Cannes Lions 2026: executivos avaliam a relevância do festival

Por Soraia Alves 30 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Cannes Lions 2026: executivos avaliam a relevância do festival

CANNES - Por décadas, perguntar se o Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions era um evento relevante soaria quase como uma heresia para a indústria da publicidade. Em 2026, porém, a provocação ganhou espaço nos debates sobre o festival.

Depois de uma edição marcada por menos inscrições, regras mais rígidas para garantir a integridade dos cases, discussões sobre o uso responsável da inteligência artificial e o crescimento visível da creator economy, o evento passou a ser analisado não apenas pelos Leões que distribui, mas pelo seu papel em um mercado que vive um momento de profunda transformação.

Um festival em transformação

Ao mesmo tempo em que Cannes tenta reafirmar sua autoridade como principal palco da criatividade global, o evento também enfrenta questionamentos sobre seu formato, a capacidade de representar novas dinâmicas do mercado e sua relevância para um cenário cada vez mais orientado por dados, plataformas, criadores de conteúdo e resultados de negócio.

Afinal, o evento continua sendo uma bússola para a indústria criativa ou apenas um festival de experiências pulverizadas entre ativações, eventos paralelos e espaços exclusivos de networking?

Foi a partir dessa provocação que a EXAME conversou com alguns executivos brasileiros durante o festival para saber: Cannes Lions ainda é relevante? Por quê e para quem?

As respostas mostram que, apesar das críticas e das transformações, o festival continua ocupando um lugar central no mercado, ainda que por motivos diferentes daqueles que o consagraram ao longo dos anos.

O que dizem os executivos

Ionah Kochen, CMO da Nestlé Brasil:

“Uma das coisas que eu considero importante para todo profissional de marketing é ter repertório. E, para construir repertório, a gente vem a Cannes. O festival permite, por exemplo, fazer um networking superinteressante. Além disso, é um lugar onde vemos tendências e respiramos criatividade, que é o que precisamos para o dia a dia nas empresas.”

Sean Summers, CMO do Mercado Livre:

“Cannes Lions é mais relevante do que nunca, só que agora para muito mais nichos: para os criadores de conteúdo, para as marcas que estão tentando ganhar mercado, para as empresas de tecnologia, que são parceiras cada vez mais relevantes, e para as grandes empresas de mídia. Acho que esse é o único evento do mundo onde todos os participantes conseguem estar no mesmo lugar para ter conversas relevantes.”

Guilherme Martins, CMO da Diageo:

“Acredito muito no ciclo completo da criatividade. Do ponto de vista dos anunciantes, como a Diageo, isso significa termos um posicionamento de marca claro, ambição criativa, times que sabem julgar as ideias criativas, parceiros que ajudam a elevar o nível do trabalho e ferramentas que ajudam a acelerar o processo. Então, é claro que, no final desse ciclo, quando o trabalho é premiado em Cannes, é uma grande chancela, junto com o crescimento e o valor de marca, de que aquela marca está fazendo um trabalho que se destaca em meio a tantos outros.”

Felipe Cohen, CMO do Magalu:

“Cannes deixou de ser apenas um festival de publicidade para se tornar um dos principais termômetros globais de criatividade aplicada aos negócios. Hoje, ele reconhece inovação, tecnologia, construção de marca e transformação de modelos de negócio. Além disso, Cannes continua sendo um ponto de encontro dos melhores talentos da indústria.”

Amanda Lobato, CMO da Opella:

“O Cannes Lions continua muito relevante, especialmente pelas conversas que ele traz sobre o papel da criatividade, não só para fazermos filmes bonitos e memoráveis, mas para mover o ponteiro do negócio. Acho que o festival é esse lugar onde vemos como a criatividade pode ajudar a trazer mais consumidores para as nossas categorias e, inclusive, como podemos aprender com os criadores a gerar histórias relevantes.”

Laura Chiavone, diretora de agências da Meta Brasil:

“Cannes Lions continua sendo muito importante para todo mundo que quer trabalhar com comunicação e marketing, pensando na conexão entre marcas e pessoas. Pensando que, no meio disso, o ecossistema está cada vez mais diverso, incluindo criadores de conteúdo, agências e anunciantes, que estão cada vez mais presentes aqui, todos com ideias que conectam nesse imesno universo da comunicação.”

Eduardo Rebola, gerente sênior de comunicação do Boticário:

“Cannes Lions reflete o ápice da criatividade publicitária. Mesmo com a relevância cada vez maior de outros eventos de inovação, Cannes é onde reconhecemos as maiores ideias do nosso mercado. O festival também tem um papel de transformação interna. Voltamos diferentes e com o compromisso de inspirar e elevar o nível das conversas com nossos times e parceiros a partir do que vimos e aprendemos."

Renata Bokel, CEO da WMcCann:

“Cannes continua importante e continuará por muito tempo. Porque são poucas indústrias que têm uma manifestação tão clara do poder, do montante de investimento que se faz e do reconhecimento de trabalhos, como a indústria da publicidade. É uma celebração incrível. É um festival que tem a função de mostrar para onde essa indústria bilionária está indo.”

Rafaela Lotto, CEO da YOUPIX:

“O evento é importante para entender o mercado, mas definitivamente deixou de ser importante apenas para quem ganha Leões. Passou a ser importante para todo mundo que quer entender a dinâmica do mercado, se relacionar, fazer networking e criar conteúdo. É difícil Cannes Lions deixar de ser importante. Mas a importância está mudando de lugar e sendo muito mais diluída entre micro-universos e múltiplos interesses.”

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