CEO da Warner fatura US$ 165 mi e pode levar mais de US$ 500 mi com fusão bilionária
O CEO da Warner Bros. Discovery, David Zaslav, entrou de vez para o topo da lista dos executivos mais bem pagos do setor de mídia em 2025. Sua remuneração mais que triplicou no período, alcançando US$ 165 milhões, impulsionada principalmente por um pacote robusto de incentivos em ações da companhia.
O salto expressivo está ligado a uma concessão extraordinária de papéis, avaliada em cerca de US$ 110 milhões, concedida após o executivo liderar um plano estratégico que previa a divisão da WBD em duas empresas — movimento que acabou sendo abandonado diante da proposta de aquisição pela Paramount.
Pacote milionário — e controverso
Além disso, a remuneração de Zaslav incluiu salário base de US$ 3 milhões, bônus em dinheiro de US$ 25,7 milhões e cerca de US$ 22,6 milhões em ações, de acordo com informações enviadas à SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos) e divulgadas pela Variety. Outros US$ 4,1 milhões vieram de benefícios adicionais, como, por exemplo, segurança pessoal e uso de aeronaves corporativas.
O conselho da empresa justificou o pacote com base na liderança estratégica e experiência no setor do executivo, destacando seu papel em iniciativas que impulsionaram o valor das ações. Segundo o comitê de remuneração, Zaslav contribuiu com “insights e direcionamento estratégicos excepcionais” ao longo do processo de reestruturação e nas negociações que envolveram potenciais acordos — incluindo conversas com a Netflix antes do avanço da Paramount.
Entre o início de 2025 e o anúncio do acordo, os papéis da companhia subiram 164%.
A empresa concedeu ao CEO 20,9 milhões de opções de ações em junho de 2025, em uma oferta única atrelada ao plano de cisão, que previa a separação entre os negócios de estúdios e streaming e as operações de TV.
Outros executivos também receberam aumentos em 2025, mas em patamares bem inferiores. JB Perrette, CEO e presidente global de streaming e jogos da WBD, recebeu US$ 22,5 milhões, um aumento de 14%; enquanto Bruce Campbell, diretor de receita e estratégia, teve remuneração de US$ 22,3 milhões, somando 13%. Já o CFO Gunnar Wiedenfels recebeu US$ 17,7 milhões, uma alta de 3,6%.
Segundo a Variety, a Warner Bros. Discovery informou nesta quinta-feira, 30, que firmou um novo contrato de com Wiedenfels, garantindo sua permanência como CFO até abril de 2028. O acordo mantém termos substancialmente semelhantes aos atuais e prevê ainda a concessão única de ações restritas, com valor-alvo de US$ 2 milhões, em agosto de 2026. Apesar disso, a expectativa é que o executivo deixe a companhia com a conclusão da fusão, prevista para o terceiro trimestre.
Ainda assim, a política de remuneração não passou sem críticas. Em votação recente, investidores rejeitaram — de forma consultiva — os pagamentos destinados à alta cúpula. Em assembleia realizada em 23 de abril, 82% dos acionistas se posicionaram contra as indenizações por rescisão dos executivos envolvidos na fusão. No mesmo encontro, porém, a operação com a Paramount foi aprovada por ampla maioria, também segundo a Variety.
A WBD, que segue operando normalmente enquanto aguarda a conclusão da transação, agendou para 9 de junho sua assembleia anual de acionistas, quando serão votadas medidas como a eleição do conselho de administração — incluindo o próprio David Zaslav.
Megafusão pode destravar ainda mais ganhos
Caso a aquisição pela Paramount seja concluída, Zaslav pode receber um pacote de saída que ultrapassa US$ 550 milhões, incluindo dinheiro, ações da empresa combinada e benefícios adicionais. Além disso, a Warner Bros. Discovery concordou em reembolsar o CEO em até US$ 335 milhões em impostos relacionados à antecipação de ações.
Além disso, o executivo mantinha cerca de US$ 115,8 milhões em ações da empresa em março e vendeu aproximadamente US$ 114 milhões em papéis recentemente.
O acordo, estimado em US$ 111 bilhões, ainda depende de aprovação regulatória e enfrenta resistência de sindicatos e parte da indústria de entretenimento. Há também preocupações com possíveis cortes de custos e demissões, já que a expectativa é de uma economia de até US$ 6 bilhões com a fusão.
Para viabilizar a operação, a Paramount contou com apoio de fundos soberanos de países como Arábia Saudita, Catar e Abu Dhabi, que juntos comprometeram cerca de US$ 24 bilhões. Após a fusão, investidores estrangeiros devem deter quase metade do capital da nova empresa, conforme informado pelo estúdio e divulgado pela Variety.
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