: vencedora na categoria Papel, Celulose e Produtos Florestais)

32/45 Suzano: destaque na categoria Papel, Celulose e Produtos Florestais (Suzano: destaque na categoria Papel, Celulose e Produtos Florestais)

33/45 Tetra Pak: destaque na categoria Papel, Celulose e Produtos Florestais (Tetra Pak: destaque na categoria Papel, Celulose e Produtos Florestais)

34/45 Ultragaz: vencedora na categoria Petróleo, Gás e Químico (Ultragaz: vencedora na categoria Petróleo, Gás e Químico)

35/45 Vibra aumenta participação no mercado, mas margens seguem pressionadas (Vibra: destaque na categoria Petróleo, Gás e Químico)

36/45 Unipar: destaque na categoria Petróleo, Gás e Químico (Unipar: destaque na categoria Petróleo, Gás e Químico)

37/45 Hospital Israelita Albert Einstein: vencedor na categoria Saúde (Hospital Israelita Albert Einstein: vencedor na categoria Saúde)

38/45 Sabin: destaque na categoria Saúde (Sabin: destaque na categoria Saúde)

39/45 Fleury: destaque na categoria Saúde (Fleury: destaque na categoria Saúde)

40/45 EcoRodovias: ganhadora da categoria Transporte e Logística (EcoRodovias: ganhadora da categoria Transporte e Logística)

41/45 Motiva (ex-CCR): destaque na categoria Transporte e Logística (Motiva (ex-CCR): destaque na categoria Transporte e Logística)

42/45 Localiza: destaque na categoria Transporte e Logística (Localiza: destaque na categoria Transporte e Logística)

43/45 Aegea: vencedora na categoria Tratamento de Resíduos e Economia Circular (Aegea: vencedora na categoria Tratamento de Resíduos e Economia Circular)

44/45 Sabesp: destaque na categoria Tratamento de Resíduos e Economia Circular (Sabesp: destaque na categoria Tratamento de Resíduos e Economia Circular)

45/45 Orizon: destaque na categoria Tratamento de Resíduos e Economia Circular (Orizon: destaque na categoria Tratamento de Resíduos e Economia Circular)

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: