CEO do Santander defende Desenrola: 'acreditamos na elegância do programa'

Por Clara Assunção 29 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
CEO do Santander defende Desenrola: 'acreditamos na elegância do programa'

Ao comentar o novo programa de renegociação de dívidas do governo, o Desenrola, o CEO do Santander Brasil, Mario Leão, adotou tom favorável. "Acreditamos na elegância do programa, na necessidade do programa e no timing do programa", disse, em coletiva de imprensa sobre os resultados do banco no primeiro trimestre de 2026.

O governo federal prepara uma edição do programa de renegociação de dívidas empresariais em meio a uma taxa de inadimplência de 6% entre micro, pequenas e médias empresas. Trata-se do maior patamar registrado pelo Banco Central (BC) desde 2018, registrado mesmo após o lançamento, em 2024, do primeiro "Desenrola" para pequenos negócios.

O executivo rebateu críticas sobre eventuais motivações políticas e afirmou que o diagnóstico por trás da iniciativa é correto.

"As famílias estão sobrealavancadas, sobreendividadas", afirmou. Na avaliação de Leão, o novo formato, com execução pelas plataformas dos próprios bancos, deve aumentar a efetividade da política. "Vai ter uma aderência muito maior", disse, ao comparar com a versão anterior.

Apesar disso, Leão minimizou o impacto direto sobre os resultados do Santander. "Se vai mudar drasticamente a nossa conta de resultado? Acho que não", afirmou.

Macro desafiador pesou sobre os resultados trimestrais

O Santander Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2026 com resultados pressionados por um "cenário macroeconômico desafiador", leitura que apareceu de forma recorrente no balanço divulgado pela instituição antes da abertura do mercado nesta quarta-feira, 29.

O lucro líquido gerencial somou R$ 3,788 bilhões, com queda de 1,9% na comparação anual e de 7,3% frente ao trimestre anterior, enquanto o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) recuou para 16%. No relatório, o banco atribui o desempenho aos juros elevados e alto endividamento das famílias, fatores que seguem pressionando a inadimplência e as provisões.

Durante a coletiva de imprensa, o CEO Mario Leão reforçou essa avaliação, destacando que o ritmo de queda dos juros é determinante para a velocidade de recuperação dos resultados."Quanto mais devagar os juros caem, mais devagar a conta melhora", afirmou às vésperas da divulgação da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) no fechamento do mercado nesta terça.

A expectativa majoritária do mercado é de que a taxa básica de juros, a Selic, recue 0,25 ponto percentual, saindo de 14,75% para 14,50% ao ano. O cenário para este ano era de afrouxamento monetário contínuo, mas a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã acabou atrapalhando as previsões e impondo cautela.

Segundo Leão, mesmo que a trajetória dos juros seja de queda, um movimento mais lento prolonga os efeitos negativos sobre o balanço. "Caindo mais devagar, a velocidade da melhora também diminui", disse. O executivo ressaltou que essa dinâmica afeta especialmente a margem com mercado e a evolução do custo do crédito. "Na margem, mais juro não é bom. Não é bom para a economia, não é bom para a carteira", afirmou.

A margem com clientes, gerada pela intermediação financeira tradicional, avançou 4,8% no ano, para R$ 16,584 bilhões, beneficiada por crescimento de volume, ampliação de spread e maior remuneração do capital de giro impulsionada pela Selic elevada.

Já a margem com mercado permanece negativa pelo quarto trimestre consecutivo, em R$ -771 milhões, embora tenha melhorado expressivamente ante os R$ -1,486 bilhão do 4T25. Na comparação anual, a deterioração é significativa, já que no memso período do ano passado, essa linha era positiva em R$ 97 milhões.

Apesar disso, Leão ponderou que mudanças marginais na taxa básica não devem alterar de forma significativa a trajetória da inadimplência no curto prazo. "Não é o juro cair hoje meio ponto em vez de 0,25 que vai mudar isso", disse.

Os números do trimestre refletem esse cenário. A provisão para devedores duvidosos (PDD) somou R$ 6,344 bilhões, permanecendo em patamar elevado, enquanto a inadimplência acima de 90 dias subiu para 3,3%, com piora mais acentuada em pessoas físicas de menor renda e pequenas e médias empresas.

Ainda assim, o CEO afirmou que o banco mantém uma visão construtiva sobre a evolução ao longo do tempo. "Seguimos vendo positivamente a evolução dessa conta", disse, embora reconheça que o processo tende a ser gradual.

Leão também destacou que o portfólio está relativamente protegido, ainda que alguns segmentos sigam mais sensíveis. "Os pontos de preocupação com a carteira são os mesmos", afirmou, citando áreas como pequenas empresas, agro e de alguns segmentos dos cartões.

O índice de inadimplência acima de 90 dias atingiu 3,3% no trimestre, com alta de 0,2 ponto percentual em relação ao 4T25 e de 0,6 p.p. na comparação anual. A deterioração foi mais intensa em pessoas físicas de menor renda e no segmento de pequenas e médias empresas.

O NPL de PMEs chegou a 6%, avanço de 0,5 p.p. no trimestre e de 1,4 p.p. no ano, a piora mais acentuada entre os segmentos. Em pessoas físicas, o índice subiu para 4,9%, alta de 0,3 p.p. no trimestre.

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